quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Myrath - Tales of the Sand

O Metal com sonoridade Oriental tem vindo a receber mais atenção nos últimos anos graças a bandas Melechesh, Arkan e claro Orphaned Land que tem sido os capitães de um estilo que tem vindo a trazer uma lufada de ar fresco, e os Tunisinos Myrath também se incluem nesse lote, tem uma sonoridade mais limpa, a roçar o Power Metal, mas as influências estão mais que vincadas e mesmo tendo uma carreira curta já são uma banda com respeito dentro do metal progressivo.

Os Myrath (cujo significado é Legado) foram formados em 2001 pelo guitarrista Malek Ben Arbia, que na altura só tinha 13, juntamente com uns amigos de infância, com o passar dos anos a banda só tocava covers e teve varias formações, ate que chegado ao ano de 2006 a banda começou a compor e foram lançados “Hope” e “Desert Call”, lançados em 2007 e 2010 respetivamente, com estes albums a banda mostrou ao mundo uma banda a querer crescer o mais rápido possível, com “Tales of the Sand” é o culminar dessa travessia.

“Tales of the Sand” não é um trabalho complexo como os últimos trabalhos dos Orphaned Land ou dos Melechesh por exemplo, não mostra nenhum rasgo de genialidade, mas tem tudo no lugar, soa bem e que tem a sua própria característica e é isso que interessa, um álbum para agradar a tudo e todos, nenhuma musica consegue ter o seu destaque porque tudo flui perfeitamente, é daqueles trabalhos que uma pessoa poe a tocar e assim que presta a devida atenção á medida que vai ouvindo as vozes ou os instrumentos de influencia Oriental o tempo passa num instante tamanho prazer e diversão que se sente a ouvir este novo trabalho dos Myrath.

Para o final do ano os Myrath vão andar na estrada juntamente com os Arkan e os Orphaned Land a encabeçar este pequena tour de sons Orientais, e musicas como “Under Siege”,“Braving the Seas” e “Beyond the Stars” irão, certamente, figurar na setlists da banda porque, tal como praticamente todas as musicas deste registo, conseguem por toda a gente num estado grande de festa, é pena que esta tour não passe por Portugal e que Espanha vá receber 2 datas e França 5.

Nota final: 8.8


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Vagos Open Air 2011: A Viagem

Assim que se soube da confirmação final do cartaz do Vagos Open Air deste ano notou-se logo que em apenas três edições este evento atingiu um patamar incrível, neste momento é bem capaz de ser o maior festival de Metal a nível nacional, não digo melhor porque isso fica ao critério de cada espectador, mas se formos a ver, em termos de grandeza, o VOA tem trazido todos os anos nomes de respeito a nível internacional.

Na primeiríssima edição tivemos por cá The Gathering, Katatonia e Epica no primeiro dia, e para o segundo tivemos a honra de receber Amon Amarth, Dark Tranquillity e Cynic e a juntar a estes grandes nomes mundiais também se ouviu boa musica nacional a cargo dos Process Of Guilt e dos Echidna, ou seja, foi uma edição de luxo a que marcou a estreia deste festival que desde cedo mostrou que tem todas as condições para se afirmar ate mesmo a nível mundial.

O ano passado foi um marco importante porque o festival conseguiu trazer bandas que raramente ou nunca passam por cá, falo pois de Meshuggah, My Dying Bride, Ensiferum e Kamelot e a grande confirmação foram mesmo os Carcass que em 2008 confirmaram o seu regresso após 13 anos de pausa e o VOA aproveitou isso mesmo para fazer todos os possíveis para os trazerem cá e ainda bem que o fizeram, segundo relatos de pessoas amigas, Carcass deu o melhor concerto da última edição do VOA.

Para este ano também foi uma de aproveitar mais regressos, falo pois de David Vincent e dos seus Morbid Angel, banda que encerrou a edição deste ano. Estreias em solo nacional também houve, Kalmah, Ihsahn e Devin Townsend Project puderam ver pela primeira vez o bom público português, e os dois últimos deram juntamente com Opeth, na minha opinião, os melhores concertos da edição deste ano.

Durante meses e meses fiquei na expectativa do ir ou não ir devido ao que vem a afectar o nosso país nos últimos anos, o desemprego é algo constante na nossa sociedade, mas lá arranjei algo que fazer mas depois devido a horários seria difícil de gerir tanta coisa. Com um pouco de matemática e muita paciência consegui marcar transportes que coincidissem com o meu horário de trabalho e tratei de verificar tudo o que iria precisar para puder acampar. A confirmação de que iria mesmo á edição do Vagos Open Air 2011 chegou mesmo no inicio da semana do evento e nesses dias todos que antecederam o que ai vinha tratei de tudo, de quinta para sexta a ansiedade era tanta que pouco ou nada dormi, no primeiro dia do festival tive que trabalhar de manhã mas com Opeth e companhia em mente o dia no serviço passou numa questão de minutos.

15:30 lá estava eu na Rede de Expresso, ficou muito mais barato do que se fosse pela CP. Lugar junto á porta, mochila com tudo na bagagem, assim que a ignição do autocarro é ligada o meu coração começa a bater com força, estou prestes a ir a caminho do que veio a ser o meu primeiro festival do que espero que seja o primeiro de muitos fora de Lisboa.

Na viagem ate Aveiro, como vinha sozinho, não havia muito a fazer por isso nada melhor que preparar os ouvidos graças ao mp3. Das músicas que ouvi muitas eram das bandas que foram actuar no festival e também me passaram pelos ouvidos músicas de bandas que, á medida que ia ouvindo as suas musicas, me apercebi que podiam muito bem figurar em futuras edições do evento caso a organização decidisse entrar em campos fora do Death Metal e afiliais. Bandas como Immortal, Enslaved, Alcest, Agalloch, Ulver e Primordial por exemplo. Qualquer uma destas bandas poderia figurar na perfeição no VOA, e qualquer entendido em Metal sabe que estas bandas tem estado em grande forma nos últimos anos com lançamentos e também concertos muito bons pelo mundo fora.

19:00, olá Aveiro. Como já sabia que antes das 20:00 não iria estar no recinto, já sabia que não poderia ver os concertos de Essence, Crushing Sun e Revolution Within, sendo bandas completamente desconhecidas para a minha pessoa, não fiquei aborrecido por perder os seus concertos. Após me dirigir á paragem para apanhar o autocarro ate ao recinto eis que ele veio demorado, em vez das 19:30 previstas só chegou ás 20:10 e ao recinto só chegou por volta das 20:50, ou seja, de Anathema não vi quase nada, só consegui ouvir as ultimas musicas, e foi ao som de uma “A Simple Mistake” em alto e bom som que montei o que veio a ser o meu abrigo durante duas noites. Após trocar o meu bilhete por uma pulseira preta, que garantia a minha estadia para os dois dias do festival la entrei para presenciar os minutos finais de Anathema.

Thin Air
Summernight Horizon
Dreaming Light
Everything
Closer
A Natural Disaster
Deep
A Simple Mistake
Empty
Flying
Universal
Fragile Dreams

Após um longo intervalo de 40 minutos devido a nova falha de energia, eis que finalmente se começa a fazer a troca de instrumentos para os Tiamat puderem entrar em palco, durante esse tempo decidi tratar de achar alguém conhecido, viu-se muitas caras conhecidas e finalmente deu para conhecer outras que só conhecia através do maravilhoso mundo da internet. Com estes meetings fiquei a par de que durante a actuação de Anathema a energia falhou no mínimo quatro vezes, coisa que, obviamente, arruinou a actuação da banda Inglesa, mas o publico este em grande cantando durante esses momentos em que houve os cortes, um viva aos presentes nesse momento.

Hora de Tiamat, banda de culto a nível mundial graças a importância que tiveram no boom do Doom e Gothic Metal que se viu nos anos 90 ao lado de bandas como Anthema, Type O Negative, Paradise Lost e até mesmo os nossos Moonspell. Não vou entrar em pormenores porque ao contrário das bandas que mencionei, os Tiamat não são uma banda que conheço a fundo, embora conheça bem os trabalhos Wildhoney (é obrigatório) e A Deeper Kind of Slumber. De ambos foram retiradas algumas músicas, “Gaia” então teve a honra de encerrar um concerto bem sólido de uma banda que já não tem nada a provar ao comprovarmos o publico que se viu na parte lateral do palco, Mikael Åkerfeldt, Fredrik Åkesson, Martin Mendez e Martin Axenrot dos Opeth, cada um na sua vez foram durante breves minutos admirar de perto a excelência dos Tiamat.

Fireflower
Children Of The Underworld
Cain
Whatever That Hurts
Divided
Vote For Love
Brighter Than The Sun
Until The Hellhounds Sleep Again
Phantasma De Luxe
Cold Seed
Wings Of Heaven
The Sleeping Beauty
Gaia

Após uma prestação bem sólida provinda dos Tiamat eis que chega o tão esperado momento, nesta altura estou num estado em que só estive uma vez, foi em 2005 quando vi pela primeira vez Iron Maiden. Com um pouco de sorte acabei por ficar bem perto do palco, quem diria que mesmo sendo das ultimas pessoas a chegar iria conseguir um lugar tão bom mesmo no centro onde normalmente costuma ficar Mikael Åkerfeldt.

Minutos antes do concerto ouço um gajo que estava ao meu lado perguntar a uma pessoa que estava atrás de mim “Como se chama o vocalista dos Opeth?”, “Mikael Akerfeldt, vieste ver que bandas?”, “esse gajo”, como é óbvio fiquei a pensar que raio é que aquele gajo estava ali a fazer, que resposta á imbecil, peço desculpa pelo termo mas o que ele disse é mesmo resposta de gente que costuma frequentar os concerto de Metal das bandas mainstream, não preciso indicar quais são.

Hora do prato principal, a banda que me fez gastar cerca de 160 euros ao todo pelos dois dias do festival está a entrar em palco.“The Grand Conjuration” retirada do Ghost Reveries abriu as portas para o que viria a ser um concerto mítico que deixou muita gente a pedir que eles cá voltem em nome próprio. Outras escolhas para inicio de concerto talvez deveriam ser reconsideradas, ate do próprio álbum, a “Ghost Of Perdition”, creio que punha logo toda a gente em sentido, são preferências pessoais. Como toda a gente que gosta e Opeth sabe que eles não são uma banda de Death Metal Progressivo, a única categoria em que se pode pô-los é só mesmo no Progressivo, e depois é que o Death Metal, o Metal clássico e o Rock são encaixados. E é neste ultimo género que se insere a angelical “Face of Melinda”. Com a filha de Mikael a assistir de lado no palco, a música ao qual é dedicada á mesma, trouxe muita emoção aos presentes.

O inicio do concerto ficou marcado pela alternância de peso entre as musicas, começou-se com uma pesada, depois para uma melódica e depois voltou a uma pesada e que é uma das minhas preferidas, “The Lotus Eater”, a única coisa que se pode dizer é que muitos pescoços devem ter sido partidos, em estúdio a musica alcança um nível absoluto de genialidade, mas quando se transporta para um concerto.. não há palavras para descrever, é como ouvir uma “Hallowed Be Thy Name” ou uma “Comfortably Numb” ao vivo, o pior foi que uma da cordas da guitarra do Mikael quebrou-se logo no momento em que a musica passa para a parte mais melódica, mas com um pouco de humor pelo meio não foi essa pequeno momento que estragou a prestação da banda. Para seguir o ritmo de alternância de peso a banda toca “In My Time Of Need”, musica que trouxe os primeiros coros.

Durante o concerto, o Mikael esteve o tempo todo a tecer elogios aos Morbid Angel e a David Vincent, a maneira amaricada como conheceu pela primeira vez David Vincent, por isso, se calhar em jeito de homenagem, eles tocaram o que o próprio Mikael diz ser uma música inspirada nos Morbid Angel, pelo menos o inicio devastador, a “Master's Apprentices”, a cerca de meio a chuva começou as primeiras visitas da noite.

Eis que chega a hora de visitar um dos melhores albums de sempre, o Blackwater Park, “The Drapery Falls” tocada na perfeição mostrou a quem ainda não sabe o porquê de os Opeth serem considerados uma das melhores bandas Prog, não só da actualidade, mas tambem de sempre. De volta ao que ainda é o último cd banda, Watershed de 2008, “Hex Omega”, não é das minhas preferidas mas ao ouvir ao vivo a minha opinião sobre ela mudou ligeiramente.

Falsa despedida e regresso da banda ao palco para o encore, música escolhida, “Deliverance”, é preciso aproveitar para dar uns últimos headbangs e uns quantos moshs. No inicio da musica foram abertos dois circles pit’s. O resto da música foi uma viagem emotiva ao som de pura excelência progressiva e o quase deitar de umas lágrimas, acabo de assistir ao concerto da minha banda preferida, a par dos Iron Maiden e já vai acabar. The End. Ainda não acredito no que acabei de presenciar. Á medida que aplaudo e berro com todas as forças que ainda me restam no corpo cansado após um dia bastante longo, na minha cabeça só peço para eles voltarem rapidamente para mais concertos.

The Grand Conjuration
Face of Melinda
The Lotus Eater
In My Time Of Need
Master's Apprentices
The Drapery Falls
Hex Omega
Deliverance

O sono neste momento é uma coisa que não me assiste por isso hora de juntar o pessoal e conhecer gente que ainda só se conhece através da internet. Mais umas cervejas bebidas, souberam ainda melhor porque foram oferecidas e rápidas despedidas foram feitas porque havia gente que teve que trabalhar no dia a seguir.

2º Dia

O dia de sábado ficou marcado pela intensa chuva que já vinha do dia anterior aquando do concerto dos Opeth, mas não foi isso que manteve toda a gente nas suas tendas, muita gente foi tomar banho nos duches, houve quem aproveitasse a chuva para tomar banho junto á tenda, o snack bar na entrada do recinto foi um ponto de passagem obrigatório da parte da manha para se beber um café, tomar o pequeno almoço e formarem-se novas amizades cujos temas centraram-se na edição passado do VOA, o estado do tempo, entre outros temas que foram aparecendo. Durante a manha ouviu-se diversas vezes a frase ‘30 Caralho’ que se tornou célebre pela ‘internet sensationSamuel Massas, boa disposição era o que não faltava nesta altura do dia em que o tempo não estava em condições para se realizar um festival.

O ter chovido a manha toda esteve no centro de muitas conversas entre os campistas sobre de como iria ser o resto do dia, se iria haver concertos, se iria ser cancelado por não haver condições, foi tudo uma enorme incógnita ate por volta das 13:00 em que parou de chover e o primeiro aparecimento do sol do dia ajudou a por tudo a caminho para uma tarde/noite de grande música.

Quase 16 horas, abrem as portas do recinto, começam a entrar os ouvintes que querem ficar na primeira fila para verem as suas bandas favoritas, no meu caso aproveitei e fui á zona de merch e fiz umas compras. Quando se vai a um festival não há nada melhor que trazer uma tshirt do próprio para depois se puder usar com orgulho ate a próxima edição, e sendo a 12 euros é impossível não se comprar tal memoria, durante os dois dias foi do que mais se viu no recinto. Do Porto veio a loja independente de discos Lost Underground, muitos albums que queria passaram pelas minhas mãos mas como o orçamento já estava no limite fiquei-me só pelo At the Heart of Winter dos Immortal que vi a nove euros.

Antes dos concertos nada melhor para encher o tempo do que ir ter com mais pessoal que não se viu no dia anterior e claro, refrescar a garganta, o dia estava fresco mas não podia sair dali sem provar hidromel, como já tinha alguém a querer pagar-me uma bebida foi de aproveitar o momento e calhou mesmo, percebi logo o porquê de tal bebida estar a concorrer com a cerveja para a bebida mais vendida do festival.

Music time. Tal como é costume num festival, há sempre algum “intruso”, e os We Are The Damned são pois a banda que falo, a sua mistura de Hardcore com Crust não foi muito bem recebido pelos presentes. A figura franzina mas poderosa em palco da ex vocalista dos WATD, a Sofia Magalhães, era das poucas coisas que conseguiam por a banda num patamar diferente das outras bandas do género, a energia em palco e a química entre os seus executantes era de facto notável, mas agora com a alteração da formação, os WATD passaram a ser, a meu ver, mais uma banda normal como todas as outras, em estúdio ainda mantiveram a mesma qualidade mas ao vivo pecam em alguns pontos.

Malevolence, banda Portuguesa com 17 anos de carreira e que nunca tinha ouvido falhar, sendo uma pessoa que gosta de andar sempre a explorar é um grave erro meu nunca me ter deparado com esta banda com uma vasta experiencia dentro do Death Metal. O concerto em si foi muito poderoso, tive a ver o concerto na bancada ao lado de pessoas amigas e por diversas vezes fiquei bastante impressionado com o que estava a ouvir naqueles momentos, sem duvida uma banda para por na lista para futuras audições.

Sendo os Kalmah uma bandas que queria ver sai da bancada e fui juntar ao resto dos headbangers que figuravam em frente ao palco para ouvir bem de perto as poderosas guitarras que a banda finlandesa demonstra em estúdio e ao vivo foi a confirmação, Kalmah é banda para se ouvir e curtir o melhor possível ao vivo. Como o tempo era pouco a banda foi buscar o melhor que tinha e graças a uma frenética “The Black Waltz” e com uma “Heroes To Us” devastante e a imperial “Hades” a fechar, o primeiro concerto da banda Finlandesa acabou em grande festa tamanha foi a loucura nos mosh pit’s durante quase todo o concerto. A recepção não podia ser mais calorosa, a ver vamos se é a partir de agora que os Kalmah começam a incluir algumas passagens no nosso país em futuras Tours.

Durante a actuação dos Kalmah veio-me á memoria uma piada que existe num vídeo do Youtube da “Death In Fire” dos Amon Amarth que é que Headbang sincronizado devia ser considerado um desporto olímpico, por diversas vezes via-se o pianista, o baixista e o guitarrista a fazer headbang circular com o mesmo tempo de circulação, é de facto algo notável tal sincronização.

Hook the Monster
They Will Return
Swamphell
Dance of the Water
For the Revolution
The Groan of Wind
Rust Never Sleeps
Wings of Blackening
The Black Waltz
Heroes to Us
Hades

Dentro do Black Metal, Emperor sempre foi uma banda respeitada e Ihsahn, ex vocalista da banda, tornou-se ao longo dos anos uma figura de sempre trouxe inovação graças a lançamentos como angL de 2008 e After, este último, é para muitos, um dos melhores registos do ano passado.

O que dizer sobre a prestação de Ihsahn e banda que o acompanha ao vivo.. apenas que são como uma equipa de futebol bem oleada em que todos os jogadores conhecem de cor e salteado a maneira de jogar dos colegas sabendo assim como se devem posicionar e como jogar, é basicamente isso que se viu no concerto de Ihsahn. Houve troca de solos de guitarra entre Ihsahn e os outros guitarristas da banda, as vozes eram alternadas entre o pianista que ficava com as vozes limpas, um dos guitarristas ficou a cargo das vozes guturais e Ihsahn, obviamente, tratou das vozes rasgadas que se usam no Black Metal. Os sons de saxofone que se ouve nas músicas retiradas no álbum After, desta foram reproduzidos pelo piano, as diferenças foram mínimas.

Como abertura nada melhor do que começar como começa o último álbum gravado, uma devastante “The Barren Lands” e uma “A Grave Inversed” apoteótica pôs logo desde cedo todos os presentes em sentido, melhor inicio era impossível. A discografia a solo de Ihsahn resume-se a três registos por isso era mais que obvio haver passagens por todos os trabalhos. Foi tudo tocado na perfeição, ninguém ficou indiferente ao poderio deste conjunto, Ihsahn soube escolher muito bem os músicos que o acompanham.

Um concerto de Ihsahn so com musicas da sua fase a solo chegam e sobram para deixar qualquer pessoa num estado de loucura enorme, mas, tal como previsto, Ihsahn deu uma visita aos seus trabalhos com os Emperor, “The Tongue Of Fire” e “Thus Spake The Nightspirit” deixaram muita gente a salivar na esperança de que com isto possa ser um sinal de uma possível reunião.

O encerrar do concerto foi tal como o inicio, mais duas musicas saídas do trabalho do ano passado. Uma diabólica “Frozen Lakes On Mars” para uns últimos headbangs e uma épica, sim épica, só esta palavra consegue descrever o que esta música é tanto em estúdio como ao vivo, “On The Shores”, deram por encerrado o que foi sem duvida um dos concertos a figurar nos melhores concertos ano. Após ver tal grandeza aproveitei a sessão de autógrafos e fui arranjar os da banda toda e pedir-lhes para voltarem rapidamente para mais um concerto enormíssimo.

Scarab
Emancipation
Invocation
Called By The Fire
The Tongue Of Fire (Emperor)
Unhealer
Misanthrope
Citizen
Thus Spake The Nightspirit (Emperor)
Frozen Lakes On Mars
On The Shores

Inicialmente eram para tocar os Nevermore, mas devido a problemas dentro da banda tanto o concerto no VOA como no resto do mundo foi tudo cancelado, no lugar deles o festival conseguiu ir buscar nada mais que Devin Townsend, e foi uma aposta mais que ganha, vi muitas criticas na Internet sobre o que aconteceu com os Nevermore e vi gente a dizer que ja nao iriam ao VOA, quem nao foi apenas digo que perderam um dos melhores concertos de sempre a nivel nacional, é impossivel a meu ver os Nevermore conseguirem fazer tamanho concerto e conseguirem atingir tamanha genialidade pertencente a Devin Townsend.

Durante o soudcheck que antecedeu a actuação de Devin Townsend Project ouviu-se umas musicas que normalmente não se houve neste tipo de eventos, certamente que foi tudo a pedido da mente depravada que é Devin Townsend, as musicas “Single Lady’s” da Beyonce e “Bad Romance” da Lady Gaga foram algumas das escolhidas, muita gente deve ter ficado a pensar se estariam no VOA ou no Sudoeste. Juntamente com as musicas também foram projectadas imagens feitas em Photoshop da cara de Devin em diferentes imagens, Mona Lisa, diversos animais e também muitos desenhos animados como os Teletubbies, Pokemon, entre outros, foram profanados com a imagem extrovertida de Devin que deu para muitas gargalhadas em vez de se ter mais uma meia hora da imagem habitual de ver os membros do festival a retirar e a por instrumentos em palco.

Addicted!” e “Supercrush!” tiradas do cd Addicted de 2009 tiveram as honras da noite e desde cedo viu-se toda a gente a fazer headbang. Com “By Your Command”, “Color Your World” e “The Greys” o extraterrestre Ziltoid The Omniscient fez uma visita ao VOA graças a diversos clips do alienígena que veio ao nosso planeta á procura da derradeira chávena de café.

Durante todo o concerto humor foi coisa que não faltou, Devin foi um senhor, sempre a dirigir-se ao publico e ele em palco é um monstro sempre pronto a espantar qualquer pessoa seja de que maneira for, como por exemplo quando nos mostrou uma ‘dança’ típica do Canada ou então quando fez varias questões retóricas do género ‘qual a raiz quadrada da hipotenusa’, coisa que qualquer pessoa sabe de cor e salteado como se pode constatar nas respostas a vir do publico.

Momentos para valentes headbangs, momentos para acompanhar com palmas, momentos para fazer coro, ate mesmo para moshar, aqui houve de tudo, Devin Townsend é um homem que explora diversos universos e quando se vai ver um concerto deles é impossível ficarmo-nos por um só estilo. Durante o concerto imagens do universo e também imagens que vemos em documentários de como se formou o planeta Terra alternaram com imagens em directo do concerto, os melhores momentos projectados foram mesmo quando Ziltoid fazia as suas aparições.

Este ano, os The Devin Townsend Project lançaram Deconstruction, um registo que conta com diversas participações de vários vocalista de bandas como Opeth, The Dillinger Escape Plan, Cynic, Gojira, entre outras, tudo bandas conceituadas, mas há uma participação que fez muita gente salivar quando se soube que a banda de Devin Townsend vinha substituir os Nevermore. Ihsahn, músico que tocou minutos antes também participa neste álbum, por isso muita gente começou logo a sonhar em ver dois dos músicos mais interessantes dos últimos anos juntos em palco. Dentro do próprio recinto ouviu-se muito isso a sair das bocas das pessoas e para gáudio de muita gente ambos fizeram a vontade a toda a gente presente, “Juular” foi um dos melhores momentos tanto do concerto de The Devin Townsend Project como também do próprio festival, só faltava Devin ter falado com Mikael Åkerfeldt para interpretarem a “Stand”, musica a qual Mikael empresta a voz no álbum.

Para encerrar um concerto que já estava num nível de grandeza enorme, a banda toca “Deep Peace”, uma balada retirada do cd Terria de 2001, após um concerto cheio de brutalidade, genialidade, loucura, rapidez, entre outros adjectivos que existam, de um certo modo percebe-se o porquê de fecharem com esta música, mas sendo a criatura malévola que é Devin Townsend eu estava na esperança de se ouvir a “Bend it like Bender!”, seria a musica perfeita para Devin e companhia porem vários metaleiros durões cheios de cerveja no sistema a dançar.

Addicted!
Supercrush!
Kingdom
Deadhead Truth/OM
By Your Command
Pixillate
Bad Devil
Juular
Stand
Encore:
Color Your World
The Greys
Deep Peace

Após o concerto de Devin sai da zona onde me estava localizado e fui assistir Morbid Angel das bancadas pelo simples facto de eles não serem uma banda que me diga muita coisa de momento embora eu tenho o Altar Of Madness e já o ter devorado imenso. Enquanto o concerto não começava mais conversa em dia foi posto e mais umas cervejinhas foram digeridas.

Apesar das duras criticas que o novo album tem vindo a receber não só da imprensa especializada mas também dos próprios fãs, os Morbid Angel puseram isso tudo de parte e mostraram do que são capazes e também do porque de serem uma das mais importantes bandas de Death Metal de sempre.

Immortal Rites” como abertura, “Pain Divine”, uma “Maze of Torment” assombrosa, uma “I Am Morbid” enormíssima, “Dawn of the Angry”, foi tudo interpretado na perfeição mas mesmo assim eu pelo menos não destaco nenhum momento em particular, pareceu um simples concertos já programado para ser como deveria ser, que me lembre só a “I Am Morbid”, que por acaso é retirada do último álbum da banda, foi a música onde houve mais comunicação banda/público.

Immortal Rites
Fall From Grace
Rapture
Pain Divine
Maze of Torment
Sworn to the Black
Existo Vulgoré
Nevermore
I Am Morbid
Angel of Disease
Lord of All Fevers and Plague
Chapel of Ghouls
(Extensive Trey Azaghoth solo)
Dawn of the Angry
Where the Slime Live
Bil Ur-Sag
God of Emptiness
World of Shit (The Promised Land)

Após um longo e cansativo dia nada melhor que tentar ir dormir um bocado na tenda, mas tal como na noite anterior as horas de sono nem chegaram às duas horas, por volta das seis da manha já me encontrava a pé, ate às sete andei a dar uma volta pela zona de campismo, mas como não havia muito que fazer lá fui arrumar as coisas e fui para a entrada do recinto onde o autocarro vinha apanhar o pessoal para ir para Aveiro, durante as quase três que ali tive ao frio peguei no livro Metamorfose do Kafka e em menos de uma hora foi lido. O resto do tempo foi uma luta contra o frio e o sono. Á medida que o tempo passava muitos eram os que iam saindo do recinto para rumar as suas vidas do quotidiano e para mostrar a boa disposição que esteve sempre presente durante o festival todo, ouviu-se a sair de muitos carros ‘Ate pró ano’, coisa que certamente muita gente espera com ansiedade.

Na vinda para cá, quem veio para Aveiro no autocarro das 10:00 foi recebido pela hospitalidade local e as pessoas presentes no autocarro ate ajudaram os bombeiros locais na parte financeira, o condutor do autocarro é bombeiro voluntario e perguntou às pessoas que se podia parar o autocarro para pudermos darmos uma pequena contribuição, ‘nem que seja um cêntimo’ disse ele, duas mulheres fardadas lá entraram no veículo e pelo que notei creio que ninguém recusou a dar alguma coisa, é sempre bom ajudar e são estes pequenos actos que ajudam a mudar a imagem das pessoas perante os ouvintes do tipo de música que se ouviu no VOA.

De volta a Aveiro. Autocarro para Lisboa é só às 15:00, como o tempo para passear era escasso e a paragem do autocarro ficava junto á Ria, melhor imagem da cidade era impossível no meu último olhar á medida que voltei para Lisboa, um dia espero voltar e puder ver com melhores olhos o que Aveiro tem para oferecer.

Na viagem para Lisboa vim quase o caminho todo a dormir para tentar compensar o pouco que dormi durante dois dias, agora em Lisboa as saudades são enormes, o que vivi em Vagos é algo para permanecer por muito tempo na memória, de certeza que se voltar em 2012 vou estar a viagem toda a relembrar de tudo o que acabei de dizer neste texto.

Cumprimentos a todas as pessoas com quem estive e um ate pró ano, que seja tão bom como este ano.

sábado, 30 de julho de 2011

Ana Kefr - The Burial Tree (II)


Para se puder apreciar o novo registo dos Ana Kefr é preciso ter-se uma mente aberta e ser-se adepto dos mais vários subgéneros que se pode encontrar no mundo do metal. Apenas refiro isto porque neste registo, intitulado de The Burial Tree (II), os californianos Ana Kefr, cujos elementos tem gostos diferentes uns dos outros, misturam uma grande variedade de estilos que vai do Death Metal, ao Black Metal, passando por um estilo ainda estranho para a maioria dos ouvintes chamado Avant-Garde. Pelo meio somos apanhados por diversas passagens progressivas e também podemos escutar umas influências de Metalcore.

Tal como o Ghost Reveries dos Opeth em 2005, o Core dos Persefone em 2006, o To The Nameless Dead dos Primordial em 2007, o Colors dos Between the Buried and Me em 2008, o Crack The Skye dos Mastodon em 2009, o Axioma Ethica Odini dos Enslaved e o The Never Ending way of OrWarriOr dos Orphaned Land em 2010, este The Burial Tree (II) vem fazer o que os álbuns que referi fizeram na altura dos seus lançamentos que foi marcar um novo rumo para a música pesada. Como se pode averiguar tem sido uma tendência o aparecimento de vários álbuns que venham a mudar os bocados as regras do jogo ao longo dos anos e assim mostram ao mundo que ainda é possível inovar e manter na mesma uma qualidade enorme.

Como referi no inicio desta analise, este registo não é para os mais fracos embora isto tenha um bocado que vá agradar a cada ouvinte dos mais variados géneros ate mesmo os fãs de Metalcore, ouçam a “Parasites” e também a “In the House of Distorted Mirrors” por exemplo, podem ter uma surpresa. A banda ate para agradar os fãs de Grindcore meteu uma música bastante curta de poucos segundos intitulada de “Jeremiad”. Death e Black Metal são representados quase que em igualdade pelo trabalho fora e o uso de voz limpa é simplesmente divinal, aliás, é importante referir isto, o vocalista Rhiis D. Lopez faz aqui um trabalho assombroso, as mudanças que ele faz entre voz limpa e gutural e ate mesmo os diversos screams que ele alcança vão agradar a todo o tipo de fã de música extrema.

Tal como se tem notado nos trabalhos mais marcantes dos últimos anos como o Colors e o The Never Ending way of OrWarriOr por exemplo, aqui também se regista o uso de vários instrumentos que normalmente não se encontraria em trabalhos do género. O uso de piano e clarinete podem-se notar em algumas das músicas, a "Monody” até tem a honra de ter um pequeno solo de clarinete. As experiencias emocionais aqui sentidas são variadas, em certos momentos parece que estamos no meio do apocalipse de uns Meshuggah (ouçam a “The Zephirus Circus”) e depois estamos numa terceira dimensão de uns Unexpect (“Thaumatrope”).

Quando um álbum é lançado é normal haver uma música ou duas que se destaquem das outras, neste caso isso é muito difícil de se notar, todas são únicas e seguem uma ordem e entrelaçam-se perfeitamente, ouvir músicas soltas deste trabalho é quase como um crime.

Para concluir, este álbum é daqueles que ate se ouvir todos os pormenores é preciso umas quantas dezenas de audições, neste momento já perdi a conta das vezes que ouvi este trabalho mas ate prestar atenção a tudo o que a banda pôs aqui foi preciso muito tempo. Sem dúvida que merece destaque em diversos top’s para um dos melhores trabalhos deste ano mas sendo os Ana Kefr uma das muitas bandas cujo reconhecimento é ainda nulo de certeza que The Burial Tree (II) vai-se tornar uma das muitas pérolas esquecidas pela maioria da sociedade e que com o passar dos anos se irá tornar um objecto de culto. Para quem quer ouvir algo complexo, fresco e impossível de catalogar este registo é o ideal. 9.6

A musica “Thaumatrope” que a própria banda disponibilizou através do youtube:


Também disponibilizado pela banda, um pequeno making of do álbum:

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Judas Priest e Queensrÿche no Pavilhão Atlantico 27/07/2011


Ainda estávamos em 2010 quando a banda anunciou a Epitaph Tour, a tour que iria dar por encerrada as longas viagens que a banda já faz há quase 40 anos, tournées longas a percorrer o mundo já é algo que custa a estes dinossauros do Metal, mas como a própria banda já o disse futuras oportunidades de voltarem a actuar ao vivo não foram postas de partes, tocar em festivais ou eventos especiais é algo possível num futuro próximo e ate mesmo novos albums estão em cima da mesa.

Em Abril deste ano a saída de um dos membros fundadores, falamos pois do lendário guitarrista K. K. Downing, deixou tanto a banda como os fãs completamente desprevenidos, a saída desta figura mítica neste momento especial de carreira não estava nos planos de ninguém, a banda como não quis cancelar a enorme tour de despedida foram chamar uma promessa do Metal, o jovem Richie Faulkner, que fazia parte da banda da Lauren Harris, que para os mais distraídos é a filha do baixista dos Iron Maiden, Steve Harris.

Foi com esta mudança no esquema táctico que a banda se apresentou no nosso país. Sendo a banda em questão uma das mais importantes da história do Metal seria de prever uma boa casa no Pavilhão Atlântico, mas mesmo antes de se entrar já se via cá fora que a chamada não foi forte como se espera. Á hora de abertura de portas deveriam ser 300 ou 400 o número de pessoas que figuravam na parte de fora do recinto, aquando da entrada no mesmo era notório o quão á frente foi chegado o palco, estávamos perante o que tinha acontecido no mês de Março no concerto de Slayer/Megadeth em que só tinham sido vendidos cerca de 4000 bilhetes, neste caso, olhando para o diversos fossos no publico os presentes deviam rondar os 3000.

Para a Epitaph Tour os Judas Priest chamaram para abrir alguns dos seus concertos os norte americanos Queensrÿche, com cerca de 40 minutos disponíveis a banda trouxe ao cima os seus melhores temas e mostrou a muitos que ainda não os conheciam que eles também são uma força a ter em conta. Com uma carreira de 30 anos e 13 cds na bagagem foi um bocado difícil resumir isto tudo em de 8 temas.

Com um cd lançado este ano seria bem previsível ouvir-se algo do mesmo e “Get Started” foi a única escolhida, não houve tempo para mais, “NM 156” levou a banda aos seus primórdios ao ser retirada do primeiro álbum. Operation: Mindcrime tal como Empire tiveram as honras de ver duas musicas a serem tocadas, de Empire tivemos a faixa titulo e a poderosa Jet City Woman com Geoff Tate em grande a mostrar um estilo de canto bem semelhante ao de Rob Halford. De Operation: Mindcrime foram tocadas as obrigatórias “I Don't Believe In Love” e o clássico da banda “Eyes Of A Stranger” deu por encerrado uma grande concerto de uma banda que bem que podia ter tido mais uns minutos para actuar já que entre o concerto de Queensrÿche e o de Judas Priest houve uma pausa de quase uma hora.

Get Started
Damaged
I Don't Believe In Love
NM 156
Screaming In Digital
Jet City Woman
Empire
Eyes Of A Stranger

Após uma pausa á Axl Rose eis que os Metal God entram em palco com a primeira faixa do álbum de 1980 com a famosa lamina na capa, o “British Steel”. “Rapid Fire” funciona como que uma injecção de adrenalina ao por toda a gente a fazer headbang logo no inicio, previa-se logo de inicio uma noite de velhas glorias. “Metal Gods”, a música que catalogou a banda com o título que tem e a “Judas Rising”, do cd Angel of Retribution que marcou o regresso de Halford após 12 anos de afastamento, ajudaram os presentes a saudar os Metal Gods que estavam naquele momento a dar tudo o que tinham para por toda gente com uma boa recordação do que pode ser o último concerto de Judas Priest para muita gente.

Durante todo o concerto ninguém ficou indiferente ao puto de 31 anos Richie Faulkner, certamente que estaria a realizar um sonho de criança e claro, estando em palco com estas lendas ele tem aproveitado todas as oportunidades para se destacar, enquanto que o resto dos elementos da banda excluindo Halford, que este sempre a percorrer o palco todo de ponta a ponta, Richie permaneceu grande parte do concerto sempre á beira do palco, sempre a puxar pelo publico, a maioria das ocasiões em que se ouviu coro ou se via o publico a bater palmas a acompanhar as diversas batidas de bateria, era ele que fazia o incentivo.

A música em que se nota a transição da banda de uma banda de Rock para uma de Heavy Metal nao podia faltar a este chamamento, “Victim of Changes” mostrou aos mais jovens presente no concerto como a música era feita há 35 anos atrás quando o Heavy Metal ainda estava a dar os primeiros passos. Em jeito de homenagem a banda tocou uma das suas musicas favoritas, a “Diamonds & Rust” que é original da cantora Joan Baez.

“Dawn of Creation”, que é simplesmente a intro do último trabalho da banda que ja data de 2008, abre as portas para uma “Prophecy” épica com Halford vestido com uma das diversas roupas diferentes que usou ao longo da noite abriu caminho para a rápida “Night Crawler” seguida da “Turbo Lover”, musica esta que foi das primeiras músicas em que a banda começou a usar guitarras sintetizadas. Uma coisa que era quase obrigatória nas bandas de Metal dos anos 70/80 era ter uma balada, e “Beyond the Realms of Death” tornou-se uma das melhores dos Priest e ao vivo é uma viagem enorme no imaginário especialmente no solo de guitarra a meio da musica.

A cover dos Fleetwood Mac, “The Green Manalishi (With the Two Pronged Crown)”, que ja é praticamente um habito da parte dos Priest tocarem-na ao vivo, abriu as portas para o show de clássicos que se seguiria. Sim podemos dizer, a inigualável “Breaking The Law” é a música mais famosa dos Judas Priest e tal como tem sido feito no resto da tour Rob Halford deixou aos presentes as honras de puderem ser eles mesmos os vocalistas da noite e ninguém se fez de rogado, a letra toda a gente e quem não sabe a letra sabe pelo menos o refrão, por isso foi um grande momento em que os fãs puderam partilhar entre si mesmos.

Para fechar a primeira parte do concerto eis que chega o hino dos anos 90, a “Painkiller” que tal como a “Fear Of The Dark” dos Iron Maiden foram ambas feitas na década de 90, que quem não sabe foi a década menos produtiva no que toca a Heavy Metal mas ambas as musicas tornaram-se dois hinos que ficaram para sempre em todas as setlists que ambas as bandas tocassem ate aos dias de hoje. Com um solo de da bateria da parte de Scott Travis no inicio, “Painkiller” pôs toda a gente em sentido. O trabalho de guitarras aqui feito é fabuloso, a dupla Glenn Tipton/K. K. Downing fizeram maravilhas durante quase 40 anos, a partida de K. K. Downing foi uma perda enorme mas a jovem promessa Richie Faulkner esteve sempre á altura a noite toda.

Para fechar a noite nada melhor que três encores, o primeiro levou toda a gente para o álbum de 1982 Screaming For Vengeance e a sua dupla inicial triunfal que esteve sempre junta desde que foi criada, falamos pois de “The Hellion/Electric Eye”, um concerto de Priest sem esta dupla é quase que um crime, o terem tocado neste derradeiro concerto é a prova disso.

Segundo encore, a explosiva “Hell Bent for Leather” com Rob Halford a entrar em palco em cima de uma Harley Davidson e a eléctrica “You've Got Another Thing Comin'” ja deixavam no ar um final de noite em grande mas ficava no ar que faltava mais qualquer coisa e após uns minutos de pausa eis que a banda regressa para interpretar mais uma banda do álbum clássico British Steel, “Living After Midnight” deu por encerrada uma noite que se pode descrever como épica já que muitas das bandas de quando Judas Priest estavam no seu auge hoje em dia já nem existem e as que ainda andam por ai contam-se pelos dedos de uma mão as que ainda conseguem dar tanto espectáculo como os Metal Gods, não diremos adeus porque a banda não irá acabar, mas sim um ate já na esperança de haver algum festival no nosso pais que daqui a uns anos consiga trazer cá estes senhores caso façam uma mini tour só com passagens por festivais.

Battle Hymn
Rapid Fire
Metal Gods
Heading Out to the Highway
Judas Rising
Starbreaker
Victim of Changes
Never Satisfied
Diamonds & Rust
Dawn of Creation
Prophecy
Night Crawler
Turbo Lover
Beyond the Realms of Death
The Sentinel
Blood Red Skies
The Green Manalishi (With the Two Pronged Crown)
Breaking the Law
Painkiller

Encore 1:
The Hellion
Electric Eye

Encore 2:
Hell Bent for Leather
You've Got Another Thing Comin'

Encore 3:
Living After Midnight

terça-feira, 26 de julho de 2011

Karma To Burn no Musicbox 24/07/2011

Após terem estado sete anos sem fazerem nada eis que os Karma To Burn regressam em 2009 cheios de energia e com vontade de abanar o mundo do Stoner Rock, desde o seu regresso, a banda já percorreu os Estados Unidos e a Europa em Tours bem extensas e tiveram diversas passagens por festivais de verão como o Download Festival. Em 2010, “Appalachian Incantation” marcou o regresso da banda às gravações em oito anos de ausência e mostrou um som bem mais vigoroso que alguns dos trabalhos mais antigos.

Para 2011 foi lançado “V”, tal como o nome indica é o quinto trabalho de estúdio da banda de Stoner Rock Instrumental que tal como tem feito desde o seu regresso em 2009 lançaram-se novamente á estrada e não deixaram o nosso país de lado, o concerto realizou-se na sala de espectáculos de Cacilhas, o Revolver Bar, que já foi conhecido por Man's Ruin Bar que tinha sucedido ao mítico O Culto Bar.

A sala em si esteve bastante despida, talvez pelo facto de os Karma To Burn terem actuado no dia anterior em Barcelos no festival Milhões de Festa, mas umas quantas dezenas de sobreviventes lá se deslocaram á sala na margem sul para uma noite de bom rock, o inicio dos concertos ficou marcado por um atraso de cerca de 30 mins e as pessoas presentes contavam-se pelas mãos, mas não foi isso que deitou abaixo os Lisboetas The Yardangs de mostrarem o seu Blues Rock bem pesado, bem digno para abrir a noite para a banda que vinha a seguir, actuação muito boa de uma banda que pode chegar longe, neste caso tiveram uma boa oportunidade para se mostrarem, só não tiveram foi a sorte de ter um publico mais amplo, mais oportunidades irão aparecer.

Após um intervalo para se mudar os equipamentos no palco e refrescar as gargantas com mais umas cervejas, eis que chega a hora dos Karma To Burn, uma coisa que se notou logo á partida foi o palco completamente despido, nada de pedais e altifalantes para modificar a sonoridade de um som que deve ser limpo, simples e frontal, como quem diz, ‘Straight in your face’. As músicas escolhidas pertenciam na sua maioria aos trabalhos mais antigos antes da pausa que a banda fez, o álbum homónimo de 1997 foi o único em que nenhuma música foi retirada. A representar os trabalhos desde o regresso apenas foram tocadas a 43 que pertence ao trabalho de 2010 “Appalachian Incantation”, e 47 representou o álbum lançado este ano. 19, 36, 39, 5 e 34 vieram do “Almost Heathen” de 2001 e as 8, 32, 28 e 20 foram as escolhidas do “Wild, Wonderful... Purgatory” de 1999.

Ainda antes de chegarmos a meio do concerto a banda já tinha muita gente hipnotizada, a prova disso foi a timidez de alguns dos presentes ter desaparecido e esses mesmos terem começado a fazer headbang perto do palco juntamente com um fotógrafo que quando não estava a fazer o seu trabalho estava a curtir á valente o que parecia ser uma das suas bandas favoritas ao vermos ele a envergar uma tshirt da banda que estava em palco a dar um espectáculo enorme.

Como conclusão, muito rock, muitas cervejas, dois grandes concertos, um deles de uma banda nacional que é sempre um factor extra, e claro, é sempre preciso saudar o regresso de bandas que ajudaram a definir os seus estilos musicais.

Setlist de Karma To Burn:

19
36
8
47
15
39
5
34
43
32
28
20

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Festa de lançamento do novo cd dos Grankapo na Republica da Musica 09/07/2011

No último sábado a Republica da Musica (ex. Tuatara) recebeu mais uma noite de peso, desta vez foi para se fazer a festa de lançamento do novo cd da banda de Hardcore, os Grankapo. Como convidados a banda foi buscar várias bandas amigas com quem partilham amizades e palcos, falo das bandas Overcome, Steal Your Crown e os Life Deceiver, bandas com o meu estilo musical que os Grankapo. Também foram chamados os Switchtense, olhando para o resto do cartaz eles são quase um intruso com o seu estilo sendo um bocado mais técnico mas o que interessava era fazer a festa independentemente dos estilos

O ambiente da sala era o que já se esperava tal como costuma ser quando há estes concertos com menor dimensão, ou seja, o número de pessoas dentro da sala foi aumentando á medida que a noite foi passando e os Life Deceiver foram os que tiveram que levar com uma Republica da Musica bastante despida, mas não foi isso que os impediu de mostrar que querem chegar longe num mundo que já está bem recheado de diferentes bandas embora nota-se que tem alguns aspectos a melhorar a nível de performance ao vivo.

Intro
Heathen
Darkness
My Hands Aren't Tied
Black Metal
Venom Effect
The Massive
Eyehategod
Converge
Mist
Needless

Uma das coisas que se notou ao longo da noite é que as pessoas que vinham ao pé do palco para fazer festa eram poucas as que se mantinham lá á frente para as bandas que viessem depois, o underground Português tem vindo a crescer bastante porque as bandas tem tido bases de fãs bem sólidas e os amigos mais próximos tem sempre apoiado as bandas e foi isso que se notou na passada noite, muito convívio entre as bandas e fãs/amigos e sem contarmos com os Grankapo os Steal Your Crown foram os que levaram mais gente a prova disso era a festa que se viveu tanto em cima do palco como na plateia com o publico sempre a meter-se com os elementos da banda mantendo assim toda a gente com uma enorme boa disposição. No que toca ao concerto, foi uma actuação bem boa, bastante comunicação entre os elementos e o público, nota-se que já tem muitos km’s percorridos.

(A banda nao usou setlist no palco)

Os Overcome aproveitaram que o facto de o publico já estar com a chama toda devido ao concerto dos Steal Your Crown e mantiveram o mesmo nível em termos de presença em palco, muita comunicação dentro e para fora do palco, bastante energia e o público claro respondia como podia a fazer os mais variados movimentos corporais que se pode registar num concerto do género.

Stumbling Road
Way Of Life
My Friend
Be Positive
Hardcore
Spoc Hardcore
Broken Brotherhood
Spred The Word
Do What You Do

Grankapo deram a festa da noite, não fossem praticamente todos os presentes ali para os verem, mas posso ser suspeito ao dizer isto, mas Switchtense creio que foram a banda da noite a nível de performance, eu já tinha visto duas vezes Switchtense ao vivo e em ambas as ocasiões tiveram prestações bem sólidas e este ultima sem máculas é para juntar á lista, e não nos podemos esquecer do público a ajudar bastante ao fazerem bastantes moshes e a cantarem os já clássicos “Into The Words Of Caos” e da “Infected Blood”, sendo esta ultima a que encerrou o concerto e deixou toda a gente cheia de energia para a banda da noite.

Concrete Walls
In Front Of Your Eyes
Into The Words Of Caos
Unbreakable
This Is Only The Beginning
Infected Blood

O resto da noite já tinha sido de muita festa com grandes concertos mas os Grankapo, sendo a festa sua e como já tinha dito, encerraram muito bem a noite, com muitas músicas do novo cd intercaladas com músicas que conhecidas do seu repertório puseram toda a gente a mexer mostrando que o Metal/Hardcore nacional está bem vivo e recomenda-se. “The Truth” revelou-se ser uma bomba ao vivo mas como sempre as músicas antigas (não tão antigas, a banda existe só desde 2006) foram as que dominaram a noite, toda a gente junto ao palco quis cantar as letras e o Fuck, vocalista dos Grankapo não se fez de rogado e deu muitas vezes o micro a alguns presentes para poderem mostrar serem conhecedores das letras, aliás, isto foi algo visto em quase todos os concertos da noite, muita gente sempre lá na frente a cantar tudo á espera que lhes pusessem o micro á frente para serem ouvidos, um ponto que gostaria de focar foram os growls que se ouviam a sair de uma rapariga cuja altura não passam do metro e meio e que esteve grande parte da noite lá á frente no meio dos moshes a cantar tudo da maioria das bandas da noite e de cada vez que lhe punham o micro na boca ela conseguia intimidar muitos homens.

Intro
Fell My Hate
Man Killing Man
We'll Never Die
Life GOes On
Fuck You
4 Walls
Take Back The Power
Private Hell
Grankapo
Look At Me
Left For Dead
Back To Hell
Sinner Of The World
Confessions
We Want Justice

Resumindo, muito convívio, muita cerveja, muito mosh, muitos circle pits, bastante hardcore dancing, bilhetes baratos, boa musica, que mais se pode pedir? mais noites assim por favor.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Trailer oficial do 1º dvd dos Orphaned Land

Graças ao trabalho lançado o ano passado, The Never Ending way of OrWarriOr, os Orphaned Land tem quebrado varias barreiras pelo mundo fora e tem atingido um estatuto de culto enorme e como a própria banda se apercebeu disso nada melhor que lançar um dvd ao vivo como um género de comemoração desta fase da carreira da banda Israelita que já leva 20 anos de carreira.

Os detalhes ainda são escassos como por exemplo que setlist foi apresentada mas uma coisa já se pode ver através do trailer que é a participação de Steven Wilson em alguns momentos do concerto, o grande líder da banda Porcupine Tree, e também produtor do The Never Ending way of OrWarriOr dos Orphaned Land dá o seu contributo num concerto de uma banda que para ele é das melhores e das mais interessantes do mundo actualmente.

Para quem é fã é definitivamente um must have.

O ano passado a banda veio ca dar dois concertos, um no festival SWR Barroselas e no dia anterior tiveram no Santiago Alquimista, concerto ao qual eu fiz uma review e postei aqui no fórum, quem quiser reler deixo aqui o link: Orphaned Land no Santiago Alquismista 01/05/2010

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Boris + Russian Circles + Saade no MusicBox 26/06/2011

Não foram os 36 graus de temperatura que se sentiu em Lisboa no passado Domingo que impediu mais uma procissão á sala de espectáculos Musicbox, desta feita para receber o regresso dos Japoneses Boris que trouxeram com eles uma das melhores bandas de Post-Rock do mundo, os Russian Circles, no que toca ás hostes da noite ficaram ao cargo dos Saade, banda de Stoner Rock oriunda da Republica Checa.



Tal como já foi dito, o calor foi uma figura bem marcante durante o dia todo, quando as primeiras pessoas chegaram ás imediações do Musicbox a temperatura já estava bem mais fresca coisa que ajudou ao bom ambiente que se vivia á entrada com o convívio entre as pessoas e com isso tudo era visível a cada chegada de grupos que os presentes eram apreciadores dos mais variados tipos de musica, sim porque se formos a ver bem, as principais bandas da noite não tem um publico definido, a sua musica é ouvida por todo e mais variado tipo de gente, então no que toca aos Boris conseguem agradar a um publico vastamente abrangente graças ás diferentes passagens que a banda já fez por diversos estilos ao longo da carreira, ora vejamos alguns, Stoner Rock, Drone Metal, Rock Experimental, Rock Psicadélico, Noise Rock, Sludge Metal, entre outras variações.

Os bastante desconhecidos Saade, com o seu Stoner Rock bem competente e poderoso para a noite que ai vinha realizar tiveram uma performance bem sólida, esta banda é apenas composto por uma dupla, guitarrista e baterista, para o estilo que a banda produz a entrada de um baixista creio que poderia dar-lhes um som mais característico, mas mesmo assim tão com um bom som, so a voz é que não se percebeu muito bem, mas com 20 mins disponíveis a banda fez o que pode e deu um bom espectáculo.

Russian Circles, uma das bandas que fez o pessoal sair de casa num dos dias de maior calor do ano até agora, a setlist escolhida fez passagens por todos os registos da banda e ate tivemos direito a uma música que vai sair no novo trabalho que vai ser posto á venda em Outubro deste ano. Todas as musica tiveram direito a fortes headbangs da parte do publico, as musicas foram todas tocadas como foram gravadas, a única coisa contra do meu ponto de vista foram as enormes pausas que a banda fez entre cada musica, sem exagero, sem contabilizarmos o tempo todo em que a banda não tocou quase que dava pa por ali no meio mais umas 3 musicas no mínimo. “Harper Lewis” com a sua intro perfeita abriu o caminho para uma viagem do melhor que há dentro do Post-Rock. A faixa titulo do registo de 2009, Geneva, foi a que deu o click no publico que lhes permitiu ganhar a sua libertação e começar então a sentir a musica e a forma escolhida foi o headbang, headbang esse que permaneceu o resto da noite em todas as musicas da banda de Chicago. Em “Station” creio que foram poucas as pessoas que não deram uns valentes headbangs e com a “Death Rides A Horse” a fechar foi mesmo para a loucura, era toda a gente a fazer headbangs, air guitars, air drums, alguns saltos, foi mesmo para fechar em grande, so não foi perfeito devido ás enormes pausas que faziam sempre o pessoal ficar quieto e sem assim notarem ainda mais no calor que se sentia dentro da sala.

Harper Lewis
Geneva
Youngblood
309
Malko
Station
Death Rides A Horse

Após um assombroso concerto da parte dos Russian Circles eis que chega a hora do prato principal, os japoneses Boris. A sua performance foi quase inteiramente composta por músicas dos trabalhos mais recentes da banda, Heavy Rocks e Attention Please deram cada um três músicas. Uma coisa que todos os presentes viram de certeza foi o enorme bongo em cima do palco, um objecto que já vem sendo famoso nos concertos da banda nipónica, outra ponto de interesse so pode ser visto pelo publico que esta mais á frente e eram os incontáveis pedais que a banda usa.

“Riot Sugar” bem pesada agarrou desde cedo os presentes e com a “8” deu-se origem a uma coisa que certamente ninguém estaria á espera, ou seja, um mosh pit, e a banda a ver aquilo não se importou e teve sempre a puxar pelo publico, o baterista Atsuo foi o elemento mais activo da banda sempre alegre e sempre a fazer contacto visual com o publico. Michio Kurihara, no seu cantinho, com a sua postura rígida e maneira de tocar fazia lembrar um Tony Iommi de agora. Wata teve sempre bastante timida mas nao a impediu de mostrar os seus dotes na segunda parte do concerto em que a banda virou-se completamente para o cd Attention Please, das três música escolhidas, “Party Boy” foi a melhor recebida e notava-se que o publico já a conhecia bem. Takeshi com uma guitarra e um baixo a partilharem o mesmo corpo mostrou grandes dotes ao tocar ambos nas mesmas músicas. Para fechar a noite nada melhor que duas das melhores composições que esta banda já fez, a “Missing Pieces” cheia de alma e a explosiva “Aileron”. Foi daqueles noites a que se pode chamar de perfeita, grande ambiente, grandes concertos e muita boa disposição ao ouvirmos diversas vezes ao longo da noite uma pessoa no fundo a fazer sempre o mesmo pedido: “toquem Slayer”, são estes momentos que ajudam a marcar um evento desta grandeza.

Riot Sugar
8
Statement

Attention Please
Party Boy
Spoon

Missing Pieces
Aileron

As musicas que para mim marcaram a noite:



sábado, 11 de junho de 2011

Marky Ramone's Blitzkrieg no Santiago Alquimista 08/06/2011

Na passada quarta feira, ali na zona de Santiago em Lisboa, mais concretamente no Santiago Alquimista pode-se testemunhar que o Punk Rock original está vivo e recomenda-se.

Marky Ramone, baterista dos Ramones durante 15 anos juntamente com Michale Graves que durante os anos 90 foi o vocalista de serviço na reencarnação dos Misfits e entre os vários registos que gravou com a banda o mais notório é bem capaz de ser o American Psycho, estas duas lendas do Punk Rock mundial mostraram a um público bastante diverso como se faz bom Punk Rock. O público que este presente no Santiago Alquimista ia dos 15 anos 65 (ou mais), foi daqueles concertos em que pais e filhos podiam ir juntos sem causar embaraços de levar o cota atrás ou ter que levar o filho para não ficar sozinho em casa.

As musicas escolhidas para este noite não podiam ser muito diversas, tendo o nome do projecto o nome do antigo membro dos Ramones já se sabia que a noite iria ser quase inteiramente focada na carreira da banda Americana, pelo meio também se ouviu umas covers de Creedence Clearwater Revival (Have You Ever Seen the Rain?), Louis Armstrong (What a Wonderful World), Motörhead (R.A.M.O.N.E.S.) e tambem se pode ouvir uma musica original deste projecto, “When We Were Angels”.

Com pressa em animar a noite a banda não se fez rogada e tocou o primeiro set de uma assentada sem descanso, “Rockaway Beach” iniciou a noite e foi logo seguida de inúmeros clássicos do Punk Rock, “Psycho Therapy”, “Sheena Is A Punk Rocker”, “Beat On The Brat”, “Gimme Gimme Shock Treatment”, “Judy Is A Punk”, “The KKK Took My Baby Away”, “I Wanna Be Sedated” (uma das musicas em que se sentiu mais a presença do publico e toda a gente sabe o porquê), “I Don't Wanna Walk Around With You” e “Pinhead” fecharam o primeiro set. Após um pequeno descanso a banda regressa para tocaram “I Just Want To Have Something To Do”, “Cretin Hop” e “R.A.M.O.N.E.S.” para depois assim se puder dar o merecido tempo a solo do Senhor Michael Graves em que tocou algumas músicas em Acústico da sua fase nos Misfits, em “Scream” houve muitos coros a vir do publico.

Para o Grand Finale, “When We Were Angels”, um original deste projecto, “What a Wonderful World” em que toda a gente no mundo sabe a letra e para o fim a tão esperada “Blitzkrieg Bop”, neste momento o Alquimista tremia por todo o lado tamanha era a festa.

Marky Ramone parecia um jovem, tamanha a rapidez em que executava todas as musicas conseguia fazer inveja a muitos jovens de hoje em dia que usam pedal duplo e que pensam que a rapidez é o que conta. A noite era para uma celebração das musicas dos Ramones mas o homem da noite acabou por ser Michael Graves, o homem é um monstro em palco, sempre a puxar pelo publico, sempre aos saltos, nunca errou nas letras, e o que dizer da poderosa voz que possui, incrível mesmo. Os outros dois elementos apenas posso dizer que o guitarrista acertou todos os riffs que se lhe pedia e o baixista (que mais parecia um Steve-O do Jackass num dia em que tivesse tomado alguma droga) foi em todas as músicas o apresentador de serviço ao dizer sempre “one, two, three” no inicio de cada musica mesmo a dizer ao publico: “tomem lá mais uma bomba, é para partir isto tudo”.

Com um Alquimista esgotado pode-se prever que caso este projecto lance um registo sólido e depois lancem-se á estrada pode ser que quando ca voltarem o Coliseu seja a casa deles.

Rockaway Beach
Teenage Lobotomy
Psycho Therapy
Do You Wanna Dance?
I Don't Care
Sheena Is A Punk Rocker
Havana Affair
Commando
Beat On The Brat
53rd and 3rd
Rock n Roll radio
Now I Wanna Sniff Some Glue
Gimme Gimme Shock Treatment
Rock'N'Roll High School
She's The One
Judy Is A Punk
Poison Heart
I Believe In Miracles
The KKK Took My Baby Away
Pet Sematary
Chinese Rock
I Wanna Be Sedated
I Don't Wanna Walk Around With You
Pinhead

Encore:
I Just Want To Have Something To Do
Cretin Hop
R.A.M.O.N.E.S.

Encore 2: (Michale Graves Acústico)
Fiend Club
Scream
Saturday Night

Encore 3:
Dig Up Her Bones
When We Were Angels
Have You Ever Seen the Rain?
What a Wonderful World
Blitzkrieg Bop

sábado, 7 de maio de 2011

Primordial - Redemption At The Puritans Hand

Para quem não conhece os Primordial são a banda de metal com mais exposição internacional da Irlanda e já contam com 20 anos de carreira. Quando começaram eles praticavam uma mistura de Black com Folk Metal mas com o passar dos anos eles moldaram a sua música e agora apostam com força numa sonoridade mais limpa com algumas misturas entre o Folk e o Celtic Metal.

The Gathering Wilderness de 2005 e To the Nameless Dead de 2007 (os melhores registos da banda) receberam críticas bastante positivas pelo mundo fora e isso fez com que os Primordial atingissem um estatuto de culto e agora com este registo vai sem dúvida cimentar ainda mais a posição da banda como das melhores bandas dos últimos anos. A banda neste registo manteve a mesma linha de qualidade mostrada nos seus trabalhos anteriores, com esta banda não existe a possibilidade de haver superações em relação aos registos anteriores devido á enorme qualidade dos mesmos.

Redemption At The Puritans Hand abre com a No Grave Deep Enough, provavelmente a melhor opener que a banda ja fez, rapidez, poderio, emoção no cantar, que mais se pode pedir, desde cedo vê-se que a voz do Alan Averill está em boa forma ao vermos ele a cuspir com toda a força os refrões: “O, Death where are your teeth / That gnaw on the bones of fabled men / O, Death where are your claws / That haul me from the grave”. Lain with the Wolf é um exemplo perfeito de como se pode fundir vários estilos na perfeição. A um nivel mais Doom Bloodied Yet Unbowed é uma das musicas mais marcantes graças ao seu aumento de intensidade e God's Old Snake mostra aos fãs mais recentes um bocado do passado da banda ao vermos um bocado do Black Metal que a banda explorou no inicio de carreira.

Com The Mouth of Judas chega o momento de os Primordial mostrarem o que melhor fazem que é musica cheia de alma e emoção, o melhor exemplo neste campo é Gallow's Hymn do registo de 2007, uma pessoa que ouça esta musica com os ouvidos bem abertos não é capaz de não prestar atenção, outro bom exemplo é também a The Coffin Ships do trabalho de 2005, muita emoção é o que os Primordial gostam de transmitir em todos os seus trabalhos e a The Mouth of Judas é mais um desses casos, aqui a voz de Alan é usada num registo muito mais limpo.

The Black Hundred e The Puritan's Hand, com Alan Averill sempre no seu melhor, ajudam a aumentar o ambiente para o grande final, Death of the Gods, provavelmente a melhor musica deste trabalho, encerra este registo que certamente, tal como os seus antecessores, irá figurar nas listas de fim de ano para melhor cd do ano. 9/10

domingo, 17 de abril de 2011

Control Denied - The Fragile Art of Existence

Andava eu aqui numa de pesquisar pela net de projectos dos meus músicos preferidos e eis que dou de caras com os Control Denied, uma banda de Metal Progressivo formada pelo mítico líder da banda de Death Metal, os Death, o Senhor Chuck Schuldiner.

Do que achei sobre a história deste projecto foi que o Chuck Schuldiner quis criar uma banda onde pudesse criar música numa onda mais Progressiva com vários elementos de Heavy e Power Metal, nota-se esses elementos mas só mesmo na voz porque na parte instrumental ele não consegue fugir muito do que ele fazia nos Death, em “The Fragile Art of Existence” é notório, em praticamente todas as músicas, as veias dos Death a virem ao de cima, qualquer fã de Death ao ouvir este registo consegue encontrar riffs que uma pessoa só consegue encontrar num registo dos Death, aliás, uma pessoa ao ouvir isto pela primeira vez ate lhe pode parecer uma banda de covers dos Death com voz limpa. Neste projecto o Chuck não empresta a sua capacidade vocal, aqui preferiu deixar Tim Aymar tomar conta desse assunto, Tim Aymar é também o vocalista da banda de Power Metal americana, os Pharaoh. O resto da banda era composto por Shannon Hamm que partilhava com o Chuck os riffs e os solos de guitarra, e também chegou a pertencer ao Death de 1996 a 1999, no baixo estava Steve DiGiorgio que no seu currículo tem passagens pelos Death, Autopsy, Testament, Iced Earth e Obituary, entre outras bandas. A bateria estava reservada para Richard Christy que também já pertenceu aos Death e Iced Earth, vendo bem, tirando Tim Aymar, o resto da banda era uma formação inteira dos Death.

O projecto só tem ate á data um único álbum, “The Fragile Art of Existence” que foi lançado no longínquo ano de 1999, um ano depois do ultimo lançamento dos Death, o “The Sound of Perseverance”. Um segundo álbum dos Control Denied, que ate já tinha nome e tudo, “When Man and Machine Collide”, ainda foi posto em cima da mesa, diversas musicas foram gravadas mas devido á morte do Chuck as gravações sofreram um entrave, mas segundo algumas noticias nos últimos tempos, os restantes membros da banda estão a planear completar o que falta gravar e lançar provavelmente ainda este ano.

Por tudo o que os Death e o próprio Chuck Schuldiner fizeram, este disco merece um lugar ao lado dos trabalhos dos Death, é sem dúvida daquelas pérolas que acabam escondidas no meio de tanta música boa que há pelo mundo fora e que acaba por não ter o devido reconhecimento.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Avantasia - The Flying Opera

Após o ano passado em que os Avantasia lançaram o “The Wicked Symphony” e o “Angel of Babylon”, que juntamente com o registo de 2008, “The Scarecrow”, compõem a The Wicked Trilogy, eis que os Avantasia trazem-nos aqui o primeiro registo ao vivo deste projecto que foi criado pelo Tobias Sammet, líder da banda Germânica de Power Metal, os Edguy. Este dvd foi gravado na tour de 2008 de promoção ao trabalho “The Scarecrow” e conta com as participações de Bob Catley (Magnum), Andre Matos (Angra), Jørn Lande (Jorn, Masterplan) e Kai Hansen (Gamma Ray, ex. Helloween). As gravações foram feitas no festival Alemão Wacken Open Air e no Masters of Rock que é realizado na Republica Checa.

Tendo ate á altura da gravação deste dvd só 3 albums, “The Metal Opera”, “The Metal Opera Part II” e “The Scarecrow”, eles fizeram o que se faz sempre, começaram o concerto com algumas musicas do registo mais recente e depois puseram mais algumas pelo meio da setlist intercaladas com musicas da dupla “The Metal Opera”. Uma “Twisted Mind” tocada na perfeição e com um Tobias Sammet desde cedo a puxar pelo público, deram as hostes para o que viria a ser um grande concerto. Na que é para mim a melhor musica dos Avantasia, a faixa-titulo do álbum de 2008, a “The Scarecrow”, tal como no estúdio, o Tobias conseguiu trazer para a estrada Jørn Lande para dar novamente o seu contributo e a performance é simplesmente fantástica, grande momento.



Após um momento que deve ter deixado muitos dos presentes no Wacken que desconhecem Avantasia de boca aberta nada melhor do que deixar Jørn Lande em palco e ir buscar mais uma bomba do trabalho de 2008, “Another Angel Down”, uma musica de puro Power Metal, um estilo que todos os elementos em cima do palco estão mais que familiarizados. Chega a hora de ir visitar os primeiros trabalhos, neste momento André Matos já está em palco para mostrar o que vale e para isso a escolha foi direccionada á introdução do “The Metal Opera Part I”, a faixa “Prelude” seguida pela “Reach Out For The Light”, com André Matos ainda em palco a banda ficou-se pelos “The Metal Opera” com a “Inside” e a “No Return”.

“The Story Ain‘t Over”, chega a altura de ir buscar aos bastidores o vocalista dos Magnum , o senhor Bob Catley com a sua grande voz de Hard Rock. Com o single “Lost In Space” e a “I Don‘t Believe In Your Love” faz-se o regresso ao album “The Scarecrow”. O melhor da interpretação da musica “Avantasia” é mesmo puder se ver a cara de estupefacção do Tobias ao ver um Wacken inteiro a bater palmas a acompanhar o solo de guitarra e nesse momento vê-se que ele se apercebe o que já conseguiu alcançar com os Avantasia.



Para o encore foi deixado uma “The Toy Master” com a participação de Kai Hansen e do guitarrista Henjo Richter (Gamma Ray). “Farewell” deu mais protagonismo á vocalista Amanda Somerville, que teve o resto do concerto a fazer back vocals e aqui tem o seu tempo a solo. Após a apresentação da banda ao publico eis que chega o momento de encerrar este grande concerto e nada melhor que ir buscar uma musica a cada “The Metal Opera”, “Sign Of the Cross” com Bob Catley, Andre Matos, Jørn Lande e Kai Hansen em palco seguida de um medley da “The Seven Angels” dá por terminado um marco histórico para a ainda curta carreira deste projecto que tem ainda muito por mostrar ao mundo.



01. Twisted Mind
02. The Scarecrow
03. Another Angel Down
04. Prelude/ Reach Out For The Light
05. Inside
06. No Return
07. The Story Ain‘t Over
08. Shelter From The Rain
09. Lost In Space
10. I Don‘t Believe In Your Love
11. Avantasia
12. Serpents In Paradise
13. Promised Land
14. The Toy Master
15. Farewell
16. Sign Of the Cross / The Seven Angels (Medley)

O 2º Dvd é composto por um documentário com o líder do projecto, o Senhor Tobias Sammet a contar-nos o percurso do projecto ate aos dias de hoje, as entradas e saídas, os muitos músicos que deram sua contribuição, os dias passados na estrada, a concepção do “The Scarecrow”, a escolha da “Lost In Space” para o primeiro single e as criticas que ele próprio recebeu devido á sonoridade dessa mesma. Também mostram diversas imagens dos países por onde a banda passou durante a tour, Tobias conta como se sentiu ao ir encabeçar um dos dias do festival Wacken e ter á sua frente dezenas de milhar de pessoas, algo que ele com os Edguy nunca tinha visto e sentido, e muitos outros temas são aqui abordados, este documentário embora simples ta muito bem feito, tem tudo o que um fã pede. Para completar o espaço do 2º dvd nada como por uns quantos videoclips, “Lost In Space”, “Carry Me Over” e a “Dying For An Angel” foram as músicas escolhidas, e para completar ainda foi disponibilizado o Making of do vídeo da “Dying For An Angel”.

Tobias Sammet com apenas 33 anos, alem de mostrar que é um excelente musico, líder e compositor, ele já conseguiu muito mais que muitos músicos que já pisaram este mundo, as vendas dos cds dos Avantasia tem estados boas, os únicos concertos que o projecto já fez tiveram casa cheia, mas sendo isto um projecto é normal contar com varias participações e é isso que é importante destacar, a enorme quantidade e também a qualidade dos músicos que Tobias já conseguiu trazer este projecto para darem a sua contribuição seja nos albums seja ao vivo, ora vejamos, no que toca a vocalistas: Michael Kiske (ex. Helloween), David DeFeis (Virgin Steele), Sharon den Adel (Within Temptation), Andre Matos (ex. Angra), Kai Hansen (Gamma Ray, Helloween) que é um dos maiores idolos de infância de Tobias, Timo Tolkki (Stratovarius), Bob Catley (Magnum), Jørn Lande (Masterplan, Jorn), Roy Khan (Kamelot), Alice Cooper, Russell Allen (Symphony X), Jon Oliva (Savatage, Jon Oliva's Pain), Klaus Meine (Scorpions) e Tim "Ripper" Owens (ex. Judas Priest, ex. Iced Earth), é uma lista de respeito.

No que toca a músicos nos mais variados instrumentos é mais uma mão cheia: Henjo Richter (Gamma Ray), Markus Grosskopf (Helloween), Alex Holzwarth (Rhapsody of Fire, Angra), Jens Ludwig (Edguy), Timo Tolkki (Stratovarius), Sascha Paeth (Kamelot), Michael "Miro" Rodenberg (Kamelot), Rudolph Schenker (Scorpions), Jens Johansson (Stratovarius), Bruce Kulick (ex. Kiss), Felix Bohnke (Edguy) e Eric Singer (Kiss, Black Sabbath, Alice Cooper).

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Em Portugal também se faz bom Metal

Este artigo foi feito com base numa conversa que tive no Pavilhão Atlântico antes de começar os concertos de Megadeth e Slayer em que atrás de mim estavam um grupo de três gajos com idades a rondar os 18 anos (creio eu) e estavam a falar sobre se W.A.K.O. iriam tocar ou não e a mim como tanto os seguranças como outras pessoas lá presentes já me tinham confirmado que eles não iriam tocar eu disse-lhes, um deles virou-se e disse “por mim é igual, nem sei quem são”, eu apenas disse que eles eram portugueses e depois só ouço os três rapazes ao mesmo tempo a dizer “por isso mesmo”, nem queiram saber como fiquei, alem de ver o pessoal mais novo a só ouvir as cenas mais conhecidas muitos também não ligam á boa musica que se faz em Portugal, é de facto lamentável, as únicas bandas que eles disseram que conheciam eram os Moonspell (banda portuguesa mais famosa) e os Ramp que há bem pouco tempo abriram o dia do Metal no festival Alive.

Vou aqui falar de varias bandas que eu gosto de ouvir e vou começar pelos Switchtense, uma banda que tem vindo a destruir muitas salas com o seu Death/Thrash Metal bem potente do seu, ate agora único, lançamento de longa duração “Confrontation Of Souls” que já data de 2009. Formados em 2002 na Moita, eles tem vindo a lançar diversos EP’s e demos mas só em 2009 através da editora portuguesa Rastilho Records é que finalmente conseguiram mostrar o seu trabalho ao país, desde então tem encabeçado diversas Tours dessa editora, tem aberto concertos de outras bandas portuguesas mais famosas como por exemplo a banda de Crust Punk os Simbiose aquando do seu também ultimo lançamento “Fake Dimension”. Para este ano já está agendado o segundo lançamento dos Switchtense.



Na mesma onda dos Switchtense e também saídos da Rastilho Records, os Echidna são mais uma das futuras promessas a aparecerem nos últimos anos e tal como os Switchtense o percurso foi quase o mesmo, formados em 2001 em Gaia, algumas demos pelo meio ate que em 2008, lançam “Insidious Awakening”, uma injecção letal de afirmação rápida no nosso pais. Para este ano também está previsto o próximo álbum deles que já está intitulado de “Dawn of the Sociopath”, 2011 vai ser um ano de mais boa música portuguesa.



Qualquer pessoa que esteve na única edição do Alliance Fest ou que tenha visto os We Are The Damned ao vivo quando a Sofia Loureiro ainda era a vocalista de serviço sabe que eles não brincam em serviço, o seu cd de 2008 “The Shape of Hell to Come” trouxe uma mistura de Death 'n' Roll, uma mistura curiosa pelo facto de na voz estar uma rapariga bem “lingrinhas” em que nos concertos deixava muita gente a pensar de como é que aquela figura conseguia mostrar esta fúria toda na sua voz. (entretanto a Sofia saiu da banda, a banda já lançou um novo cd mas eu já não os acompanho há algum tempo)



Os Desire são uma das bandas há que mais tempo andam pelo nosso pais, Doom/Death de muita qualidade, tiveram uns anos 90 muito preenchido a lançar varias demos e o seu primeiro álbum “Infinity... A Timeless Journey through an Emotional Dream”, na decada de 00 lançaram em 2002 o que é para mim o seu melhor trabalho, “Locus Horrendus - The Night Cries of a Sullen Soul”, após uma pausa de 7 anos voltaram ao activo com o Ep “Crowcifix”, em que traz duas musicas novas e uma gravação ao vivo de uma musica que já fazia parte do “Locus Horrendus. Entretanto de novo registo não há notícias, só se sabe que estão á procura de um novo teclista.



A representar o Death Metal old school temos os Theriomorphic, liderados pelo seu vocalista/baixista Jó, figura que tem estado presente em muitos concertos e eventos de Metal pelo país fora, seja a tocar, vender merch ou simplesmente a conviver com o pessoal. Formados em 1997 já contam com dois cds, “Enter the Mighty Theriomorphic” de 2005 e “The Beast Brigade” de 2008, a data para um futuro registo ainda é desconhecida.



Num país difícil como o nosso os Process Of Guilt lá conseguem ter o seu espaço e tem conseguido ser uma das bandas mais activadas da última década devido aos diversos lançamentos, ora vejamos, duas demos, dois albums, um split e algumas regravações de antigas maquetas. Com o seu Doom/Death bem vincado, esta banda de Évora tem mostrado enormíssima qualidade e é de crer que ao 3º álbum vai ser a sua afirmação como uma das principais bandas de Portugal.



Ao falarmos de forças que tem aparecido em grande nos últimos anos também tenho que falar dos Almeirinenses W.A.K.O. (We Are Killing Ourselves), com apenas um álbum que já data de 2007 debaixo do braço os W.A.K.O. tem sido uma banda bem activa com já algumas de concertos dados, e no currículo já se podem orgulhar de terem partilhado o palco com Soulfly, Sepultura, Moonspell, Municipal Waste, Bizarra Locomotiva, Benediction, Obituary, Textures, Pestilence e Aborted. Em 2008 falou-se que iriam abrir o concerto dos Down no Coliseu de Lisboa mas a coisa não passou de um rumor, á uns dias atrás iriam ter a possibilidade de partilhar o palco com alguns dos seus maiores ídolos mas devidos às ainda péssimas organizadoras do nosso país eles tiveram que cancelar á ultima da hora. No mês de Março lançaram o seu segundo álbum, “The Road Of Awareness”.



Os Pitch Black tem sido os representantes do Thrash Metal no nosso país, formados em 2001 tem tido uma carreira sempre a subir contando já com duas demos e dois albums na bagagem, “Thrash Killing Machine” de 2005 mostra uma banda ainda á procura da sua sonoridade mas com “Hate Division” de 2009 os Pitch Black já se mostram mais maduros e com um som bem mais pesado e já com mostras de claro evolução da parte dos seus elementos.



Ao falarmos de dinossauros do Metal portugueses é impossível não irmos buscar os açorianos Morbid Death com o seu Thrash Metal musculado, com uma carreira de mais de 20 anos são uma das bandas mais respeitadas no panorama nacional. O pessoal mais old school de certeza que conhece o mítico vídeo da música “Miséria” que foi gravado em 1992 em que se vê uns Morbid Death ainda bem novinhos a tocar ao lado das vacas a pastar. Já com 3 albums editados e um dvd ao vivo, o seu último lançamento data de 2010 com o Ep “Methamorphic Reaction”.



Dentro do Metalcore, género musical que não tem muitos apreciados neste lado do planeta, os Before The Torn tem conseguido agradar a muitos amantes do Metal tradicional e tem vindo a mostrar que são uma banda competente e com talento para ir longe. Formados em 2004 tem mostrado trabalho quase todos os anos ate aos dias de hoje, “The Serpent Smile” lançado este ano é a mais recente aposta em mostrar ao mundo que deste lado do Atlântico também se faz bom Metalcore, aliás, Metalcore bem mais musculado e nada amaricado como o que é mostrado pelos Americanos.



Em 1996 formaram-se os Heavenwood, com o seu Metal Gótico lançaram logo 2 albums em três anos, “Diva” e “Swallow”, tendo neste ultimo registo a participação de alguns músicos de reconhecimento internacional a cantar em algumas musicas, Kai Hansen (Gamma Ray e ex. Helloween) e Liv Kristine, na altura nos Theatre of Tragedy e agora lidera os seus Leaves' Eyes. Após uma pausa de 10 anos os Heavenwood voltam com “Redemption”, um dos melhores cds nacionais de 2008, e este ano já anda a rolar por ai “Abyss Masterpiece”, mais uma obra-prima destes senhores.



Como falei nos Açores tambem tenho que falar da Madeira e os representantes são os Karnak Seti com o seu Thrash/Death Metal bem sólido. Formados em 2001 lançaram diversos demos ate 2009, ano em que lançaram o seu primeiro e ate agora único álbum intitulado de “Scars of Your Decay”.



Assim que puder faço mais artigos com mais bandas.