quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Alcest + Les Discrets + Sorror Dolorosa no Hard Club 14/02/2012



Muita gente faz todos os anos viagens para irem a concertos espalhados pelo pais, mas quando se fala em bandas com nome ainda algo que desconhecido da população em geral, são poucas as que tem capacidade de levar uma pessoa a percorrer longas distâncias, os Alcest fazem parte desse lote talvez pelo facto de serem os criadores de um género musical ou por simplesmente fazerem música bela digna de ser ouvida.

Soror Dolorosa com a sua música New Wave/Gothic Rock a fazer lembrar uns Joy Division ou uns Bauhaus, mas numa onda mais progressiva, abriram e bem a noite, foram retiradas musicas tanto do seu EP de 2009 Severance e do álbum lançado o ano passado Blind Scenes. Concerto sem falhas do início ao fim que teve como espectador Neige, líder dos Alcest e baixista dos Les Discrets. Os Les Discrets e Alcest partilham diversos membros, Neige nos Alcest é um faz tudo, nos Les Discrets é o baixista, Winterhalter é o baterista oficial de ambas as bandas e Zero é o guitarrista e back-vocals de serviço quando as bandas se lançam á estrada. Com Fursy Teyssier a liderar, a banda mostrou-se competente ao interpretar musicas do Septembre et Ses Dernières Pensées de 2010.

Setlist de Les Discrets:

L'échappée
Les Feuilles de l'olivier
La Nuit muette
Le Mouvement perpétuel
La Traversée
Gas In Veins (Amesoeurs)
Song For Mountains

Eis que chega a hora do nome forte do género intitulado de ‘black-gaze’. Bandas cuja musica tem momentos de distorção normalmente chegam a ter bastantes problemas quando levam a musica para o palco, bandas como Kylesa, Mastodon e muitas de Black Metal enfrentam sempre o problema de não conseguirem reproduzir bem o que criam em estúdio, no caso dos Alcest também acontece o mesmo problema, mas quis o destino que neste concerto as falhas fossem mínimas, fosse em voz limpa ou ‘black metal vocals’, foram raros os momentos em que houvesse problemas de som, só a bateria soou mais alto que o resto dos instrumentos, mas isso só ajudou a levar o publico a prestar atenção ao excelente trabalho feito por Winterhalter ao longo da noite.

Como a tour é em promoção ao álbum lançado este ano, LesVoyages de l'Âme, “Autre Temps”, single avançado ainda em 2011 e a eximia “Là où Naissent les Couleurs Nouvelles”, tiveram as honras de iniciar o que veio a ser um concerto cheio de emoções. “Les Iris” e “Printemps Éeraude”, do clássico álbum Souvenirs d'un Autre Monde de 2007, fizeram as delícias de muitos presentes. A faixa-titulo do último registo abriu as portas para a primeira parte de “Écailles de Lune”

Ao longo do concerto Neige fez sempre questão de agradecer e sublinhou que as vindas dos Alcest a Portugal são sempre marcadas por salas cheias. Outra nota a destacar é a humildade e timidez de Neige quando ouvimos uma mulher a chama-lo e ele olhou com olhar tímido e esboçou um pequeno sorriso. A bela “Sur l'océan couleur de fer” pôs alguns presentes a chorar, literalmente. Tal como foi apontado e notado no concerto, o som das vozes esteve no ponto, “Là où Naissent les Couleurs Nouvelles” ja tinha mostrado isso, mas “Percées de Lumière” confirmou-o. Para o encore, “Souvenirs d'un Autre Monde” “Summer's Glory”. Concerto perfeito do início ao fim, sem grandes falhas de registo, é concertos assim que se quer mais no nosso pais.

Autre temps
Là où naissent les couleurs nouvelles
Les Iris
Les Voyages de l'âme
Printemps émeraude
Écailles de lune (Part I)
Sur l'océan couleur de fer
Ciel errant
Percées de lumière

Souvenirs d'un autre monde
Summer's Glory

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Swallow The Sun - Emerald Forest And The Blackbird

Após terem lançado, o que é provavelmente, o melhor registo da carreira, eis que, passados 3 anos do lançamento de New Moon, os Swallow The Sun regressam com novas ideias.

Emerald Forest And The Blackbird (MFATB) foge um bocado do que a banda vinha a fazer, New Moon era numa onda mais obscura, MFATB é mais melódico e um bocado distorcido e em algumas músicas podemos ouvir com maior clareza a qualidade vocal de Mikko Kotamäki que vai ter um ano de 2012 muito cheio, quando não estiver com os Swallow The Sun vai andar certamente com os Barren Earth, um projecto que ele tem juntamente ex. membros de bandas como Amorphis, Moonsorrow e Kreator. Para Março está previsto o lançamento de The Devil's Resolve, o sucessor do brilhante Curse of the Red River que já data de 2010.

Este trabalho abre logo com a faixa-titulo e desde logo nota-se diferenças na composição, com a sua uma intro relaxante e diferentes momentos de explosão entrelaçados com passagens de puro Doom, não haveria melhor maneira de começar esta viagem. Em “This Cut is the Deepest” e “Silent Towers” vemos a qualidade de Mikko Kotamäki ao ouvirmos ele cantar num registo limpo. “Hate, Lead the Way!” roça os campos do Black Metal com as suas guitarras distorcidas e na “Cathedral Walls” podemos escutar a actual vocalista dos Nightwish, Anette Olzon, a dar uma singela contribuição.           

A música dos Swallow The Sun tem muitas semelhanças com a música dos Opeth, e a voz de Mikko Kotamäki consegue ser facilmente confundida com a de Mikael Åkerfeldt, em “Hearts Wide Shut” temos isso mesmo, o bom do acústico que a banda Sueca tem vindo a por muita gente interessada, misturado com guturais poderosos e sentimentais. Ao colaborar nos Barren Earth vê-se que Mikko Kotamäki trouxe um bocado da maneira de compor para os Swallow The Sun, as guitarras a porem melodia no meio de tanta destruição é uma combinação perfeita tal como podemos comprovar na “Of Death and Corruption”.

“Labyrinth of London (Horror pt. IV)” é de longe a melhor musica deste registo porque incorpora tudo o que os Swallow The Sun já fizeram na sua carreira. Esta música dá continuação á incorporação nos albums de musicas inspiradas em filmes B, “Swallow”, “Don't Fall Asleep” e “Lights on the Lake” retiradas dos albums The Morning Never Came, Hope e New Moon respectivamente são as musicas ‘Horror’ que neste registo chegou á 4º parte. “April 14th” e “Night Will Forgive Us”, com toda a calma do mundo, encerram um trabalho que não é fácil de digerir mas que com o tempo pode vir a ganhar o seu estatuto. 8.7

Emerald Forest and the Blackbird
This Cut is the Deepest         
Hate, Lead the Way!            
Cathedral Walls         
Hearts Wide Shut 
Silent Towers 
Labyrinth of London (Horror pt. IV)           
Of Death and Corruption     
April 14th
Night Will Forgive Us

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Mastodon + Red Fang no Coliseu dos Recreios 22/01/2012



Com apenas 45 minutos para actuar os Red Fang conseguiram impressionar muitos dos presentes, no bolso trouxeram a sua mais recente proposta que foi lançada o ano passado, Murder the Mountains. “Throw Up”, “Number Thirteen”, “Into the Eye” e “Malverde” foram algumas das musicas interpretadas pela banda e cantadas pelo publico que já as conhecia, mas claro, o concerto dos Red Fang teve o seu grande momento quando tocaram a sua musica mais conhecida, “Wires”.

Hank is Dead
Throw Up
Malverde
Wires
Into the Eye
Good to Die
Number 13
Humans Remain Human Remains
Sharks
Prehistoric Dog

Apos um concerto bastante fraco por diversas razoes na edição de 2009 do festival Optimus Alive, eis que os Mastodon regressaram ao nosso pais e num recinto fechado, um lugar onde podemos escutar na perfeição toda a qualidade que estes rednecks impregnam nas suas musicas, algo que passou despercebido a muita gente aquando da ultima passagem da banda Norte Americana ao nosso pais.

23 musicas, sim leram bem, foram escolhidas 23 musicas, 23 musicas que puseram um Coliseu dos Recreios num estado de pura loucura, os Mastodon são sem duvida das melhores bandas que podemos encontrar no Metal actualmente, por isso seria mais que obvia uma recepção calorosa da parte do publico nacional. As músicas do novo registo The Hunter, um álbum que figurou em praticamente todos os tops de melhores de ano feitos pelo mundo fora (ficou no 8º lugar para o Confronto de Almas), foram muito bem recebidas.

Uma coisa que marcou o antes do início do concerto foi quando tiraram o pano de frente da bateria do Brann Dailor, no bumbo figurava uma imagem de Randy Rhoads com a sua guitarra Karl Sandoval-V preta com os pontos brancos, a pintura do resto da bateria de Brann foi inspirado na guitarra de Randy.

Hora de destruir o Coliseu, “Dry Bone Valley” e o primeiro single do The Hunter, a “Black Tongue” mostraram cedo que muitas das músicas iriam ser cantas pelo público, quando os Red Fang actuaram ainda se via muitos fossos no público, neste momento eram poucos os centímetros de espaço disponíveis. “Capillarian Crest” deu origem a um desfile de air guitars e “Colony of Birchmen” foi um dos muitos momentos em que o público nacional teve que puxar da voz.

“Megalodon” para o caos, “Thickening” para cantar e apreciar e “Blasteroid” novamente para o caos demostram que esta banda sabe escolher bem a ordem das suas músicas. A “Sleeping Giant” ficou estranhamente marcada pela quantidade de crowd surfs que foram feitos, digo que foi estranho porque a musica é das mais calmas do repertorio da banda e foi a musica onde foi feito mais crowd surf, foram vistas quase umas 20 pessoas a fazer crowd surf, houve momentos em que os seguranças não sabiam para que lado se virarem porque as pessoas vinham todas de seguida e de vários lados.

Muita gente no final do concerto deve ter ficado de certeza com a garganta a arder, tantas vezes se ouviu coro e as “All the Heavy Lifting”, “Curl of the Burl” e “Bedazzled Fingernails” não foram exceção. A banda pouco ou nada comunicou, apenas deixaram que a sua música fala-se por eles, por isso sem descanso “Spectrelight” fez estremecer o Coliseu. “Circle of Cysquatch” e “Aqua Dementia” foi o duo perfeito para podermos apreciar a capacidade técnica da banda. “Crack the Skye” foi uma das duas que representaram o album de 2009, a outra foi a “Ghost of Karelia”.

Antes do ‘grand finale’ veio a explosiva “Blood and Thunder”, quando se pensava que na “Spectrelight” a loucura tinha sido muita então neste momento o Coliseu mais parecia um campo de guerra, o pit era gigantesco, praticamente todas as pessoas na plateia estavam num estado frenético, a força dos empurrões era tanta que as grades vergaram uns quantos graus e claro, mais uns momentos de susto para os seguranças quando os crowd surfs la voltaram.

Para o fim, a já esperada “Creature Lives”, que foi interpretada com os Red Fang em palco e cantada a plenos pulmões pelo publico que encheu por completo o Coliseu dos Recreios. É com concertos assim que as bandas cimentam a sua posição no mundo da musica. O ano ainda agora começou e há muitos concertos por realizar, mas este concerto arrisca-se, tal como o ultimo álbum da banda, a figurar em muitas listas de melhores de ano, som perfeito, setlist perfeita a passar por todos os albums da banda, ambiente infernal, esteve tudo no ponto, para o fim a banda prometeu regresso ao nooso pais no verão.

Dry Bone Valley
Black Tongue
Crystal Skull
I Am Ahab
Capillarian Crest
Colony of Birchmen
Megalodon
Thickening
Blasteroid
Sleeping Giant
Ghost of Karelia
All the Heavy Lifting
Spectrelight
Curl of the Burl
Bedazzled Fingernails
Circle of Cysquatch
Aqua Dementia
Crack the Skye
Where Strides the Behemoth
Iron Tusk
March of the Fire Ants
Blood and Thunder
Creature Lives

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Kylesa + Circle Takes The Square + KEN Mode no Santiago Alquimista 19/01/2012



A poucos dias de Portugal receber na mesma noite o nome forte e a banda sensação do Sludge Metal, o Santiago Alquimista encheu para uma noite de Sludge Metal/Hardcore.

Os KEN Mode (Kill Everyone Now Mode) mostraram uma energia fantástica em palco graças á sua mistura explosiva de Sludge Metal com Post-Hardcore. Com apenas umas dezenas de pessoas dentro do Santiago Alquimista, 40 minutos disponíveis para atuar e tendo como base o registo de 2011 Venerable, a banda mostrou uma prestação solida e de encher o olho. “Flight Of The Echo Hawk” e “Never Was” foram algumas das musicas escolhidas para mostrar ao povo português do que esta banda Canadiense é capaz.

Obeying The Iron Will
Book Of Muscle
Seul
Frye
Flight Of The Echo Hawk
Never Was

Para quem ainda não conhecia os Circle Takes The Square, de certeza que ao verem a figura franzina da baixista e vocalista Kathy “Coppola” Stubelek, ninguém esperaria o que ai viria, a distribuição perfeita de vozes entre ela e Drew Speziale (voz e guitarra) deixou muita gente espantada ao ouvirem aquela pessoa a cuspir todo o tipo de vocalização extrema.

Screamo, Hardcore Punk e Post-Hardcore, são o que podemos encontrar nas músicas dos Circle Takes The Square. “Same Shade As Concrete”, “In The Nervous Light Of Sunday” e “Our Need To Bleed” foram autênticos murros no estomago. O ano passado lançaram o EP Vol. I Chapter 1. Rites Of Initiation, do qual foram retiradas as musicas “Enter By The Narrow Gates”, “Spirit Narrative” e “Way Of Ever-Branching Paths”.

Same Shade As Concrete
Crowquill
Enter By The Narrow Gates
Spirit Narrative
Way Of Ever-Branching Paths
In The Nervous Light Of Sunday
Prefaced By The Signal Fires
Our Need To Bleed

Já íamos pelas 23 horas e finalmente já se avistava um Santiago Alquimista bem composto. O concerto dos Kylesa ficou marcado pelo volume exagerado das guitarras e do baixo, algo que tapou completamente as vozes de Phillip Cope e Laura Pleasants, foram raros os momentos em que se pode ouvir a voz de algum dos vocalistas. Talvez foi isto que levou muita gente a ficar aborrecida durante o concerto ao vermos muita gente quieta e quando as músicas acabavam com o passar do tempo eram menos e menos pessoas a aplaudir.

“Said and Done” e “Only One” (uma das poucas musicas em que se ouviu com clareza a voz de Phillip Cope) abriram um concerto que se esperava de grande festa mas que acabou por ser caótico embora energético. O Spiral Shadow, ultimo álbum da banda que já data de 2010, foi o álbum com maior destaque, “Tired Climb”, “To Forget” e “Forsaken” com direito a uma pequena jam entre os dois bateristas Carl McGinley e Tyler Newberry, como são músicas mais calmas em relação ao que a banda já fez no resto da carreira, foram músicas que deu para dar descanso a muitos ouvidos.

“Unknown Awareness” foi uma das músicas mais esperadas da noite mas os problemas de som foram constantes. Com a já mítica Scapegoat com a sua grande intro levou alguns dos presentes á loucura. “Running Red” e a explosiva “Where the Horizon Unfolds”, do album Time Will Fuse Its Worth, e com direito a um pouco de mosh, deu por encerrado um concerto onde vimos a banda a tocar tudo na perfeição tal como está nos albums, mas os problemas de som fizeram muitos estragos. Banda da noite: KEN mode, som perfeito e prestação exímia.

Said and Done
Only One
Tired Climb
To Forget
Bottom Line
Forsaken
Don't Look Back
Distance Closing In
Unknown Awareness
Hollow Severer
Scapegoat

Running Red
Where the Horizon Unfolds

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Anneke Van Giersbergen - Everything Is Changing



Anneke Van Giersbergen é daquelas pessoas onde não encontramos algo de mal a dizer, ela tem uma carreira musical brilhante a todos os níveis, já foi a vocalista dos The Gathering no qual lançou albums como Souvenirs e o fabuloso álbum duplo How To Measure A Planet?. A nível de participações já deu uma ajuda a diversas bandas e artistas dos mais variados estilos, Ayreon, Napalm Death, Novembers Doom, Moonspell, Devin Townsend, Anathema e Within Temptation são alguns desses nomes.

A juntar a isto tudo ainda podemos aliar a sua grande beleza e voz única, é impossível ficar indiferente ao que esta mulher faz. Desde que saiu dos The Gathering ela já lançou diversos albums tanto a solo como a sua banda Agua de Annique e ate um album a meias com Danny Cavanagh, um dos fundadores da banda Anathema.

Everything Is Changing é um misto de emoções e sonoridades, rock, pop, folk e ate mesmo electrónica e tem como produtor o nosso Daniel Cardoso, que aqui também toca piano, guitarra e baixo. Este registo começa pelo single que foi avançado no passado mês de Setembro, “Feel Alive” passando por “You Want To Be Free”, uma musica com um riff de guitarra delicioso. A faixa título é uma das várias musicas a meio tempo aqui presentes em que o que se destaca é precisamente a grande voz de Anneke.

As músicas “Take Me Home”, “I Wake Up” e “My Boy” fazem lembrar os primeiros registos dos Muse, parece mesmo que Anneke pegou em algumas musicas da banda Inglesa e meteu o seu cunho pessoal. Quando o piano começa na faixa “Circles”, somos logo levados no tempo até á musica “Wonder” do álbum de 2009 In Your Room dos Agua de Annique, mais uma vez Anneke mostra como simples mas bela a música pode ser.

“Hope, Pray, Dance, Play” e “Slow Me Down” roçam o Goth Metal, até arrisco a dizer que parece algo saído dos dois últimos anos da principal banda do estilo, falo dos Finlandeses Nightwish, aqui a voz da Anneke está num registo muito próximo de Anette Olzon, vocalista que em 2007 ocupou o lugar que dantes era da Tarja Turunen. Para o fim, “Too Late” e “1000 Miles Away From You” mostram a versatilidade desta grande cantora que ainda não teve o reconhecimento que devidamente merece. 9.1