quarta-feira, 11 de abril de 2012

Yossi Sassi - Melting Clocks


Qualquer pessoa que tenha entrado em contado com música Oriental feita por bandas de Metal já ouviu falar no guitarrista Yossi Sassi. Os Orphaned Land, banda onde Yossi é o guitarrista principal e um dos seus principais compositores a par do vocalista Kobi Farhi, são a banda do género que tem vindo a receber mais atenção graças á sua fusão perfeita entre Death Metal Progressivo com as influências orientais, influencias essas que são incluídas graças aos vastos conhecimentos de Yossi Sassi sobre diversos instrumentos de cordas.

Neste seu projeto a solo, Yossi, chama alguns amigos, o mais sonante é sem dúvida Marty Friedman, ex-Megadeth, e claro, tal como nos Orphaned Land, ele aqui também usa as suas ferramentas prediletas como o Saz, Bouzouki, Oud e Chumbush. Este Melting Clocks (possível referencia ao trabalho ‘A Persistência da Memória’ de Salvador Dalí) é uma viagem única pelo mundo graças aos instrumentos tradicionais aqui incorporados.

Tal como o músico indica no seu site: “Todos temos a nossa rotina, a nossa vida no dia á dia – mesmo que cada dia pareça semelhante, embora diferente, do dia anterior.. Melting Clocks é um trabalho conceptual sobre a vida, possivelmente a SUA vida, em cada dia.”. Deixo aqui como ele descreve  a sua criação explicando o que significa cada faixa:

  “Este dia começa com o despertar de uma nova manhã ("Drive"), enquanto você está sendo elaborado a partir de um fragmento de um sonho, com a visão de campos infinitos sobre o nascer do sol ("Fields of Sunrise").

A realidade ataca assim que você fizer o seu caminho para onde você precisa de estar e bate o tráfego denso nas estradas. Enquanto você negocia a hora de ponta de manhã, os pensamentos da sua verdadeira vocação estão subindo dentro de si ("The Calling: Rush Hour").

As notícias trazem dados e estatísticas intermináveis​​ em vez de empatia – o nosso é um mundo de números – palavras tornam-se poucas ("Numbers’ World").

Os pensamentos assumem controlo durante o meio-dia ("Melting Thoughts"). Você pode se sentir que você não é bom o suficiente ("Ain’t good enough"). Assim que o dia se desenrola, os pensamentos da sua rotina assumem controlo ("The Routine").

Você se sente como se você fosse incapaz de seguir seus sonhos e acender sua alma, mas a verdade é que você pode! ("Sahara Afternoon").

O pôr-do-sol anuncia o encerrar do dia, e finalmente você é capaz de relaxar um pouco ("Sunset"). Você sente esperança para um amanhã melhor – ainda assim, sente que é quase certo que, muito provavelmente, amanhã será mais um dia do mesmo ("Simple Things").

Noite – quase hora de dormir – e as coisas simples parecem tão complicadas. Você enfrenta os seus demônios e medos, como os relógios que você construiu para si mesmo estão derretendo. Você deixa-se mergulhar no sonho mais uma vez, apenas para acordar na manhã seguinte para mais um dia ("Melting Clocks")."

Este não é o típico album instrumental em que ouvimos um guitarrista a querer dizer que é o mais rápido ou o mais técnico, ou então que repete o que faz na sua banda, aqui Yossi toca com todo o prazer de sempre (basta verem Orphaned Land ao vivo, ele toca sempre a sorrir) e mostra que os seus gostos pessoais são alem fronteiras e consegue, com sucesso, implementar isso tudo num só registo que vai agradar a todos os ouvintes, sejam eles de rock, metal ou ate mesmo jazz. 8.8


quinta-feira, 22 de março de 2012

Overkill - The Electric Age


Ao contrário das bandas mais populares do género como os Metallica, Megadeth, Slayer e Anthrax, entre outras, os Overkill (juntamente com os Testament e ate podemos incluir os Exodus) não tem ficado presos ao passado e tem vindo nos últimos anos a lançar música com qualidade e ainda mais rápida e letal do que antes.

Apesar de os Overkill sempre terem sido uma banda muita ativa e de o The Electric Age ser o 15º álbum a ser lançado, a banda sempre foi menosprezada pela comunidade metaleira, mas graças aos últimos lançamentos repletos de qualidade a banda tem vindo a demostrar a muita gente o que tem vindo a perder. The Years Of Decay e Horrorscope são para muitos fãs as obras-primas da banda mas Immortalis e o brilhante Ironbound de 2010 pôs os Overkill na lista das bandas cuja carreira já vai longa mas que ainda tem mais algo a dizer.

Tal como o Ironbound, The Electric Age é mais uma descarga de puro Thrash Metal old school sempre a rasgar. A primeira faixa intitulada “Come and Get It” é tal como o nome indica, venham ca e preparem-se para o que ai vem, de certeza que irá ter as honras de abrir os concertos da tour deste ano. Na “Electric Rattlesnake” é impossível não ficamos surpreendidos quando a meio rebenta um riff á Black Sabbath, simplesmente delicioso.

The Electric Age destaca-se como um todo e é um registo perfeito para um regresso ao passado, “Black Daze”, “21st Century Man” e “All Over But the Shouting” relembra os gloriosos tempos do Heavy/Thrash nos anos 80’. Mesmo com Metallica, Sepultura e Kreator na edição do Rock In Rio deste ano, o Thrash Metal vai ter como palco principal o Vagos Open Air deste ano, de certeza que os Overkill vão proporcionar um grande espetáculo e a sua tshirt, que critica os Avenged Sevenfold por terem copiado a sua mascote Chaly, deverá ser um dos objetos mais requisitados. 8.4

Come and Get It
Electric Rattlesnake
Wish You Were Dead
Black Daze
Save Yourself
Drop the Hammer Down
21st Century Man
Old Wounds, New Scars
All Over But the Shouting
Good Night

terça-feira, 13 de março de 2012

Anathema - Weather Systems



Quando se fala em música emotiva os Anathema são sempre uma das primeiras bandas a serem mencionadas graças a albums como A Natural Disaster e o brilhante We're Here Because We're Here, que já data de 2010, volvidos dois anos e duas passagens pelo nosso pais, eis que a banda Liverpool regressa com a mesma intensidade.

O We're Here Because We're Here mostrou os Anathema a irem por outros caminhos mais lentos dentro do Rock Progressivo, algo que não agradou a muitos fãs da banda, independentemente das críticas que o álbum recebeu não impediu de se tornar num dos melhores registo de Rock Progressivos dos últimos tempos ao lado da dupla Road Salt dos Pain Of Salvation, do Heritage dos Opeth e do Grace for Drowning Steven Wilson. Steven Wilson esse que chegou a produzir o We're Here Because We're Here, mas agora como anda ocupado com o seu projeto Storm Corrosion com Mikael Åkerfeldt não deu aqui o seu contributo.

Este Weather Systems mantem os Anathema na linha do Rock Progressivo. Nesta critica vou apenas falar das faixas que para mim se destacam mais, a faixa inicial “Untouchable” tem duas partes, a primeira parece que a banda foi buscar inspiração ao Post-Rock devido á sua composição ‘on growing’, na segunda parte Lee Douglas mostra a sua importância na banda. Depois de meio deste trabalho encontramos “The Storm Before the Calm” soa a algo saído de um registo dos Nine Inch Nails e “The Beginning and the End” é capaz de ser a musica mais emocional que aqui encontramos e é mais um exemplo perfeito da grande qualidade das letras dos Anathema, “And somewhere inside is the key / To everything I want to feel / But the dark summer dawns of my memory / Are lost in a place that can never be.”.

No geral é um grande registo e mais versátil que o We're Here Because We're Here, gostava de falar um pouco mais do álbum mas vou deixa-lo falar por si mesmo, vai sem duvida para a lista de melhores do ano como já é habitual a cada lançamento dos Anathema. 9.1

Untouchable, Part 1
Untouchable, Part 2
The Gathering of the Clouds
Lightning Song
Sunlight
The Storm Before the Calm
The Beginning and the End
The Lost Child
Internal Landscapes

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Dream Theater + Periphery no Coliseu dos Recreios 27/02/2012



Os Periphery foram chamados para serem a banda de abertura, a sua sonoridade é interessante, em termos instrumentais misturam a técnica extrema de uns Meshuggah e de uns Gorod com o virtuosismo de uns Animals As Leaders e claro dos senhores da noite, Dream Theater. O ponto fraco da prestação dos Periphery acabou por ser a voz, o vocalista Spencer Sotelo usa diferentes registos de voz e em praticamente todas as músicas mal se ouviu a sua voz quando ele cantava num registo limpo, e ate mesmo os seus growls não combinavam bem com o tempo das musicas, o concerto dos Periphery foi só mesmo para fãs.

New Groove
Letter Experiment
Jetpacks Was Yes
Buttersnips
Icarus Lives
Racecar

A amizade entre os Dream Theater e Portugal é algo que todos os fãs da banda conseguem reconhecer, aliás, eles são das poucas bandas de renome mundial que quando vão em tour nunca se esquecem de vir ao nosso pais, uma das provas disso foi que o concerto o ano passado no Coliseu do Porto foi dos poucos que a banda deu num recinto numa tour em que estava previsto só tocarem em festivais.

O álbum A Dramatic Turn of Events lançado o ano passado recebeu críticas muito divergentes de todas as partes do mundo, mas esta tour tem vindo a provar que o este primeiro trabalho lançado desde a saída de Mike Portnoy é um álbum bem solido e quando transposto para cima de um palco consegue igualar com o resto da grandiosa discografia da banda Norte-America.

Tal como o ano passado no Porto este ano a musica “Dream Is Collapsing” que Hans Zimmer fez para o filme Inception fez as honras de abertura á medida que foi projetado uma pequena animação que figurava a banda no momento atual da carreira com o seu novo baterista Mike Mangini. A noite era de promoção ao novo trabalho por isso “Bridges in the Sky” e “Build Me Up, Break Me Down” deram início a um concerto de mais de duas horas, algo simples para uma banda que já teve momentos da carreira em que fazia concertos acima das três horas.

“The Root of All Evil”, uma música retirada do que é considerado por muitos fãs o ultimo grande álbum da parte dos Dream Theater serviu como entrada para um dos momentos da noite, o provar de que Mike Mangini não é um mero substituto mas sim um musico excecional, com um solo de bateria a percorrer a sua gigantesca bateria fez o publico vibrar por diversos momentos. A ponte temporal criada pelas músicas “A Fortune in Lies” “Outcry” (para quem não sabe são musicas do primeiro e do ultimo registo da banda respetivamente) serviu como um encerrar da primeira parte do concerto.

“The Silent Man” do Awake e “Beneath the Surface” do último trabalho foram tocadas num pequeno momento acústico só com LaBrie e Petrucci. “War Inside My Head” e “The Test that Stumped Them All” representaram o Six Degrees of Inner Turbulence, as musicas são a 3º e 4º parte da enorme faixa-titulo da que é a maior musica já gravada pela banda que tem cerca de 42 minutos de duração. A noite já vai longa mas a banda ainda tem uns trunfos na manga, diretamente do Metropolis Pt. 2 - Scenes from a Memory, para muitos, o melhor álbum da banda e ate mesmo do panorama Metal Progressivo, veio “The Spirit Carries On” com direito a coro da parte do público que compôs bem a sala lisboeta.

Com um solo de abertura dividido entre Petrucci e Ruddess, “Breaking All Illusions” (do ultimo álbum é a musica preferida deste critico) mostrou na sua totalidade o que muita gente já o sabe, os Dream Theater são uma máquina bem oleada, a sua música pode não agradar a toda a gente mas ninguém consegue ficar indiferente á qualidade destes músicos. John Petrucci é o mestre que é, o sempre tímido John Myung continua a mostrar qualidade de ano para ano, James LaBrie é um dos pontos que faz muita gente não gostar de Dream Theater mas a sua voz resulta bem com a musica virtuosa dos DT, Jordan Rudess é o brincalhão de serviço e Mike Mangini foi o mais aplaudido da noite. Já passava da 00:00 quando a banda tocou o que é considerado o seu grande clássico, “Pull Me Under”. Fecho em beleza, Dream Theater não sabem o que é falhar.

Bridges in the Sky
6:00
Build Me Up, Break Me Down
Surrounded
The Root of All Evil
(solo de bateria)
A Fortune in Lies
Outcry

Set acustico:
The Silent Man
Beneath the Surface

On the Backs of Angels
War Inside My Head
The Test that Stumped Them All
The Spirit Carries On
(Petrucci / Ruddess Solo Intro)
Breaking All Illusions

Encore:
Pull Me Under

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Alcest + Les Discrets + Sorror Dolorosa no Hard Club 14/02/2012



Muita gente faz todos os anos viagens para irem a concertos espalhados pelo pais, mas quando se fala em bandas com nome ainda algo que desconhecido da população em geral, são poucas as que tem capacidade de levar uma pessoa a percorrer longas distâncias, os Alcest fazem parte desse lote talvez pelo facto de serem os criadores de um género musical ou por simplesmente fazerem música bela digna de ser ouvida.

Soror Dolorosa com a sua música New Wave/Gothic Rock a fazer lembrar uns Joy Division ou uns Bauhaus, mas numa onda mais progressiva, abriram e bem a noite, foram retiradas musicas tanto do seu EP de 2009 Severance e do álbum lançado o ano passado Blind Scenes. Concerto sem falhas do início ao fim que teve como espectador Neige, líder dos Alcest e baixista dos Les Discrets. Os Les Discrets e Alcest partilham diversos membros, Neige nos Alcest é um faz tudo, nos Les Discrets é o baixista, Winterhalter é o baterista oficial de ambas as bandas e Zero é o guitarrista e back-vocals de serviço quando as bandas se lançam á estrada. Com Fursy Teyssier a liderar, a banda mostrou-se competente ao interpretar musicas do Septembre et Ses Dernières Pensées de 2010.

Setlist de Les Discrets:

L'échappée
Les Feuilles de l'olivier
La Nuit muette
Le Mouvement perpétuel
La Traversée
Gas In Veins (Amesoeurs)
Song For Mountains

Eis que chega a hora do nome forte do género intitulado de ‘black-gaze’. Bandas cuja musica tem momentos de distorção normalmente chegam a ter bastantes problemas quando levam a musica para o palco, bandas como Kylesa, Mastodon e muitas de Black Metal enfrentam sempre o problema de não conseguirem reproduzir bem o que criam em estúdio, no caso dos Alcest também acontece o mesmo problema, mas quis o destino que neste concerto as falhas fossem mínimas, fosse em voz limpa ou ‘black metal vocals’, foram raros os momentos em que houvesse problemas de som, só a bateria soou mais alto que o resto dos instrumentos, mas isso só ajudou a levar o publico a prestar atenção ao excelente trabalho feito por Winterhalter ao longo da noite.

Como a tour é em promoção ao álbum lançado este ano, LesVoyages de l'Âme, “Autre Temps”, single avançado ainda em 2011 e a eximia “Là où Naissent les Couleurs Nouvelles”, tiveram as honras de iniciar o que veio a ser um concerto cheio de emoções. “Les Iris” e “Printemps Éeraude”, do clássico álbum Souvenirs d'un Autre Monde de 2007, fizeram as delícias de muitos presentes. A faixa-titulo do último registo abriu as portas para a primeira parte de “Écailles de Lune”

Ao longo do concerto Neige fez sempre questão de agradecer e sublinhou que as vindas dos Alcest a Portugal são sempre marcadas por salas cheias. Outra nota a destacar é a humildade e timidez de Neige quando ouvimos uma mulher a chama-lo e ele olhou com olhar tímido e esboçou um pequeno sorriso. A bela “Sur l'océan couleur de fer” pôs alguns presentes a chorar, literalmente. Tal como foi apontado e notado no concerto, o som das vozes esteve no ponto, “Là où Naissent les Couleurs Nouvelles” ja tinha mostrado isso, mas “Percées de Lumière” confirmou-o. Para o encore, “Souvenirs d'un Autre Monde” “Summer's Glory”. Concerto perfeito do início ao fim, sem grandes falhas de registo, é concertos assim que se quer mais no nosso pais.

Autre temps
Là où naissent les couleurs nouvelles
Les Iris
Les Voyages de l'âme
Printemps émeraude
Écailles de lune (Part I)
Sur l'océan couleur de fer
Ciel errant
Percées de lumière

Souvenirs d'un autre monde
Summer's Glory