segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Opeth + Pain of Salvation no Incrível Almadense 20/11/2011

Após a vinda ao Vagos Open Air deste ano como cabeça de cartaz, os Opeth confirmaram mais uma presença no nosso país ainda este ano, algo que pôs muita gente em sentido, principalmente os que não puderam ir ao V:O:A. Com eles vieram os conterrâneos Pain Of Salvation, uma banda com uma carreira de respeito dentro do Prog Rock e que também já tem uma base de fãs bem grande, a prova destes factores todos foi o concerto ter esgotado umas quantas semanas antes da sua realização.

Antes de começar a falar na prestação dos Pain Of Salvation tenho que referir que eles deixaram muita gente de boca aberta, em 45 minutos fizeram melhor que certas bandas com concertos de 2 horas. Energia deixada em palco, comunicação banda-publico, o público respondeu o melhor que pode fosse com palmas e coro a acompanhar as músicas.

Os Pain Of Salvation trouxeram no bolso a sua mais recente proposta, Road Salt Two, a segunda parte da temática Road Salt que começou o ano passado com o Road Salt One, ambos os registos foram os que mais músicas emprestaram a este segundo concerto em terras lusitanas, sendo o primeiro e único em 2001. “Softly She Cries” e uma “Conditioned” com direito a saltos do publico com a “Ashes” do The Perfect Element, Part I lançado em 2000 a ser interpretada no meio das musicas do álbum lançado este ano, abriram o mote para um grande concerto da banda da mesma origem dos Opeth, a Suécia.

Uma bela “1979” e “To the Shoreline” cuja sonoridade parece saída de um filme de western mostraram a quem não os conhecia a sua versatilidade no que toca a compor. De um dos mais aclamados albums da banda, o Scarsick a banda foi buscar a “Kingdom of Loss”. Para o fim a banda ficou-se pelo Road Salt One com a frenética “Linoleum” e a divinal “No Way”, foi o encerramento perfeito para um concerto, mesmo tendo sido curto foi muito bom do princípio ao fim.

Apos a atuação dos Pain Of Salvation duas coisas eram certas, os Pain Of Salvation tem mais que capacidade para vir em nome próprio ao nosso pais, em palco eles tem uma atuação muito solida e nesta noite eram raras as pessoas que não os conheciam, o outro ponto é que quem pós este concerto no Incrivel Almadense certamente que não deve conhecer o estatuto que ambas as bandas tem a nível mundial, a cerca de um mês do concerto os bilhetes esgotaram e durante dias e ate mesmo á porta do recinto, varias pessoas procuraram por um bilhete mágico, se isto tivesse ido parar ao Coliseu dos Recreios certamente que iria ter uma sala bem composta na mesma.

Softly She Cries
Ashes
Conditioned
1979
To the Shoreline
Kingdom of Loss
Linoleum
No Way

Apos um curto intervalo para se retirar o material dos Pain Of Salvation eis que chega a hora da que tem sido uma das melhores bandas de metal dos últimos anos, os Opeth. Banda cuja carreira já teve muitas sonoridades, Black Metal, Death Metal, Rock, tudo isto com muito prog e folk pelo meio. Atualmente a banda anda virada para uma sonoridade mais prog dentro do rock dos anos 70’ como se pode constatar na sua ultima proposta, intitulada Heritage, um álbum que conseguiu dividir ainda mais os fãs do que o Damnation quando foi lançado em 2003.

“The Devil's Orchard”, o single de lançamento do Heritage abriu um concerto que ficou marcado pela falta de músicas com voz gutural, algo muito criticado por alguns fãs da banda, mas nem foi isso que impediu que o Incrivel Almandese esgotasse. Após uma execução eximia da “The Devil's Orchard”,Mikael Åkerfeldt, eterno líder dos Opeth mostrou o seu humor característico, “nós somos a banda do bilhete.. e se querem ver fogo de artificio vão ver um concerto dos Kiss”.

A assombrosa “I Feel The Dark” seguida da mais que obvia mas adorada “Face of Melinda” mostrou aos Opeth que já tinha o público mais que rendido. Apos uma longa salva de palmas a banda quis presenciar o publico com algumas palhetas e pelo meio vários pedidos foram feitos pelo publico para a banda tocar certas musicas, “Blackwater Park”, “Ghost Of Perdition” e “The Moor” foram algumas ouvidas a qual Mikael respondeu prontamente “please, no requests”. “Porcelain Heart” com Martin "Axe" Axenrot a ter dito a uns minutos para mostrar o que vale pôs alguns dos presentes a fazer air drums.

“Nepenthe” abriu as portas para um segmento de som acústico que se prolongou com “The Throat of Winter”, uma música feita para o jogo God of War III, neste momento tanto Mikael Åkerfeldt como Fredrik Åkesson estavam a tocar guitarras acústicas. Regresso ao passado, mais concretamente a 1998 e My Arms, Your Hearse, “Credence” foi a música escolhida seguida da “Closure” que ficou marcada pelo enorme coro feito no fim, ate a banda ficou surpreendida e parou de tocar só para comprovar que aquilo estava mesmo a acontecer, era visível na cara de Mikael Åkerfeldt, Martin Mendez e Martin "Axe" Axenrot ao olharem uns para os outros que não acreditavam que aquilo estava a acontecer, sem dúvida um momento para mais tarde recordar.

A banda toda é fã de Ronnie James Dio por isso em género de homenagem eles criaram a “Slither”, faixa incluída no Heritage, neste momento headbang era feito por toda a parte do Incrível Almadense. Assim que a música acaba temos mais um momento para mais tarde recordar, ouve-se saído do piso superior um uivo ao qual levou o publico a lançar um forte aplauso. Uma épica “A Fair Judgement” do album Deliverance seguida da atmosférica “Hex Omega” levou a banda para um merecido descanso.

Enquanto a banda não regressava o público lembrou-se de entoar novamente o coro da “Closure”. Com a banda já em palco chega a hora das apresentações da praxe, a apresentação de Martin Mendez ficou marcada pela brincadeira com Mikael em que Mikael pediu a Martin para subir para cima de uma das colunas que estava situada mesmo em frente ao palco, tal como fez Daniel Gildenlöw, vocalista dos Pain of Saltation, no início da noite, Martin recusou-se a fazer tal coisa por isso em género de dizer que aquilo era algo fácil o próprio Mikael subiu á coluna algo que fez o público todo aplaudir o gesto do líder dos Opeth. Com a apresentação de Fredrik Åkesson a brincadeira continuou onde tinha ficado, a pedido de Mikael, quando ele subisse novamente para a coluna, Fredrik faria o movimento característico de Rudolf Schenker, guitarrista dos Scorpions, mais um momento para animar a noite.

Joakim Svalberg, o novo pianista, foi muito bem recebido pelo público, também ele teve o seu momento a solo ao mostrar os cinco diferentes tipos de piano que tinha ao seu redor. Para o ‘gran finale’, Folklore, provavelmente a melhor música do Heritage, deu por encerrado um concerto que vai demorar muito tempo a sair da mente das pessoas que la estiveram. Pormenor final, são com concertos como este que os Opeth tem-se destacado individualmente do resto das bandas de Metal ao terem uma carreira recheada de qualidade e diversidade.

The Devil's Orchard
I Feel The Dark
Face of Melinda
Porcelain Heart
Nepenthe

(Set acustico)
The Throat of Winter
Credence
Closure

Slither
A Fair Judgement
Hex Omega

Folklore

Nota final: é preciso realçar os preços do merch disponível, a tshirt da tour, que tinha na frente a capa do Heritage e nas costas as datas da tour tinha duas versões, para homem e mulher, os preços foram um dos temas de conversa da noite, enquanto que a tshirt para homem custava uns míseros 10 euros, as mulheres, caso quisessem levar uma tshirt de mulher tinham que desembolsar 20 euros.

domingo, 20 de novembro de 2011

Ulver no Musicbox 19/11/2011

Eis o regresso de uma das maiores bandas de culto de todos os tempos, com um percurso tanto genial como curioso os Ulver voltaram ao nosso pais para um segundo concerto apos terem ca estado o ano passado na Casa da Musica.

Num dia muito feio em que o tempo esteve muito pobre, o ambiente á porta do Musicbox não se alterou minimamente, ver caras conhecidas, fazer novas amizades, fala-se de como pode correr o concerto, o tempo passa num instante.

Um concerto dos Ulver é sem dúvida algo de único porque a banda desde que fugiu ao som inicial de carreira que ficou caracterizado por uma sonoridade dentro do Black Metal, tem vindo numa demandada surpreendente de sons de álbum para álbum, vai entre o avant-garde (Themes From William Blake's The Marriage Of Heaven And Hell), eletrónica (Perdition City), trip-hop (Svidd Neger), experimental (Blood Inside) e musica ambiente (Shadows Of The Sun e War Of The Roses), um concerto dos Ulver na sua totalidade é uma experiencia única de vários sentimentos.

O concerto apresentado no Musicbox não fugiu á regra, uma mistura de cada álbum para cada pessoa sentir o ambiente á sua própria maneira. Na bagageira trouxeram a sua mais recente proposta, o War Of The Roses, uma das melhores perolas deste ano e o início do concerto ficou logo marcado com a retirada de quatro musicas desse álbum.

“February MMX”, “Norwegian Gothic”, “England” e “September IV” tocadas tal e qual como estão no album deram o mote para uma grande noite. Com “Lost In Moments” foi o começo do uso de eletrónica, o álbum Perdition City esteve bem representado nesta noite, ora vejamos a música que se seguiu, “Porn Piece Or The Scar Of Cold Kisses”. “Island” foi a ultima retirada do último álbum e uma explosiva “Darling Didn't We Kill You?” com um final mais elétrico do que a versão que é conhecida levou a banda para um primeiro encore.

Encore esse que ficou marcado com apenas 4 dos 6 elementos terem ido para os bastidores, o baterista e um dos programadores não saíram dos seus respectivos lugares porque no início do concerto já tinha sido complicado eles irem para os seus lugares de tao compacto que estava tudo em palco, e o publico la deu-lhes uma salva de palmas para eles não se sentirem de parte.

A banda pouco ou nada comunicou com o público, umas quantas palavras, nada de mais, eles deixaram a sua musica falarem por eles, e no que toca a apresentação em palco, a escolha do Musicbox foi uma má escolha, a banda é composta por 6 elementos e o espaço que parecia pequeno deixou de o ser quando a banda conseguiu encaixar tudo, bateria, instrumentos, maquinas de programação, entre outras engenhocas para reproduzir o som dos Ulver na perfeição.

“For The Love Of God” e “Little Blue Bird” foram o mostrar que as musicas simples conseguem ser belas. “Rock Massif”, da banda sonora que os Ulver fizeram para o filme Svidd Neger deve ter surpreendido muitos dos presentes antes de uma fantástica cover da musica “654321 (I Know What You Want)” dos The Troggs. Para o fim, a sentimental “Eos” do album Shadows Of The Sun de 2007.

Mais um grande concerto para os registos deste ano, pedir melhor a esta banda é complicado devido á grande variedade que é a sua discografia, mas desde que começaram a actuar ao vivo o estatuto da banda não tem parado de subir ainda mais.

February MMX
Norwegian Gothic
England
September IV
Porn Piece Or The Scar Of Cold Kisses Piece 2
Island
Darling Didn't We Kill You?

For The Love Of God
Little Blue Bird
Rock Massif
654321 (I Know What You Want) [The Troggs' cover]

Eos

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

The Atlas Moth - An Ache For The Distance

Este ano tem sido um ano recheado de lançamentos verdadeiramente únicos dentro do universo mais pesado, ate agora um dos mais notórios lançamentos, na opinião deste escritor, foi o dos americanos Ana Kefr e a sua mistura explosiva mas perfeita de quase todos os subgéneros que existem na música pesada.

No caso deste lançamento dos The Atlas Moth, não há uma incorporação tão grande de estilos como se regista no trabalho dos Ana Kefr, mas a sua mistura de Sludge sujo, Stoner cru, muito psicadelismo e guitarradas dignas de muitos trabalhos de Heavy Metal dos anos 80, tal combinação certamente que irá suscitar a curiosidade a muita gente.

Os The Atlas Moth vem de Chicago, Illinois, e este “An Ache For The Distance” é o seu segundo trabalho desde que se fundaram em 2007, mesmo com uma curta carreira eles já tiveram a honra de fazer tour juntamente com bandas de grande prestigio dentro do Sludge/Stoner, Crowbar e Kylesa são algumas dessas bandas.

Logo nos primeiros acordes de “Coffin Varnish”, primeira faixa do album, as influencias que estes rapazes têm dentro da música psicadélica vem logo ao cima e á medida que a música avança e aquele riff delicioso entra nas nossas cabeças somos logo apanhados pelo turbilhão de originalidade desta banda que, para os últimos segundos da ainda primeira faixa, reserva um daqueles momentos que ao vivo poe toda a gente a fazer coro.

“Perpetual Generations” é uma típica música no cruzamento de Sludge e Stoner, muita sujidade mas também tem muita genialidade. “Gemini”, é uma pequena música com cerca de 3 minutos de Doom Metal que facilmente podia ter sido transformada em algo a rondar os 15 minutos sem nunca perder a sua alma.Quando se pensava que “Coffin Varnish” era a única a ter riffs de guitarra capaz de nos prender, eis que levamos com “25s And The Royal Blues” mesmo em cima, tal como a primeira faixa o seu solo de guitarra podia/devia ter sido feito ate ao fim da música, mas claro, já estamos a entrar nos campos do gosto pessoal, mas é inegável uma coisa, uma pessoa ao ouvir esta música várias vezes certamente que a partir da 3º ou 4º audição irá por o volume no máximo sempre que chegar a parte do solo de guitarra.

Para o fim foi deixado “Horse Thieves”, uma música a meio tempo puramente Doom Metal, como encerramento não encaixa muito bem após um registo bem variado e com grandes arranjos, esta música ficaria melhor a meio do álbum. Para o fim deve-se sempre deixar uma musica que nos faça voltar a carregar no botão play novamente, neste caso não será esta musica a fazer-nos mexer o dedo mas sim musicas como “Coffin Varnish” e “25s And The Royal Blues” com os, nunca demais referir, excelentes trabalhos dentro do psicadélico. 9.1

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Sólstafir - Svartir Sandar

Por entre demos, eps e o álbum de estreia “Í Blóði og Anda” lançado em 2002, o início da carreira dos Islandeses Sólstafir ficou marcada por uma sonoridade dentro do Black Metal, embora em termos instrumentais a banda já vinha mostrando um pouco o querer fugir daquele som e ir pelo que tocam atualmente que é Metal/Rock Psicadélico, nota-se claramente que o álbum de estreia foi um álbum de pesquisa. Com o álbum de 2005 “Masterpiece Of Bitterness” deu-se início a essa transformação, o fugir do som cru do Black Metal e com o gigante “Köld” de 2009 foi o solidar do que são os Sólstafir neste momento da sua carreira.

Este ano foi lançado “Svartir Sandar”, um álbum duplo que segue as pisadas do seu antecessor, e só porque é duplo não pensem que isto tem uma duração enorme. Tal como o “The Guessing Game” dos Cathedral lançado o ano passado, este trabalho só é duplo por uma questão de estética porque a duração deste trabalho permite encaixar tudo num único disco, no caso do dos Cathedral, eles puseram intro, outro e algumas interludes para puderem encher espaço.

Com a sua mistura entre Post-Rock e Rock Psicadélico, este registo abre sem demoras com a sua música mais longa, “Ljós í Stormi” seguida de “Fjara”, uma faixa que parece uma música tradicional de um pais graças á sua simplicidade, ritmo e melodia. “Þín Orð” é a típica música que quando tocada ao vivo para levar toda a gente á loucura graças ao trabalho frenético de guitarra. Para o fim do primeiro disco ficaram “Æra”, que possui um grande trabalho de piano, e “Kukl”, uma música lenta, a meio tempo, talvez para servir como descanso ao ouvinte, algo do género seria interessante caso não tivéssemos que mudar de disco.

No segundo disco temos que dar destaque às faixas “Melrakkablús” com a sua grande beleza, grande porque é mesmo uma das mais longas aqui presentes e beleza porque incorpora um pouco de tudo o que a banda consegue fazer dentro do Rock, sem dúvida uma das melhores faixas deste trabalho. A embora curta mas energética “Draumfari” e extravagante faixa-titulo “Svartir Sandar” prepararam-nos para o melhor. Como se costuma dizer, para o fim fica sempre o melhor e aqui aplica-se essa célebre expressão.

A melhor comparação que se pode fazer á ultima faixa deste grande trabalho, a “Djákninn”, e isto que digo é para quem conhece os trabalhos da banda, é que esta faixa pode muito bem ser o irmão mais novo da faixa-titulo do “Köld”, para quem não conhece, ouçam ambas com os ouvidos bem abertos e em ambas vão sentir como se tivessem a serem inundados de energia e ganhassem forças para fazer seja o que for, ambas tem um nível de ‘growing’ enorme. 9.3

A ver se com este registo a banda ganha mais reputação e consigam fazer uma tour pela europa em nome próprio. Eles são uma banda com muito talento e ao vivo tem muita presença de palco, o ano passado passaram pelo nosso pais juntamente com os Swallow The Sun e os Mar De Grises e para quem não os conhecia de certeza que ganharam uns fãs nacionais naquela noite no Musicbox.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Amon Amarth + Septic Flesh no Incrivel Almadense 01/11/11

Pela segunda noite consecutiva o Incrivel Almandense pintou-se de negro, desta para receber os vikings Amon Amarth com o seu Death Metal tanto melódico como musculado e os Septic Flesh com o seu Death Metal que tem vindo a receber mais melodia principalmente no último registo da banda que grandes momentos sinfónicos.

Tal como é habitual num concerto de Metal o ambiente á porta do recinto é sempre de muita camaradagem e um ponto de encontro para ver amigos que normalmente só se vem nos concertos devido a morarem longe. Os maiores adereços visto foram sem duvida tshirts de Amon Amarth, não fossem eles a banda da noite, e claro, muitas tshirts das varias edições já realizadas do festival Vagos Open Air onde os Amon Amarth já la passaram na primeira edição realizada em 2009.

Antes do inicio dos concertos e á medida que se ia entrando no Incrivel Almadense, o Vagos Open Air foi tema de conversa já que durante a noite de ontem confirmou para a sua edição de 2012 dois nomes de peso, Enslaved, banda que nos últimos anos tem vindo a destacar-se como força prominente da cena Black Metal e não só graças às várias experimentações que podem ser ouvidas no excelente Axioma Ethica Odini lançado o ano passado. E os Overkill, a mítica banda de Thrash Metal que já leva uma carreira com mais de 30 anos e que o ano passado também lançou um grande registo intitulado de Ironbound.

A atuação dos Septic Flesh ficou marcada pela fraca qualidade de som, as partes melódicas das guitarras e as vozes limpas que se destacam nas músicas do último álbum mal se ouviam. Tendo a banda pouco tempo disponível eles não alargaram muito o tempo de antena da sua discografia e ficaram-se só pelos dois últimos albums, o Communion de 2008 e o The Great Mass lançado este ano.

Tirando os problemas de som a prestação da banda foi boa dentro dos possíveis, sempre a puxar pelo público e esse claro respondeu como melhor sabe, com diversos moshes. Musicas recentes como a “The Vampire from Nazareth” e “A Great Mass of Death” foram intercaladas com a faixa-titulo e a “We the Gods” do último álbum. Spiros "Seth" Antoniou foi sempre figura de destaque com os seus ‘are you ready motherfuckers?’. No final ficou reservada “Persepolis”, que a pedido da banda teve direito a uma wall of death.

The Vampire from Nazareth
Communion
A Great Mass of Death
We the Gods
Pyramid God
Five-Pointed Star
Anubis
Persepolis

Sala a abarrotar pelas costuras, cervejas em punho, bandeiras a esvoaçar, toda a gente está pronta, hora de Amon Amarth, “War of the Gods”, primeira faixa do álbum Surtur Rising lançado este ano, seguida da “Runes to My Memory”, mostram desde cedo a banda a querer dar espetáculo graças á sua grande boa disposição e o publico, como é normal nestes acontecimentos, responde com mosh a cada batida e riff. Quando se pensava que os movimentos entre o publico já tinham sido algo puxados eis que a banda toca a destrutiva “Destroyer of the Universe” e é aqui que vai tudo á loucura ao vermos os efeitos do mosh chegarem ate às partes laterais da plateia onde normalmente nunca há confusão e muita gente vai para essa zona mesmo para não levar com ninguém em cima.

Durante todo concerto a figura imponente que é Johan Hegg foi sempre o centro das atenções e os seus conhecimentos geográficos deixavam sempre muita gente a rir. Outro ponto a focar é a sua capacidade vocal, ele consegue ter o seu destaque na cena Death Metal porque ele é dos poucos cujas palavras se percebem tanto em estúdio como ao vivo. “Varyags of Miklagaard” com o seu ritmo a soar a hino de guerra pós não só a banda mas tanto o publico a fazerem headbang sincronizado. “Slaves of Fear” e “A Beast Am I” do album mais recente abriram portas para “Ride For Vengeance”, a primeira faixa do primeiro álbum da banda, o Once Sent from the Golden Hall de 1998.

A apoteótica “Free Will Sacrifice” foi seguida da “Death in Fire”, sendo o derradeiro hino da banda foi normal o ambiente vivido na sala, mosh a rebentar por todo o lado, já nem existiam pit’s, cabelos a esvoaçar, suor a escorrer de tanto mosh, o calor aumentou, viu-se o que esta música é para os fãs da banda. Para o encore ficou duas músicas do Twilight Of The Thunder God, a faixa-titulo para uns últimos headbangs e “Guardians of Asgaard” cujo refrão foi entoado a pulmões cheios pelo público.

Mais um grande concerto destes senhores que já ca tinham vindo em 2007 quando abriram para Dimmu Borgir em 2007 e também em 2009 na 1º edição do Vagos open Air, mas agora com um concerto em nome próprio mostraram o seu grande valor e qualidade e também o porquê de estarem no top do universo pesado.

War of the Gods
Runes to My Memory
Destroyer of the Universe
Live Without Regrets
The Pursuit of Vikings
For Victory or Death
Varyags of Miklagaard
Slaves of Fear
A Beast Am I
Ride For Vengeance
Embrace of the Endless Ocean
Free Will Sacrifice
Asator
Death in Fire
Twilight of the Thunder God
Guardians of Asgaard

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Moonspell - Concerto Wolfheart - Incrivel Halloween 2011

Devem ser dezenas, centenas, senão mesmo milhares as razões de muita gente considerar os Moonspell o expoente máximo do Metal nacional, a partir da noite de ontem consigo referir duas dessas razoes.

O Wolfheart, o álbum celebrado nesta noite de Halloween, alem de ser o representante máximo do metal nacional em terras estrangeiras como na Alemanha, onde a banda tem uma legião de fãs quase ao mesmo nível da nacional, é também considerado pelo industria musical portuguesa um dos melhores albums já feitos por artistas portugueses e tem lugar de destaque ao lado de albums de Rui Veloso, Amália, Carlos Paredes e Ornatos Violeta.

A outra é que eles são uma banda que qualquer pessoa que ouça Metal já os viu ao vivo pelo menos uma vez, mas mesmo assim conseguiram esgotar uma sala estando a comunidade metaleira prestes a entrar num dos meses com mais concertos de sempre no nosso pais, vou só referir os mais importantes, Amon Amarth+Septic Flesh, Opeth+Pain Of Salvation, Amorphis+Leprous, Ulver, Turisas+Gwydion e Machine Head+Bring Me The Horizon+Devil Driver+Darkest Hour.

O início do espetáculo ficou marcado por uma projeção em tela de imagens promocionais e fotos de concertos de diferentes pontos da carreira da banda e também de diferentes imagens alusivas ao álbum da noite, fotos de lobos foram intercaladas com as diferentes capas a que o álbum já teve direito.

Após uns longos 45 minutos de espera eis que chega a hora de imortalizar o registo Wolfheart ao ser tocado na sua íntegra. Do início ao fim o pessoal não arredou pé e em todas as músicas ouviram-se palmas a acompanhar as batidas, coro, grande parte dos presentes cantaram as músicas, melhor ambiente era impossível. Uma frenética “Wolfshade (A Werewolf Masquerade)” foi sinonimo de headbang e “Love Crimes” trouxe os primeiros coros da noite. “...Of Dreams and Drama (Midnight Ride)”, “Lua d'Inverno” seguida do hino “Trebaruna”, foi tudo interpretado na perfeição. Antes do clássico “Vampira” foi tocada a “Ataegina”, a entrada desta música no set pode ter sido estranha por não figurar no alinhamento original do álbum porque foi inserida como faixa bónus numa das edições mais recentes, mas foi sem dúvida um grande bónus para este noite de festa, com a seu veia de folk pôs muitos presentes a dançar.

Para dar como encerrada a primeira parte do espetáculo só falta duas músicas, a mítica “An Erotic Alchemy” seguida “Alma Mater” a que o Fernando Ribeiro deixou o público cantar grande parte da letra. Ver um Incrível Almadense esgotado com os três pisos pintados de pretos a cantarem a “Alma Mater” é daqueles momentos únicos na vida de alguém que gosta de Moonspell.

Para a segunda parte do concerto a banda só visitou dois registos, um foi a compilação de 2007 dos seus demos de início da carreira, o Under Satanæ, ao qual foram buscar “Tenebrarium”, “Opus Diabolicum”, “Goat On Fire”. Não sendo músicas bastantes conhecidas do universo de fãs da banda, a reação a estas músicas não foi muita, mas mesmo assim notou-se que havia varias pessoas a quem estas musicas pertenceram á sua adolescência nos anos 90. Durante a interpretação destas músicas estiveram em palco três dançarinas a fazer dança do ventre

Para o fim a banda ficou-se pelo seu segundo álbum, o Irreligious ao qual retiraram as suas melhores faixas. “Opium” tal como tinha sido a “Alma Mater” foi entoada pela maioria dos presentes. “Raven Claws” foi precedida sem descanso pela mística “Mephisto” e a habitual “Fullmoon Madness” deu por encerrada mais uma grande noite de um evento que já é habitual da banda quando chega a noite de Halloween. Uma última coisa a registar é podermos esperar por um novo álbum dos Moonspell já na Primavera de 2012.

Wolfshade (A Werewolf Masquerade)
Love Crimes
...Of Dreams and Drama (Midnight Ride)
Lua d'Inverno
Trebaruna
Ataegina
Vampiria
An Erotic Alchemy
Alma Mater
Tenebrarium
Opus Diabolicum
Goat On Fire
Opium
Awake!
Raven Claws/Mephisto
Fullmoon Madness

sábado, 29 de outubro de 2011

Black Sun Aeon - Blacklight Deliverance

Nos últimos anos o multi-instrumentista Finlandês Tuomas Saukkonen tem sido um homem bastante ocupado devido aos seus projetos Black Sun Aeon e Before the Dawn, com os Before The Dawn lançou em 2007 o “Deadlight”, em 2008 o “Soundscape of Silence” e no início deste ano lançou o excelente “Deathstar Rising” com as suas misturas perfeitas entre voz gutural e voz limpa.




Com os “Black Sun Aeon” lançou em 2009 o “Darkness Walks Beside Me”, o ano passado o álbum duplo intitulado de “Routa” que trouxe mais reconhecimento a este projeto. Este ano, pela primeira vez, Tuomas lança um álbum de cada projeto no mesmo ano, “Blacklight Deliverance”, mostra um álbum bem mais pesado que o “Deathstar Rising” dos Before the Dawn.

“Routa”, sendo um álbum duplo, certamente que fez muita gente a pensar que não seria muito cedo que iriam voltar a ouvir falar nos Black Sun Aeon, o álbum está cheio de ideias e pormenores curiosos e misturava tudo o que há de bom dentro do Doom Metal em termos de melodia. Com este inesperado “Blacklight Deliverance”, Tuomas mostra que tem um baú cheio de ideias e não interessa qual o projeto escolhido para mostrar tudo o que tem. Ele torna novamente a tocar todos os instrumentos e as vozes limpas ficaram ao cargo de Janica Lönn (Lunar Path) que mostra ter uma voz perfeita dentro da música folk, e Mikko Heikkilä (Sinamore, RoutaSielu) que já provinha dos outros albums continua a mostrar bom serviço, vejam o trabalho dele na “Oblivion”. Na música “Solitude” podemos ouvir ambas as vozes na mesma música.

O intro da “Wasteland” ao som de um piano e que em certos momentos ouve-se um pequeno raspar como se tivéssemos a ouvir um antigo vinil poe-nos em atenção a pensar que pode vir dai uma bela melodia, mas logo de rompante levamos com mais um pouco de brutalidade, no solo de guitarra podemos ouvir um bocado da veia virtuosa da mente deste projeto.

Tuomas tem uma voz gutural de meter respeito, ouça-se “Sheol” e “Horizon”. Mas é mais uma vez o grande trabalho de guitarra, que é bem provável ser o seu ponto forte, que leva os maiores créditos ao mostrar na perfeição as enormes influencias dentro do metal Finlandês com a sua melodia no meio de tanto peso, mais uma vez faço referência á musica “Sheol”. Qualquer fã de metal Nórdico vai gostar deste trabalho, tal como todo o trabalho que Tuomas Saukkonen já fez em toda a sua carreira. 8.7

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Myrath - Tales of the Sand

O Metal com sonoridade Oriental tem vindo a receber mais atenção nos últimos anos graças a bandas Melechesh, Arkan e claro Orphaned Land que tem sido os capitães de um estilo que tem vindo a trazer uma lufada de ar fresco, e os Tunisinos Myrath também se incluem nesse lote, tem uma sonoridade mais limpa, a roçar o Power Metal, mas as influências estão mais que vincadas e mesmo tendo uma carreira curta já são uma banda com respeito dentro do metal progressivo.

Os Myrath (cujo significado é Legado) foram formados em 2001 pelo guitarrista Malek Ben Arbia, que na altura só tinha 13, juntamente com uns amigos de infância, com o passar dos anos a banda só tocava covers e teve varias formações, ate que chegado ao ano de 2006 a banda começou a compor e foram lançados “Hope” e “Desert Call”, lançados em 2007 e 2010 respetivamente, com estes albums a banda mostrou ao mundo uma banda a querer crescer o mais rápido possível, com “Tales of the Sand” é o culminar dessa travessia.

“Tales of the Sand” não é um trabalho complexo como os últimos trabalhos dos Orphaned Land ou dos Melechesh por exemplo, não mostra nenhum rasgo de genialidade, mas tem tudo no lugar, soa bem e que tem a sua própria característica e é isso que interessa, um álbum para agradar a tudo e todos, nenhuma musica consegue ter o seu destaque porque tudo flui perfeitamente, é daqueles trabalhos que uma pessoa poe a tocar e assim que presta a devida atenção á medida que vai ouvindo as vozes ou os instrumentos de influencia Oriental o tempo passa num instante tamanho prazer e diversão que se sente a ouvir este novo trabalho dos Myrath.

Para o final do ano os Myrath vão andar na estrada juntamente com os Arkan e os Orphaned Land a encabeçar este pequena tour de sons Orientais, e musicas como “Under Siege”,“Braving the Seas” e “Beyond the Stars” irão, certamente, figurar na setlists da banda porque, tal como praticamente todas as musicas deste registo, conseguem por toda a gente num estado grande de festa, é pena que esta tour não passe por Portugal e que Espanha vá receber 2 datas e França 5.

Nota final: 8.8


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Vagos Open Air 2011: A Viagem

Assim que se soube da confirmação final do cartaz do Vagos Open Air deste ano notou-se logo que em apenas três edições este evento atingiu um patamar incrível, neste momento é bem capaz de ser o maior festival de Metal a nível nacional, não digo melhor porque isso fica ao critério de cada espectador, mas se formos a ver, em termos de grandeza, o VOA tem trazido todos os anos nomes de respeito a nível internacional.

Na primeiríssima edição tivemos por cá The Gathering, Katatonia e Epica no primeiro dia, e para o segundo tivemos a honra de receber Amon Amarth, Dark Tranquillity e Cynic e a juntar a estes grandes nomes mundiais também se ouviu boa musica nacional a cargo dos Process Of Guilt e dos Echidna, ou seja, foi uma edição de luxo a que marcou a estreia deste festival que desde cedo mostrou que tem todas as condições para se afirmar ate mesmo a nível mundial.

O ano passado foi um marco importante porque o festival conseguiu trazer bandas que raramente ou nunca passam por cá, falo pois de Meshuggah, My Dying Bride, Ensiferum e Kamelot e a grande confirmação foram mesmo os Carcass que em 2008 confirmaram o seu regresso após 13 anos de pausa e o VOA aproveitou isso mesmo para fazer todos os possíveis para os trazerem cá e ainda bem que o fizeram, segundo relatos de pessoas amigas, Carcass deu o melhor concerto da última edição do VOA.

Para este ano também foi uma de aproveitar mais regressos, falo pois de David Vincent e dos seus Morbid Angel, banda que encerrou a edição deste ano. Estreias em solo nacional também houve, Kalmah, Ihsahn e Devin Townsend Project puderam ver pela primeira vez o bom público português, e os dois últimos deram juntamente com Opeth, na minha opinião, os melhores concertos da edição deste ano.

Durante meses e meses fiquei na expectativa do ir ou não ir devido ao que vem a afectar o nosso país nos últimos anos, o desemprego é algo constante na nossa sociedade, mas lá arranjei algo que fazer mas depois devido a horários seria difícil de gerir tanta coisa. Com um pouco de matemática e muita paciência consegui marcar transportes que coincidissem com o meu horário de trabalho e tratei de verificar tudo o que iria precisar para puder acampar. A confirmação de que iria mesmo á edição do Vagos Open Air 2011 chegou mesmo no inicio da semana do evento e nesses dias todos que antecederam o que ai vinha tratei de tudo, de quinta para sexta a ansiedade era tanta que pouco ou nada dormi, no primeiro dia do festival tive que trabalhar de manhã mas com Opeth e companhia em mente o dia no serviço passou numa questão de minutos.

15:30 lá estava eu na Rede de Expresso, ficou muito mais barato do que se fosse pela CP. Lugar junto á porta, mochila com tudo na bagagem, assim que a ignição do autocarro é ligada o meu coração começa a bater com força, estou prestes a ir a caminho do que veio a ser o meu primeiro festival do que espero que seja o primeiro de muitos fora de Lisboa.

Na viagem ate Aveiro, como vinha sozinho, não havia muito a fazer por isso nada melhor que preparar os ouvidos graças ao mp3. Das músicas que ouvi muitas eram das bandas que foram actuar no festival e também me passaram pelos ouvidos músicas de bandas que, á medida que ia ouvindo as suas musicas, me apercebi que podiam muito bem figurar em futuras edições do evento caso a organização decidisse entrar em campos fora do Death Metal e afiliais. Bandas como Immortal, Enslaved, Alcest, Agalloch, Ulver e Primordial por exemplo. Qualquer uma destas bandas poderia figurar na perfeição no VOA, e qualquer entendido em Metal sabe que estas bandas tem estado em grande forma nos últimos anos com lançamentos e também concertos muito bons pelo mundo fora.

19:00, olá Aveiro. Como já sabia que antes das 20:00 não iria estar no recinto, já sabia que não poderia ver os concertos de Essence, Crushing Sun e Revolution Within, sendo bandas completamente desconhecidas para a minha pessoa, não fiquei aborrecido por perder os seus concertos. Após me dirigir á paragem para apanhar o autocarro ate ao recinto eis que ele veio demorado, em vez das 19:30 previstas só chegou ás 20:10 e ao recinto só chegou por volta das 20:50, ou seja, de Anathema não vi quase nada, só consegui ouvir as ultimas musicas, e foi ao som de uma “A Simple Mistake” em alto e bom som que montei o que veio a ser o meu abrigo durante duas noites. Após trocar o meu bilhete por uma pulseira preta, que garantia a minha estadia para os dois dias do festival la entrei para presenciar os minutos finais de Anathema.

Thin Air
Summernight Horizon
Dreaming Light
Everything
Closer
A Natural Disaster
Deep
A Simple Mistake
Empty
Flying
Universal
Fragile Dreams

Após um longo intervalo de 40 minutos devido a nova falha de energia, eis que finalmente se começa a fazer a troca de instrumentos para os Tiamat puderem entrar em palco, durante esse tempo decidi tratar de achar alguém conhecido, viu-se muitas caras conhecidas e finalmente deu para conhecer outras que só conhecia através do maravilhoso mundo da internet. Com estes meetings fiquei a par de que durante a actuação de Anathema a energia falhou no mínimo quatro vezes, coisa que, obviamente, arruinou a actuação da banda Inglesa, mas o publico este em grande cantando durante esses momentos em que houve os cortes, um viva aos presentes nesse momento.

Hora de Tiamat, banda de culto a nível mundial graças a importância que tiveram no boom do Doom e Gothic Metal que se viu nos anos 90 ao lado de bandas como Anthema, Type O Negative, Paradise Lost e até mesmo os nossos Moonspell. Não vou entrar em pormenores porque ao contrário das bandas que mencionei, os Tiamat não são uma banda que conheço a fundo, embora conheça bem os trabalhos Wildhoney (é obrigatório) e A Deeper Kind of Slumber. De ambos foram retiradas algumas músicas, “Gaia” então teve a honra de encerrar um concerto bem sólido de uma banda que já não tem nada a provar ao comprovarmos o publico que se viu na parte lateral do palco, Mikael Åkerfeldt, Fredrik Åkesson, Martin Mendez e Martin Axenrot dos Opeth, cada um na sua vez foram durante breves minutos admirar de perto a excelência dos Tiamat.

Fireflower
Children Of The Underworld
Cain
Whatever That Hurts
Divided
Vote For Love
Brighter Than The Sun
Until The Hellhounds Sleep Again
Phantasma De Luxe
Cold Seed
Wings Of Heaven
The Sleeping Beauty
Gaia

Após uma prestação bem sólida provinda dos Tiamat eis que chega o tão esperado momento, nesta altura estou num estado em que só estive uma vez, foi em 2005 quando vi pela primeira vez Iron Maiden. Com um pouco de sorte acabei por ficar bem perto do palco, quem diria que mesmo sendo das ultimas pessoas a chegar iria conseguir um lugar tão bom mesmo no centro onde normalmente costuma ficar Mikael Åkerfeldt.

Minutos antes do concerto ouço um gajo que estava ao meu lado perguntar a uma pessoa que estava atrás de mim “Como se chama o vocalista dos Opeth?”, “Mikael Akerfeldt, vieste ver que bandas?”, “esse gajo”, como é óbvio fiquei a pensar que raio é que aquele gajo estava ali a fazer, que resposta á imbecil, peço desculpa pelo termo mas o que ele disse é mesmo resposta de gente que costuma frequentar os concerto de Metal das bandas mainstream, não preciso indicar quais são.

Hora do prato principal, a banda que me fez gastar cerca de 160 euros ao todo pelos dois dias do festival está a entrar em palco.“The Grand Conjuration” retirada do Ghost Reveries abriu as portas para o que viria a ser um concerto mítico que deixou muita gente a pedir que eles cá voltem em nome próprio. Outras escolhas para inicio de concerto talvez deveriam ser reconsideradas, ate do próprio álbum, a “Ghost Of Perdition”, creio que punha logo toda a gente em sentido, são preferências pessoais. Como toda a gente que gosta e Opeth sabe que eles não são uma banda de Death Metal Progressivo, a única categoria em que se pode pô-los é só mesmo no Progressivo, e depois é que o Death Metal, o Metal clássico e o Rock são encaixados. E é neste ultimo género que se insere a angelical “Face of Melinda”. Com a filha de Mikael a assistir de lado no palco, a música ao qual é dedicada á mesma, trouxe muita emoção aos presentes.

O inicio do concerto ficou marcado pela alternância de peso entre as musicas, começou-se com uma pesada, depois para uma melódica e depois voltou a uma pesada e que é uma das minhas preferidas, “The Lotus Eater”, a única coisa que se pode dizer é que muitos pescoços devem ter sido partidos, em estúdio a musica alcança um nível absoluto de genialidade, mas quando se transporta para um concerto.. não há palavras para descrever, é como ouvir uma “Hallowed Be Thy Name” ou uma “Comfortably Numb” ao vivo, o pior foi que uma da cordas da guitarra do Mikael quebrou-se logo no momento em que a musica passa para a parte mais melódica, mas com um pouco de humor pelo meio não foi essa pequeno momento que estragou a prestação da banda. Para seguir o ritmo de alternância de peso a banda toca “In My Time Of Need”, musica que trouxe os primeiros coros.

Durante o concerto, o Mikael esteve o tempo todo a tecer elogios aos Morbid Angel e a David Vincent, a maneira amaricada como conheceu pela primeira vez David Vincent, por isso, se calhar em jeito de homenagem, eles tocaram o que o próprio Mikael diz ser uma música inspirada nos Morbid Angel, pelo menos o inicio devastador, a “Master's Apprentices”, a cerca de meio a chuva começou as primeiras visitas da noite.

Eis que chega a hora de visitar um dos melhores albums de sempre, o Blackwater Park, “The Drapery Falls” tocada na perfeição mostrou a quem ainda não sabe o porquê de os Opeth serem considerados uma das melhores bandas Prog, não só da actualidade, mas tambem de sempre. De volta ao que ainda é o último cd banda, Watershed de 2008, “Hex Omega”, não é das minhas preferidas mas ao ouvir ao vivo a minha opinião sobre ela mudou ligeiramente.

Falsa despedida e regresso da banda ao palco para o encore, música escolhida, “Deliverance”, é preciso aproveitar para dar uns últimos headbangs e uns quantos moshs. No inicio da musica foram abertos dois circles pit’s. O resto da música foi uma viagem emotiva ao som de pura excelência progressiva e o quase deitar de umas lágrimas, acabo de assistir ao concerto da minha banda preferida, a par dos Iron Maiden e já vai acabar. The End. Ainda não acredito no que acabei de presenciar. Á medida que aplaudo e berro com todas as forças que ainda me restam no corpo cansado após um dia bastante longo, na minha cabeça só peço para eles voltarem rapidamente para mais concertos.

The Grand Conjuration
Face of Melinda
The Lotus Eater
In My Time Of Need
Master's Apprentices
The Drapery Falls
Hex Omega
Deliverance

O sono neste momento é uma coisa que não me assiste por isso hora de juntar o pessoal e conhecer gente que ainda só se conhece através da internet. Mais umas cervejas bebidas, souberam ainda melhor porque foram oferecidas e rápidas despedidas foram feitas porque havia gente que teve que trabalhar no dia a seguir.

2º Dia

O dia de sábado ficou marcado pela intensa chuva que já vinha do dia anterior aquando do concerto dos Opeth, mas não foi isso que manteve toda a gente nas suas tendas, muita gente foi tomar banho nos duches, houve quem aproveitasse a chuva para tomar banho junto á tenda, o snack bar na entrada do recinto foi um ponto de passagem obrigatório da parte da manha para se beber um café, tomar o pequeno almoço e formarem-se novas amizades cujos temas centraram-se na edição passado do VOA, o estado do tempo, entre outros temas que foram aparecendo. Durante a manha ouviu-se diversas vezes a frase ‘30 Caralho’ que se tornou célebre pela ‘internet sensationSamuel Massas, boa disposição era o que não faltava nesta altura do dia em que o tempo não estava em condições para se realizar um festival.

O ter chovido a manha toda esteve no centro de muitas conversas entre os campistas sobre de como iria ser o resto do dia, se iria haver concertos, se iria ser cancelado por não haver condições, foi tudo uma enorme incógnita ate por volta das 13:00 em que parou de chover e o primeiro aparecimento do sol do dia ajudou a por tudo a caminho para uma tarde/noite de grande música.

Quase 16 horas, abrem as portas do recinto, começam a entrar os ouvintes que querem ficar na primeira fila para verem as suas bandas favoritas, no meu caso aproveitei e fui á zona de merch e fiz umas compras. Quando se vai a um festival não há nada melhor que trazer uma tshirt do próprio para depois se puder usar com orgulho ate a próxima edição, e sendo a 12 euros é impossível não se comprar tal memoria, durante os dois dias foi do que mais se viu no recinto. Do Porto veio a loja independente de discos Lost Underground, muitos albums que queria passaram pelas minhas mãos mas como o orçamento já estava no limite fiquei-me só pelo At the Heart of Winter dos Immortal que vi a nove euros.

Antes dos concertos nada melhor para encher o tempo do que ir ter com mais pessoal que não se viu no dia anterior e claro, refrescar a garganta, o dia estava fresco mas não podia sair dali sem provar hidromel, como já tinha alguém a querer pagar-me uma bebida foi de aproveitar o momento e calhou mesmo, percebi logo o porquê de tal bebida estar a concorrer com a cerveja para a bebida mais vendida do festival.

Music time. Tal como é costume num festival, há sempre algum “intruso”, e os We Are The Damned são pois a banda que falo, a sua mistura de Hardcore com Crust não foi muito bem recebido pelos presentes. A figura franzina mas poderosa em palco da ex vocalista dos WATD, a Sofia Magalhães, era das poucas coisas que conseguiam por a banda num patamar diferente das outras bandas do género, a energia em palco e a química entre os seus executantes era de facto notável, mas agora com a alteração da formação, os WATD passaram a ser, a meu ver, mais uma banda normal como todas as outras, em estúdio ainda mantiveram a mesma qualidade mas ao vivo pecam em alguns pontos.

Malevolence, banda Portuguesa com 17 anos de carreira e que nunca tinha ouvido falhar, sendo uma pessoa que gosta de andar sempre a explorar é um grave erro meu nunca me ter deparado com esta banda com uma vasta experiencia dentro do Death Metal. O concerto em si foi muito poderoso, tive a ver o concerto na bancada ao lado de pessoas amigas e por diversas vezes fiquei bastante impressionado com o que estava a ouvir naqueles momentos, sem duvida uma banda para por na lista para futuras audições.

Sendo os Kalmah uma bandas que queria ver sai da bancada e fui juntar ao resto dos headbangers que figuravam em frente ao palco para ouvir bem de perto as poderosas guitarras que a banda finlandesa demonstra em estúdio e ao vivo foi a confirmação, Kalmah é banda para se ouvir e curtir o melhor possível ao vivo. Como o tempo era pouco a banda foi buscar o melhor que tinha e graças a uma frenética “The Black Waltz” e com uma “Heroes To Us” devastante e a imperial “Hades” a fechar, o primeiro concerto da banda Finlandesa acabou em grande festa tamanha foi a loucura nos mosh pit’s durante quase todo o concerto. A recepção não podia ser mais calorosa, a ver vamos se é a partir de agora que os Kalmah começam a incluir algumas passagens no nosso país em futuras Tours.

Durante a actuação dos Kalmah veio-me á memoria uma piada que existe num vídeo do Youtube da “Death In Fire” dos Amon Amarth que é que Headbang sincronizado devia ser considerado um desporto olímpico, por diversas vezes via-se o pianista, o baixista e o guitarrista a fazer headbang circular com o mesmo tempo de circulação, é de facto algo notável tal sincronização.

Hook the Monster
They Will Return
Swamphell
Dance of the Water
For the Revolution
The Groan of Wind
Rust Never Sleeps
Wings of Blackening
The Black Waltz
Heroes to Us
Hades

Dentro do Black Metal, Emperor sempre foi uma banda respeitada e Ihsahn, ex vocalista da banda, tornou-se ao longo dos anos uma figura de sempre trouxe inovação graças a lançamentos como angL de 2008 e After, este último, é para muitos, um dos melhores registos do ano passado.

O que dizer sobre a prestação de Ihsahn e banda que o acompanha ao vivo.. apenas que são como uma equipa de futebol bem oleada em que todos os jogadores conhecem de cor e salteado a maneira de jogar dos colegas sabendo assim como se devem posicionar e como jogar, é basicamente isso que se viu no concerto de Ihsahn. Houve troca de solos de guitarra entre Ihsahn e os outros guitarristas da banda, as vozes eram alternadas entre o pianista que ficava com as vozes limpas, um dos guitarristas ficou a cargo das vozes guturais e Ihsahn, obviamente, tratou das vozes rasgadas que se usam no Black Metal. Os sons de saxofone que se ouve nas músicas retiradas no álbum After, desta foram reproduzidos pelo piano, as diferenças foram mínimas.

Como abertura nada melhor do que começar como começa o último álbum gravado, uma devastante “The Barren Lands” e uma “A Grave Inversed” apoteótica pôs logo desde cedo todos os presentes em sentido, melhor inicio era impossível. A discografia a solo de Ihsahn resume-se a três registos por isso era mais que obvio haver passagens por todos os trabalhos. Foi tudo tocado na perfeição, ninguém ficou indiferente ao poderio deste conjunto, Ihsahn soube escolher muito bem os músicos que o acompanham.

Um concerto de Ihsahn so com musicas da sua fase a solo chegam e sobram para deixar qualquer pessoa num estado de loucura enorme, mas, tal como previsto, Ihsahn deu uma visita aos seus trabalhos com os Emperor, “The Tongue Of Fire” e “Thus Spake The Nightspirit” deixaram muita gente a salivar na esperança de que com isto possa ser um sinal de uma possível reunião.

O encerrar do concerto foi tal como o inicio, mais duas musicas saídas do trabalho do ano passado. Uma diabólica “Frozen Lakes On Mars” para uns últimos headbangs e uma épica, sim épica, só esta palavra consegue descrever o que esta música é tanto em estúdio como ao vivo, “On The Shores”, deram por encerrado o que foi sem duvida um dos concertos a figurar nos melhores concertos ano. Após ver tal grandeza aproveitei a sessão de autógrafos e fui arranjar os da banda toda e pedir-lhes para voltarem rapidamente para mais um concerto enormíssimo.

Scarab
Emancipation
Invocation
Called By The Fire
The Tongue Of Fire (Emperor)
Unhealer
Misanthrope
Citizen
Thus Spake The Nightspirit (Emperor)
Frozen Lakes On Mars
On The Shores

Inicialmente eram para tocar os Nevermore, mas devido a problemas dentro da banda tanto o concerto no VOA como no resto do mundo foi tudo cancelado, no lugar deles o festival conseguiu ir buscar nada mais que Devin Townsend, e foi uma aposta mais que ganha, vi muitas criticas na Internet sobre o que aconteceu com os Nevermore e vi gente a dizer que ja nao iriam ao VOA, quem nao foi apenas digo que perderam um dos melhores concertos de sempre a nivel nacional, é impossivel a meu ver os Nevermore conseguirem fazer tamanho concerto e conseguirem atingir tamanha genialidade pertencente a Devin Townsend.

Durante o soudcheck que antecedeu a actuação de Devin Townsend Project ouviu-se umas musicas que normalmente não se houve neste tipo de eventos, certamente que foi tudo a pedido da mente depravada que é Devin Townsend, as musicas “Single Lady’s” da Beyonce e “Bad Romance” da Lady Gaga foram algumas das escolhidas, muita gente deve ter ficado a pensar se estariam no VOA ou no Sudoeste. Juntamente com as musicas também foram projectadas imagens feitas em Photoshop da cara de Devin em diferentes imagens, Mona Lisa, diversos animais e também muitos desenhos animados como os Teletubbies, Pokemon, entre outros, foram profanados com a imagem extrovertida de Devin que deu para muitas gargalhadas em vez de se ter mais uma meia hora da imagem habitual de ver os membros do festival a retirar e a por instrumentos em palco.

Addicted!” e “Supercrush!” tiradas do cd Addicted de 2009 tiveram as honras da noite e desde cedo viu-se toda a gente a fazer headbang. Com “By Your Command”, “Color Your World” e “The Greys” o extraterrestre Ziltoid The Omniscient fez uma visita ao VOA graças a diversos clips do alienígena que veio ao nosso planeta á procura da derradeira chávena de café.

Durante todo o concerto humor foi coisa que não faltou, Devin foi um senhor, sempre a dirigir-se ao publico e ele em palco é um monstro sempre pronto a espantar qualquer pessoa seja de que maneira for, como por exemplo quando nos mostrou uma ‘dança’ típica do Canada ou então quando fez varias questões retóricas do género ‘qual a raiz quadrada da hipotenusa’, coisa que qualquer pessoa sabe de cor e salteado como se pode constatar nas respostas a vir do publico.

Momentos para valentes headbangs, momentos para acompanhar com palmas, momentos para fazer coro, ate mesmo para moshar, aqui houve de tudo, Devin Townsend é um homem que explora diversos universos e quando se vai ver um concerto deles é impossível ficarmo-nos por um só estilo. Durante o concerto imagens do universo e também imagens que vemos em documentários de como se formou o planeta Terra alternaram com imagens em directo do concerto, os melhores momentos projectados foram mesmo quando Ziltoid fazia as suas aparições.

Este ano, os The Devin Townsend Project lançaram Deconstruction, um registo que conta com diversas participações de vários vocalista de bandas como Opeth, The Dillinger Escape Plan, Cynic, Gojira, entre outras, tudo bandas conceituadas, mas há uma participação que fez muita gente salivar quando se soube que a banda de Devin Townsend vinha substituir os Nevermore. Ihsahn, músico que tocou minutos antes também participa neste álbum, por isso muita gente começou logo a sonhar em ver dois dos músicos mais interessantes dos últimos anos juntos em palco. Dentro do próprio recinto ouviu-se muito isso a sair das bocas das pessoas e para gáudio de muita gente ambos fizeram a vontade a toda a gente presente, “Juular” foi um dos melhores momentos tanto do concerto de The Devin Townsend Project como também do próprio festival, só faltava Devin ter falado com Mikael Åkerfeldt para interpretarem a “Stand”, musica a qual Mikael empresta a voz no álbum.

Para encerrar um concerto que já estava num nível de grandeza enorme, a banda toca “Deep Peace”, uma balada retirada do cd Terria de 2001, após um concerto cheio de brutalidade, genialidade, loucura, rapidez, entre outros adjectivos que existam, de um certo modo percebe-se o porquê de fecharem com esta música, mas sendo a criatura malévola que é Devin Townsend eu estava na esperança de se ouvir a “Bend it like Bender!”, seria a musica perfeita para Devin e companhia porem vários metaleiros durões cheios de cerveja no sistema a dançar.

Addicted!
Supercrush!
Kingdom
Deadhead Truth/OM
By Your Command
Pixillate
Bad Devil
Juular
Stand
Encore:
Color Your World
The Greys
Deep Peace

Após o concerto de Devin sai da zona onde me estava localizado e fui assistir Morbid Angel das bancadas pelo simples facto de eles não serem uma banda que me diga muita coisa de momento embora eu tenho o Altar Of Madness e já o ter devorado imenso. Enquanto o concerto não começava mais conversa em dia foi posto e mais umas cervejinhas foram digeridas.

Apesar das duras criticas que o novo album tem vindo a receber não só da imprensa especializada mas também dos próprios fãs, os Morbid Angel puseram isso tudo de parte e mostraram do que são capazes e também do porque de serem uma das mais importantes bandas de Death Metal de sempre.

Immortal Rites” como abertura, “Pain Divine”, uma “Maze of Torment” assombrosa, uma “I Am Morbid” enormíssima, “Dawn of the Angry”, foi tudo interpretado na perfeição mas mesmo assim eu pelo menos não destaco nenhum momento em particular, pareceu um simples concertos já programado para ser como deveria ser, que me lembre só a “I Am Morbid”, que por acaso é retirada do último álbum da banda, foi a música onde houve mais comunicação banda/público.

Immortal Rites
Fall From Grace
Rapture
Pain Divine
Maze of Torment
Sworn to the Black
Existo Vulgoré
Nevermore
I Am Morbid
Angel of Disease
Lord of All Fevers and Plague
Chapel of Ghouls
(Extensive Trey Azaghoth solo)
Dawn of the Angry
Where the Slime Live
Bil Ur-Sag
God of Emptiness
World of Shit (The Promised Land)

Após um longo e cansativo dia nada melhor que tentar ir dormir um bocado na tenda, mas tal como na noite anterior as horas de sono nem chegaram às duas horas, por volta das seis da manha já me encontrava a pé, ate às sete andei a dar uma volta pela zona de campismo, mas como não havia muito que fazer lá fui arrumar as coisas e fui para a entrada do recinto onde o autocarro vinha apanhar o pessoal para ir para Aveiro, durante as quase três que ali tive ao frio peguei no livro Metamorfose do Kafka e em menos de uma hora foi lido. O resto do tempo foi uma luta contra o frio e o sono. Á medida que o tempo passava muitos eram os que iam saindo do recinto para rumar as suas vidas do quotidiano e para mostrar a boa disposição que esteve sempre presente durante o festival todo, ouviu-se a sair de muitos carros ‘Ate pró ano’, coisa que certamente muita gente espera com ansiedade.

Na vinda para cá, quem veio para Aveiro no autocarro das 10:00 foi recebido pela hospitalidade local e as pessoas presentes no autocarro ate ajudaram os bombeiros locais na parte financeira, o condutor do autocarro é bombeiro voluntario e perguntou às pessoas que se podia parar o autocarro para pudermos darmos uma pequena contribuição, ‘nem que seja um cêntimo’ disse ele, duas mulheres fardadas lá entraram no veículo e pelo que notei creio que ninguém recusou a dar alguma coisa, é sempre bom ajudar e são estes pequenos actos que ajudam a mudar a imagem das pessoas perante os ouvintes do tipo de música que se ouviu no VOA.

De volta a Aveiro. Autocarro para Lisboa é só às 15:00, como o tempo para passear era escasso e a paragem do autocarro ficava junto á Ria, melhor imagem da cidade era impossível no meu último olhar á medida que voltei para Lisboa, um dia espero voltar e puder ver com melhores olhos o que Aveiro tem para oferecer.

Na viagem para Lisboa vim quase o caminho todo a dormir para tentar compensar o pouco que dormi durante dois dias, agora em Lisboa as saudades são enormes, o que vivi em Vagos é algo para permanecer por muito tempo na memória, de certeza que se voltar em 2012 vou estar a viagem toda a relembrar de tudo o que acabei de dizer neste texto.

Cumprimentos a todas as pessoas com quem estive e um ate pró ano, que seja tão bom como este ano.

sábado, 30 de julho de 2011

Ana Kefr - The Burial Tree (II)


Para se puder apreciar o novo registo dos Ana Kefr é preciso ter-se uma mente aberta e ser-se adepto dos mais vários subgéneros que se pode encontrar no mundo do metal. Apenas refiro isto porque neste registo, intitulado de The Burial Tree (II), os californianos Ana Kefr, cujos elementos tem gostos diferentes uns dos outros, misturam uma grande variedade de estilos que vai do Death Metal, ao Black Metal, passando por um estilo ainda estranho para a maioria dos ouvintes chamado Avant-Garde. Pelo meio somos apanhados por diversas passagens progressivas e também podemos escutar umas influências de Metalcore.

Tal como o Ghost Reveries dos Opeth em 2005, o Core dos Persefone em 2006, o To The Nameless Dead dos Primordial em 2007, o Colors dos Between the Buried and Me em 2008, o Crack The Skye dos Mastodon em 2009, o Axioma Ethica Odini dos Enslaved e o The Never Ending way of OrWarriOr dos Orphaned Land em 2010, este The Burial Tree (II) vem fazer o que os álbuns que referi fizeram na altura dos seus lançamentos que foi marcar um novo rumo para a música pesada. Como se pode averiguar tem sido uma tendência o aparecimento de vários álbuns que venham a mudar os bocados as regras do jogo ao longo dos anos e assim mostram ao mundo que ainda é possível inovar e manter na mesma uma qualidade enorme.

Como referi no inicio desta analise, este registo não é para os mais fracos embora isto tenha um bocado que vá agradar a cada ouvinte dos mais variados géneros ate mesmo os fãs de Metalcore, ouçam a “Parasites” e também a “In the House of Distorted Mirrors” por exemplo, podem ter uma surpresa. A banda ate para agradar os fãs de Grindcore meteu uma música bastante curta de poucos segundos intitulada de “Jeremiad”. Death e Black Metal são representados quase que em igualdade pelo trabalho fora e o uso de voz limpa é simplesmente divinal, aliás, é importante referir isto, o vocalista Rhiis D. Lopez faz aqui um trabalho assombroso, as mudanças que ele faz entre voz limpa e gutural e ate mesmo os diversos screams que ele alcança vão agradar a todo o tipo de fã de música extrema.

Tal como se tem notado nos trabalhos mais marcantes dos últimos anos como o Colors e o The Never Ending way of OrWarriOr por exemplo, aqui também se regista o uso de vários instrumentos que normalmente não se encontraria em trabalhos do género. O uso de piano e clarinete podem-se notar em algumas das músicas, a "Monody” até tem a honra de ter um pequeno solo de clarinete. As experiencias emocionais aqui sentidas são variadas, em certos momentos parece que estamos no meio do apocalipse de uns Meshuggah (ouçam a “The Zephirus Circus”) e depois estamos numa terceira dimensão de uns Unexpect (“Thaumatrope”).

Quando um álbum é lançado é normal haver uma música ou duas que se destaquem das outras, neste caso isso é muito difícil de se notar, todas são únicas e seguem uma ordem e entrelaçam-se perfeitamente, ouvir músicas soltas deste trabalho é quase como um crime.

Para concluir, este álbum é daqueles que ate se ouvir todos os pormenores é preciso umas quantas dezenas de audições, neste momento já perdi a conta das vezes que ouvi este trabalho mas ate prestar atenção a tudo o que a banda pôs aqui foi preciso muito tempo. Sem dúvida que merece destaque em diversos top’s para um dos melhores trabalhos deste ano mas sendo os Ana Kefr uma das muitas bandas cujo reconhecimento é ainda nulo de certeza que The Burial Tree (II) vai-se tornar uma das muitas pérolas esquecidas pela maioria da sociedade e que com o passar dos anos se irá tornar um objecto de culto. Para quem quer ouvir algo complexo, fresco e impossível de catalogar este registo é o ideal. 9.6

A musica “Thaumatrope” que a própria banda disponibilizou através do youtube:


Também disponibilizado pela banda, um pequeno making of do álbum:

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Judas Priest e Queensrÿche no Pavilhão Atlantico 27/07/2011


Ainda estávamos em 2010 quando a banda anunciou a Epitaph Tour, a tour que iria dar por encerrada as longas viagens que a banda já faz há quase 40 anos, tournées longas a percorrer o mundo já é algo que custa a estes dinossauros do Metal, mas como a própria banda já o disse futuras oportunidades de voltarem a actuar ao vivo não foram postas de partes, tocar em festivais ou eventos especiais é algo possível num futuro próximo e ate mesmo novos albums estão em cima da mesa.

Em Abril deste ano a saída de um dos membros fundadores, falamos pois do lendário guitarrista K. K. Downing, deixou tanto a banda como os fãs completamente desprevenidos, a saída desta figura mítica neste momento especial de carreira não estava nos planos de ninguém, a banda como não quis cancelar a enorme tour de despedida foram chamar uma promessa do Metal, o jovem Richie Faulkner, que fazia parte da banda da Lauren Harris, que para os mais distraídos é a filha do baixista dos Iron Maiden, Steve Harris.

Foi com esta mudança no esquema táctico que a banda se apresentou no nosso país. Sendo a banda em questão uma das mais importantes da história do Metal seria de prever uma boa casa no Pavilhão Atlântico, mas mesmo antes de se entrar já se via cá fora que a chamada não foi forte como se espera. Á hora de abertura de portas deveriam ser 300 ou 400 o número de pessoas que figuravam na parte de fora do recinto, aquando da entrada no mesmo era notório o quão á frente foi chegado o palco, estávamos perante o que tinha acontecido no mês de Março no concerto de Slayer/Megadeth em que só tinham sido vendidos cerca de 4000 bilhetes, neste caso, olhando para o diversos fossos no publico os presentes deviam rondar os 3000.

Para a Epitaph Tour os Judas Priest chamaram para abrir alguns dos seus concertos os norte americanos Queensrÿche, com cerca de 40 minutos disponíveis a banda trouxe ao cima os seus melhores temas e mostrou a muitos que ainda não os conheciam que eles também são uma força a ter em conta. Com uma carreira de 30 anos e 13 cds na bagagem foi um bocado difícil resumir isto tudo em de 8 temas.

Com um cd lançado este ano seria bem previsível ouvir-se algo do mesmo e “Get Started” foi a única escolhida, não houve tempo para mais, “NM 156” levou a banda aos seus primórdios ao ser retirada do primeiro álbum. Operation: Mindcrime tal como Empire tiveram as honras de ver duas musicas a serem tocadas, de Empire tivemos a faixa titulo e a poderosa Jet City Woman com Geoff Tate em grande a mostrar um estilo de canto bem semelhante ao de Rob Halford. De Operation: Mindcrime foram tocadas as obrigatórias “I Don't Believe In Love” e o clássico da banda “Eyes Of A Stranger” deu por encerrado uma grande concerto de uma banda que bem que podia ter tido mais uns minutos para actuar já que entre o concerto de Queensrÿche e o de Judas Priest houve uma pausa de quase uma hora.

Get Started
Damaged
I Don't Believe In Love
NM 156
Screaming In Digital
Jet City Woman
Empire
Eyes Of A Stranger

Após uma pausa á Axl Rose eis que os Metal God entram em palco com a primeira faixa do álbum de 1980 com a famosa lamina na capa, o “British Steel”. “Rapid Fire” funciona como que uma injecção de adrenalina ao por toda a gente a fazer headbang logo no inicio, previa-se logo de inicio uma noite de velhas glorias. “Metal Gods”, a música que catalogou a banda com o título que tem e a “Judas Rising”, do cd Angel of Retribution que marcou o regresso de Halford após 12 anos de afastamento, ajudaram os presentes a saudar os Metal Gods que estavam naquele momento a dar tudo o que tinham para por toda gente com uma boa recordação do que pode ser o último concerto de Judas Priest para muita gente.

Durante todo o concerto ninguém ficou indiferente ao puto de 31 anos Richie Faulkner, certamente que estaria a realizar um sonho de criança e claro, estando em palco com estas lendas ele tem aproveitado todas as oportunidades para se destacar, enquanto que o resto dos elementos da banda excluindo Halford, que este sempre a percorrer o palco todo de ponta a ponta, Richie permaneceu grande parte do concerto sempre á beira do palco, sempre a puxar pelo publico, a maioria das ocasiões em que se ouviu coro ou se via o publico a bater palmas a acompanhar as diversas batidas de bateria, era ele que fazia o incentivo.

A música em que se nota a transição da banda de uma banda de Rock para uma de Heavy Metal nao podia faltar a este chamamento, “Victim of Changes” mostrou aos mais jovens presente no concerto como a música era feita há 35 anos atrás quando o Heavy Metal ainda estava a dar os primeiros passos. Em jeito de homenagem a banda tocou uma das suas musicas favoritas, a “Diamonds & Rust” que é original da cantora Joan Baez.

“Dawn of Creation”, que é simplesmente a intro do último trabalho da banda que ja data de 2008, abre as portas para uma “Prophecy” épica com Halford vestido com uma das diversas roupas diferentes que usou ao longo da noite abriu caminho para a rápida “Night Crawler” seguida da “Turbo Lover”, musica esta que foi das primeiras músicas em que a banda começou a usar guitarras sintetizadas. Uma coisa que era quase obrigatória nas bandas de Metal dos anos 70/80 era ter uma balada, e “Beyond the Realms of Death” tornou-se uma das melhores dos Priest e ao vivo é uma viagem enorme no imaginário especialmente no solo de guitarra a meio da musica.

A cover dos Fleetwood Mac, “The Green Manalishi (With the Two Pronged Crown)”, que ja é praticamente um habito da parte dos Priest tocarem-na ao vivo, abriu as portas para o show de clássicos que se seguiria. Sim podemos dizer, a inigualável “Breaking The Law” é a música mais famosa dos Judas Priest e tal como tem sido feito no resto da tour Rob Halford deixou aos presentes as honras de puderem ser eles mesmos os vocalistas da noite e ninguém se fez de rogado, a letra toda a gente e quem não sabe a letra sabe pelo menos o refrão, por isso foi um grande momento em que os fãs puderam partilhar entre si mesmos.

Para fechar a primeira parte do concerto eis que chega o hino dos anos 90, a “Painkiller” que tal como a “Fear Of The Dark” dos Iron Maiden foram ambas feitas na década de 90, que quem não sabe foi a década menos produtiva no que toca a Heavy Metal mas ambas as musicas tornaram-se dois hinos que ficaram para sempre em todas as setlists que ambas as bandas tocassem ate aos dias de hoje. Com um solo de da bateria da parte de Scott Travis no inicio, “Painkiller” pôs toda a gente em sentido. O trabalho de guitarras aqui feito é fabuloso, a dupla Glenn Tipton/K. K. Downing fizeram maravilhas durante quase 40 anos, a partida de K. K. Downing foi uma perda enorme mas a jovem promessa Richie Faulkner esteve sempre á altura a noite toda.

Para fechar a noite nada melhor que três encores, o primeiro levou toda a gente para o álbum de 1982 Screaming For Vengeance e a sua dupla inicial triunfal que esteve sempre junta desde que foi criada, falamos pois de “The Hellion/Electric Eye”, um concerto de Priest sem esta dupla é quase que um crime, o terem tocado neste derradeiro concerto é a prova disso.

Segundo encore, a explosiva “Hell Bent for Leather” com Rob Halford a entrar em palco em cima de uma Harley Davidson e a eléctrica “You've Got Another Thing Comin'” ja deixavam no ar um final de noite em grande mas ficava no ar que faltava mais qualquer coisa e após uns minutos de pausa eis que a banda regressa para interpretar mais uma banda do álbum clássico British Steel, “Living After Midnight” deu por encerrada uma noite que se pode descrever como épica já que muitas das bandas de quando Judas Priest estavam no seu auge hoje em dia já nem existem e as que ainda andam por ai contam-se pelos dedos de uma mão as que ainda conseguem dar tanto espectáculo como os Metal Gods, não diremos adeus porque a banda não irá acabar, mas sim um ate já na esperança de haver algum festival no nosso pais que daqui a uns anos consiga trazer cá estes senhores caso façam uma mini tour só com passagens por festivais.

Battle Hymn
Rapid Fire
Metal Gods
Heading Out to the Highway
Judas Rising
Starbreaker
Victim of Changes
Never Satisfied
Diamonds & Rust
Dawn of Creation
Prophecy
Night Crawler
Turbo Lover
Beyond the Realms of Death
The Sentinel
Blood Red Skies
The Green Manalishi (With the Two Pronged Crown)
Breaking the Law
Painkiller

Encore 1:
The Hellion
Electric Eye

Encore 2:
Hell Bent for Leather
You've Got Another Thing Comin'

Encore 3:
Living After Midnight