quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Sólstafir - Svartir Sandar

Por entre demos, eps e o álbum de estreia “Í Blóði og Anda” lançado em 2002, o início da carreira dos Islandeses Sólstafir ficou marcada por uma sonoridade dentro do Black Metal, embora em termos instrumentais a banda já vinha mostrando um pouco o querer fugir daquele som e ir pelo que tocam atualmente que é Metal/Rock Psicadélico, nota-se claramente que o álbum de estreia foi um álbum de pesquisa. Com o álbum de 2005 “Masterpiece Of Bitterness” deu-se início a essa transformação, o fugir do som cru do Black Metal e com o gigante “Köld” de 2009 foi o solidar do que são os Sólstafir neste momento da sua carreira.

Este ano foi lançado “Svartir Sandar”, um álbum duplo que segue as pisadas do seu antecessor, e só porque é duplo não pensem que isto tem uma duração enorme. Tal como o “The Guessing Game” dos Cathedral lançado o ano passado, este trabalho só é duplo por uma questão de estética porque a duração deste trabalho permite encaixar tudo num único disco, no caso do dos Cathedral, eles puseram intro, outro e algumas interludes para puderem encher espaço.

Com a sua mistura entre Post-Rock e Rock Psicadélico, este registo abre sem demoras com a sua música mais longa, “Ljós í Stormi” seguida de “Fjara”, uma faixa que parece uma música tradicional de um pais graças á sua simplicidade, ritmo e melodia. “Þín Orð” é a típica música que quando tocada ao vivo para levar toda a gente á loucura graças ao trabalho frenético de guitarra. Para o fim do primeiro disco ficaram “Æra”, que possui um grande trabalho de piano, e “Kukl”, uma música lenta, a meio tempo, talvez para servir como descanso ao ouvinte, algo do género seria interessante caso não tivéssemos que mudar de disco.

No segundo disco temos que dar destaque às faixas “Melrakkablús” com a sua grande beleza, grande porque é mesmo uma das mais longas aqui presentes e beleza porque incorpora um pouco de tudo o que a banda consegue fazer dentro do Rock, sem dúvida uma das melhores faixas deste trabalho. A embora curta mas energética “Draumfari” e extravagante faixa-titulo “Svartir Sandar” prepararam-nos para o melhor. Como se costuma dizer, para o fim fica sempre o melhor e aqui aplica-se essa célebre expressão.

A melhor comparação que se pode fazer á ultima faixa deste grande trabalho, a “Djákninn”, e isto que digo é para quem conhece os trabalhos da banda, é que esta faixa pode muito bem ser o irmão mais novo da faixa-titulo do “Köld”, para quem não conhece, ouçam ambas com os ouvidos bem abertos e em ambas vão sentir como se tivessem a serem inundados de energia e ganhassem forças para fazer seja o que for, ambas tem um nível de ‘growing’ enorme. 9.3

A ver se com este registo a banda ganha mais reputação e consigam fazer uma tour pela europa em nome próprio. Eles são uma banda com muito talento e ao vivo tem muita presença de palco, o ano passado passaram pelo nosso pais juntamente com os Swallow The Sun e os Mar De Grises e para quem não os conhecia de certeza que ganharam uns fãs nacionais naquela noite no Musicbox.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Amon Amarth + Septic Flesh no Incrivel Almadense 01/11/11

Pela segunda noite consecutiva o Incrivel Almandense pintou-se de negro, desta para receber os vikings Amon Amarth com o seu Death Metal tanto melódico como musculado e os Septic Flesh com o seu Death Metal que tem vindo a receber mais melodia principalmente no último registo da banda que grandes momentos sinfónicos.

Tal como é habitual num concerto de Metal o ambiente á porta do recinto é sempre de muita camaradagem e um ponto de encontro para ver amigos que normalmente só se vem nos concertos devido a morarem longe. Os maiores adereços visto foram sem duvida tshirts de Amon Amarth, não fossem eles a banda da noite, e claro, muitas tshirts das varias edições já realizadas do festival Vagos Open Air onde os Amon Amarth já la passaram na primeira edição realizada em 2009.

Antes do inicio dos concertos e á medida que se ia entrando no Incrivel Almadense, o Vagos Open Air foi tema de conversa já que durante a noite de ontem confirmou para a sua edição de 2012 dois nomes de peso, Enslaved, banda que nos últimos anos tem vindo a destacar-se como força prominente da cena Black Metal e não só graças às várias experimentações que podem ser ouvidas no excelente Axioma Ethica Odini lançado o ano passado. E os Overkill, a mítica banda de Thrash Metal que já leva uma carreira com mais de 30 anos e que o ano passado também lançou um grande registo intitulado de Ironbound.

A atuação dos Septic Flesh ficou marcada pela fraca qualidade de som, as partes melódicas das guitarras e as vozes limpas que se destacam nas músicas do último álbum mal se ouviam. Tendo a banda pouco tempo disponível eles não alargaram muito o tempo de antena da sua discografia e ficaram-se só pelos dois últimos albums, o Communion de 2008 e o The Great Mass lançado este ano.

Tirando os problemas de som a prestação da banda foi boa dentro dos possíveis, sempre a puxar pelo público e esse claro respondeu como melhor sabe, com diversos moshes. Musicas recentes como a “The Vampire from Nazareth” e “A Great Mass of Death” foram intercaladas com a faixa-titulo e a “We the Gods” do último álbum. Spiros "Seth" Antoniou foi sempre figura de destaque com os seus ‘are you ready motherfuckers?’. No final ficou reservada “Persepolis”, que a pedido da banda teve direito a uma wall of death.

The Vampire from Nazareth
Communion
A Great Mass of Death
We the Gods
Pyramid God
Five-Pointed Star
Anubis
Persepolis

Sala a abarrotar pelas costuras, cervejas em punho, bandeiras a esvoaçar, toda a gente está pronta, hora de Amon Amarth, “War of the Gods”, primeira faixa do álbum Surtur Rising lançado este ano, seguida da “Runes to My Memory”, mostram desde cedo a banda a querer dar espetáculo graças á sua grande boa disposição e o publico, como é normal nestes acontecimentos, responde com mosh a cada batida e riff. Quando se pensava que os movimentos entre o publico já tinham sido algo puxados eis que a banda toca a destrutiva “Destroyer of the Universe” e é aqui que vai tudo á loucura ao vermos os efeitos do mosh chegarem ate às partes laterais da plateia onde normalmente nunca há confusão e muita gente vai para essa zona mesmo para não levar com ninguém em cima.

Durante todo concerto a figura imponente que é Johan Hegg foi sempre o centro das atenções e os seus conhecimentos geográficos deixavam sempre muita gente a rir. Outro ponto a focar é a sua capacidade vocal, ele consegue ter o seu destaque na cena Death Metal porque ele é dos poucos cujas palavras se percebem tanto em estúdio como ao vivo. “Varyags of Miklagaard” com o seu ritmo a soar a hino de guerra pós não só a banda mas tanto o publico a fazerem headbang sincronizado. “Slaves of Fear” e “A Beast Am I” do album mais recente abriram portas para “Ride For Vengeance”, a primeira faixa do primeiro álbum da banda, o Once Sent from the Golden Hall de 1998.

A apoteótica “Free Will Sacrifice” foi seguida da “Death in Fire”, sendo o derradeiro hino da banda foi normal o ambiente vivido na sala, mosh a rebentar por todo o lado, já nem existiam pit’s, cabelos a esvoaçar, suor a escorrer de tanto mosh, o calor aumentou, viu-se o que esta música é para os fãs da banda. Para o encore ficou duas músicas do Twilight Of The Thunder God, a faixa-titulo para uns últimos headbangs e “Guardians of Asgaard” cujo refrão foi entoado a pulmões cheios pelo público.

Mais um grande concerto destes senhores que já ca tinham vindo em 2007 quando abriram para Dimmu Borgir em 2007 e também em 2009 na 1º edição do Vagos open Air, mas agora com um concerto em nome próprio mostraram o seu grande valor e qualidade e também o porquê de estarem no top do universo pesado.

War of the Gods
Runes to My Memory
Destroyer of the Universe
Live Without Regrets
The Pursuit of Vikings
For Victory or Death
Varyags of Miklagaard
Slaves of Fear
A Beast Am I
Ride For Vengeance
Embrace of the Endless Ocean
Free Will Sacrifice
Asator
Death in Fire
Twilight of the Thunder God
Guardians of Asgaard

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Moonspell - Concerto Wolfheart - Incrivel Halloween 2011

Devem ser dezenas, centenas, senão mesmo milhares as razões de muita gente considerar os Moonspell o expoente máximo do Metal nacional, a partir da noite de ontem consigo referir duas dessas razoes.

O Wolfheart, o álbum celebrado nesta noite de Halloween, alem de ser o representante máximo do metal nacional em terras estrangeiras como na Alemanha, onde a banda tem uma legião de fãs quase ao mesmo nível da nacional, é também considerado pelo industria musical portuguesa um dos melhores albums já feitos por artistas portugueses e tem lugar de destaque ao lado de albums de Rui Veloso, Amália, Carlos Paredes e Ornatos Violeta.

A outra é que eles são uma banda que qualquer pessoa que ouça Metal já os viu ao vivo pelo menos uma vez, mas mesmo assim conseguiram esgotar uma sala estando a comunidade metaleira prestes a entrar num dos meses com mais concertos de sempre no nosso pais, vou só referir os mais importantes, Amon Amarth+Septic Flesh, Opeth+Pain Of Salvation, Amorphis+Leprous, Ulver, Turisas+Gwydion e Machine Head+Bring Me The Horizon+Devil Driver+Darkest Hour.

O início do espetáculo ficou marcado por uma projeção em tela de imagens promocionais e fotos de concertos de diferentes pontos da carreira da banda e também de diferentes imagens alusivas ao álbum da noite, fotos de lobos foram intercaladas com as diferentes capas a que o álbum já teve direito.

Após uns longos 45 minutos de espera eis que chega a hora de imortalizar o registo Wolfheart ao ser tocado na sua íntegra. Do início ao fim o pessoal não arredou pé e em todas as músicas ouviram-se palmas a acompanhar as batidas, coro, grande parte dos presentes cantaram as músicas, melhor ambiente era impossível. Uma frenética “Wolfshade (A Werewolf Masquerade)” foi sinonimo de headbang e “Love Crimes” trouxe os primeiros coros da noite. “...Of Dreams and Drama (Midnight Ride)”, “Lua d'Inverno” seguida do hino “Trebaruna”, foi tudo interpretado na perfeição. Antes do clássico “Vampira” foi tocada a “Ataegina”, a entrada desta música no set pode ter sido estranha por não figurar no alinhamento original do álbum porque foi inserida como faixa bónus numa das edições mais recentes, mas foi sem dúvida um grande bónus para este noite de festa, com a seu veia de folk pôs muitos presentes a dançar.

Para dar como encerrada a primeira parte do espetáculo só falta duas músicas, a mítica “An Erotic Alchemy” seguida “Alma Mater” a que o Fernando Ribeiro deixou o público cantar grande parte da letra. Ver um Incrível Almadense esgotado com os três pisos pintados de pretos a cantarem a “Alma Mater” é daqueles momentos únicos na vida de alguém que gosta de Moonspell.

Para a segunda parte do concerto a banda só visitou dois registos, um foi a compilação de 2007 dos seus demos de início da carreira, o Under Satanæ, ao qual foram buscar “Tenebrarium”, “Opus Diabolicum”, “Goat On Fire”. Não sendo músicas bastantes conhecidas do universo de fãs da banda, a reação a estas músicas não foi muita, mas mesmo assim notou-se que havia varias pessoas a quem estas musicas pertenceram á sua adolescência nos anos 90. Durante a interpretação destas músicas estiveram em palco três dançarinas a fazer dança do ventre

Para o fim a banda ficou-se pelo seu segundo álbum, o Irreligious ao qual retiraram as suas melhores faixas. “Opium” tal como tinha sido a “Alma Mater” foi entoada pela maioria dos presentes. “Raven Claws” foi precedida sem descanso pela mística “Mephisto” e a habitual “Fullmoon Madness” deu por encerrada mais uma grande noite de um evento que já é habitual da banda quando chega a noite de Halloween. Uma última coisa a registar é podermos esperar por um novo álbum dos Moonspell já na Primavera de 2012.

Wolfshade (A Werewolf Masquerade)
Love Crimes
...Of Dreams and Drama (Midnight Ride)
Lua d'Inverno
Trebaruna
Ataegina
Vampiria
An Erotic Alchemy
Alma Mater
Tenebrarium
Opus Diabolicum
Goat On Fire
Opium
Awake!
Raven Claws/Mephisto
Fullmoon Madness

sábado, 29 de outubro de 2011

Black Sun Aeon - Blacklight Deliverance

Nos últimos anos o multi-instrumentista Finlandês Tuomas Saukkonen tem sido um homem bastante ocupado devido aos seus projetos Black Sun Aeon e Before the Dawn, com os Before The Dawn lançou em 2007 o “Deadlight”, em 2008 o “Soundscape of Silence” e no início deste ano lançou o excelente “Deathstar Rising” com as suas misturas perfeitas entre voz gutural e voz limpa.




Com os “Black Sun Aeon” lançou em 2009 o “Darkness Walks Beside Me”, o ano passado o álbum duplo intitulado de “Routa” que trouxe mais reconhecimento a este projeto. Este ano, pela primeira vez, Tuomas lança um álbum de cada projeto no mesmo ano, “Blacklight Deliverance”, mostra um álbum bem mais pesado que o “Deathstar Rising” dos Before the Dawn.

“Routa”, sendo um álbum duplo, certamente que fez muita gente a pensar que não seria muito cedo que iriam voltar a ouvir falar nos Black Sun Aeon, o álbum está cheio de ideias e pormenores curiosos e misturava tudo o que há de bom dentro do Doom Metal em termos de melodia. Com este inesperado “Blacklight Deliverance”, Tuomas mostra que tem um baú cheio de ideias e não interessa qual o projeto escolhido para mostrar tudo o que tem. Ele torna novamente a tocar todos os instrumentos e as vozes limpas ficaram ao cargo de Janica Lönn (Lunar Path) que mostra ter uma voz perfeita dentro da música folk, e Mikko Heikkilä (Sinamore, RoutaSielu) que já provinha dos outros albums continua a mostrar bom serviço, vejam o trabalho dele na “Oblivion”. Na música “Solitude” podemos ouvir ambas as vozes na mesma música.

O intro da “Wasteland” ao som de um piano e que em certos momentos ouve-se um pequeno raspar como se tivéssemos a ouvir um antigo vinil poe-nos em atenção a pensar que pode vir dai uma bela melodia, mas logo de rompante levamos com mais um pouco de brutalidade, no solo de guitarra podemos ouvir um bocado da veia virtuosa da mente deste projeto.

Tuomas tem uma voz gutural de meter respeito, ouça-se “Sheol” e “Horizon”. Mas é mais uma vez o grande trabalho de guitarra, que é bem provável ser o seu ponto forte, que leva os maiores créditos ao mostrar na perfeição as enormes influencias dentro do metal Finlandês com a sua melodia no meio de tanto peso, mais uma vez faço referência á musica “Sheol”. Qualquer fã de metal Nórdico vai gostar deste trabalho, tal como todo o trabalho que Tuomas Saukkonen já fez em toda a sua carreira. 8.7

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Myrath - Tales of the Sand

O Metal com sonoridade Oriental tem vindo a receber mais atenção nos últimos anos graças a bandas Melechesh, Arkan e claro Orphaned Land que tem sido os capitães de um estilo que tem vindo a trazer uma lufada de ar fresco, e os Tunisinos Myrath também se incluem nesse lote, tem uma sonoridade mais limpa, a roçar o Power Metal, mas as influências estão mais que vincadas e mesmo tendo uma carreira curta já são uma banda com respeito dentro do metal progressivo.

Os Myrath (cujo significado é Legado) foram formados em 2001 pelo guitarrista Malek Ben Arbia, que na altura só tinha 13, juntamente com uns amigos de infância, com o passar dos anos a banda só tocava covers e teve varias formações, ate que chegado ao ano de 2006 a banda começou a compor e foram lançados “Hope” e “Desert Call”, lançados em 2007 e 2010 respetivamente, com estes albums a banda mostrou ao mundo uma banda a querer crescer o mais rápido possível, com “Tales of the Sand” é o culminar dessa travessia.

“Tales of the Sand” não é um trabalho complexo como os últimos trabalhos dos Orphaned Land ou dos Melechesh por exemplo, não mostra nenhum rasgo de genialidade, mas tem tudo no lugar, soa bem e que tem a sua própria característica e é isso que interessa, um álbum para agradar a tudo e todos, nenhuma musica consegue ter o seu destaque porque tudo flui perfeitamente, é daqueles trabalhos que uma pessoa poe a tocar e assim que presta a devida atenção á medida que vai ouvindo as vozes ou os instrumentos de influencia Oriental o tempo passa num instante tamanho prazer e diversão que se sente a ouvir este novo trabalho dos Myrath.

Para o final do ano os Myrath vão andar na estrada juntamente com os Arkan e os Orphaned Land a encabeçar este pequena tour de sons Orientais, e musicas como “Under Siege”,“Braving the Seas” e “Beyond the Stars” irão, certamente, figurar na setlists da banda porque, tal como praticamente todas as musicas deste registo, conseguem por toda a gente num estado grande de festa, é pena que esta tour não passe por Portugal e que Espanha vá receber 2 datas e França 5.

Nota final: 8.8