Graças ao trabalho lançado o ano passado, The Never Ending way of OrWarriOr, os Orphaned Land tem quebrado varias barreiras pelo mundo fora e tem atingido um estatuto de culto enorme e como a própria banda se apercebeu disso nada melhor que lançar um dvd ao vivo como um género de comemoração desta fase da carreira da banda Israelita que já leva 20 anos de carreira.
Os detalhes ainda são escassos como por exemplo que setlist foi apresentada mas uma coisa já se pode ver através do trailer que é a participação de Steven Wilson em alguns momentos do concerto, o grande líder da banda Porcupine Tree, e também produtor do The Never Ending way of OrWarriOr dos Orphaned Land dá o seu contributo num concerto de uma banda que para ele é das melhores e das mais interessantes do mundo actualmente.
Para quem é fã é definitivamente um must have.
O ano passado a banda veio ca dar dois concertos, um no festival SWR Barroselas e no dia anterior tiveram no Santiago Alquimista, concerto ao qual eu fiz uma review e postei aqui no fórum, quem quiser reler deixo aqui o link:Orphaned Land no Santiago Alquismista 01/05/2010
Não foram os 36 graus de temperatura que se sentiu em Lisboa no passado Domingo que impediu mais uma procissão á sala de espectáculos Musicbox, desta feita para receber o regresso dos Japoneses Boris que trouxeram com eles uma das melhores bandas de Post-Rock do mundo, os Russian Circles, no que toca ás hostes da noite ficaram ao cargo dos Saade, banda de Stoner Rock oriunda da Republica Checa.
Tal como já foi dito, o calor foi uma figura bem marcante durante o dia todo, quando as primeiras pessoas chegaram ás imediações do Musicbox a temperatura já estava bem mais fresca coisa que ajudou ao bom ambiente que se vivia á entrada com o convívio entre as pessoas e com isso tudo era visível a cada chegada de grupos que os presentes eram apreciadores dos mais variados tipos de musica, sim porque se formos a ver bem, as principais bandas da noite não tem um publico definido, a sua musica é ouvida por todo e mais variado tipo de gente, então no que toca aos Boris conseguem agradar a um publico vastamente abrangente graças ás diferentes passagens que a banda já fez por diversos estilos ao longo da carreira, ora vejamos alguns, Stoner Rock, Drone Metal, Rock Experimental, Rock Psicadélico, Noise Rock, Sludge Metal, entre outras variações.
Os bastante desconhecidos Saade, com o seu Stoner Rock bem competente e poderoso para a noite que ai vinha realizar tiveram uma performance bem sólida, esta banda é apenas composto por uma dupla, guitarrista e baterista, para o estilo que a banda produz a entrada de um baixista creio que poderia dar-lhes um som mais característico, mas mesmo assim tão com um bom som, so a voz é que não se percebeu muito bem, mas com 20 mins disponíveis a banda fez o que pode e deu um bom espectáculo.
Russian Circles, uma das bandas que fez o pessoal sair de casa num dos dias de maior calor do ano até agora, a setlist escolhida fez passagens por todos os registos da banda e ate tivemos direito a uma música que vai sair no novo trabalho que vai ser posto á venda em Outubro deste ano. Todas as musica tiveram direito a fortes headbangs da parte do publico, as musicas foram todas tocadas como foram gravadas, a única coisa contra do meu ponto de vista foram as enormes pausas que a banda fez entre cada musica, sem exagero, sem contabilizarmos o tempo todo em que a banda não tocou quase que dava pa por ali no meio mais umas 3 musicas no mínimo. “Harper Lewis” com a sua intro perfeita abriu o caminho para uma viagem do melhor que há dentro do Post-Rock. A faixa titulo do registo de 2009, Geneva, foi a que deu o click no publico que lhes permitiu ganhar a sua libertação e começar então a sentir a musica e a forma escolhida foi o headbang, headbang esse que permaneceu o resto da noite em todas as musicas da banda de Chicago. Em “Station” creio que foram poucas as pessoas que não deram uns valentes headbangs e com a “Death Rides A Horse” a fechar foi mesmo para a loucura, era toda a gente a fazer headbangs, air guitars, air drums, alguns saltos, foi mesmo para fechar em grande, so não foi perfeito devido ás enormes pausas que faziam sempre o pessoal ficar quieto e sem assim notarem ainda mais no calor que se sentia dentro da sala.
Harper Lewis Geneva Youngblood 309 Malko Station Death Rides A Horse
Após um assombroso concerto da parte dos Russian Circles eis que chega a hora do prato principal, os japoneses Boris. A sua performance foi quase inteiramente composta por músicas dos trabalhos mais recentes da banda, Heavy Rocks e Attention Please deram cada um três músicas. Uma coisa que todos os presentes viram de certeza foi o enorme bongo em cima do palco, um objecto que já vem sendo famoso nos concertos da banda nipónica, outra ponto de interesse so pode ser visto pelo publico que esta mais á frente e eram os incontáveis pedais que a banda usa.
“Riot Sugar” bem pesada agarrou desde cedo os presentes e com a “8” deu-se origem a uma coisa que certamente ninguém estaria á espera, ou seja, um mosh pit, e a banda a ver aquilo não se importou e teve sempre a puxar pelo publico, o baterista Atsuo foi o elemento mais activo da banda sempre alegre e sempre a fazer contacto visual com o publico. Michio Kurihara, no seu cantinho, com a sua postura rígida e maneira de tocar fazia lembrar um Tony Iommi de agora. Wata teve sempre bastante timida mas nao a impediu de mostrar os seus dotes na segunda parte do concerto em que a banda virou-se completamente para o cd Attention Please, das três música escolhidas, “Party Boy” foi a melhor recebida e notava-se que o publico já a conhecia bem. Takeshi com uma guitarra e um baixo a partilharem o mesmo corpo mostrou grandes dotes ao tocar ambos nas mesmas músicas. Para fechar a noite nada melhor que duas das melhores composições que esta banda já fez, a “Missing Pieces” cheia de alma e a explosiva “Aileron”. Foi daqueles noites a que se pode chamar de perfeita, grande ambiente, grandes concertos e muita boa disposição ao ouvirmos diversas vezes ao longo da noite uma pessoa no fundo a fazer sempre o mesmo pedido: “toquem Slayer”, são estes momentos que ajudam a marcar um evento desta grandeza.
Na passada quarta feira, ali na zona de Santiago em Lisboa, mais concretamente no Santiago Alquimista pode-se testemunhar que o Punk Rock original está vivo e recomenda-se.
Marky Ramone, baterista dos Ramones durante 15 anos juntamente com Michale Graves que durante os anos 90 foi o vocalista de serviço na reencarnação dos Misfits e entre os vários registos que gravou com a banda o mais notório é bem capaz de ser o American Psycho, estas duas lendas do Punk Rock mundial mostraram a um público bastante diverso como se faz bom Punk Rock. O público que este presente no Santiago Alquimista ia dos 15 anos 65 (ou mais), foi daqueles concertos em que pais e filhos podiam ir juntos sem causar embaraços de levar o cota atrás ou ter que levar o filho para não ficar sozinho em casa.
As musicas escolhidas para este noite não podiam ser muito diversas, tendo o nome do projecto o nome do antigo membro dos Ramones já se sabia que a noite iria ser quase inteiramente focada na carreira da banda Americana, pelo meio também se ouviu umas covers de Creedence Clearwater Revival (Have You Ever Seen the Rain?), Louis Armstrong (What a Wonderful World), Motörhead (R.A.M.O.N.E.S.) e tambem se pode ouvir uma musica original deste projecto, “When We Were Angels”.
Com pressa em animar a noite a banda não se fez rogada e tocou o primeiro set de uma assentada sem descanso, “Rockaway Beach” iniciou a noite e foi logo seguida de inúmeros clássicos do Punk Rock, “Psycho Therapy”, “Sheena Is A Punk Rocker”, “Beat On The Brat”, “Gimme Gimme Shock Treatment”, “Judy Is A Punk”, “The KKK Took My Baby Away”, “I Wanna Be Sedated” (uma das musicas em que se sentiu mais a presença do publico e toda a gente sabe o porquê), “I Don't Wanna Walk Around With You” e “Pinhead” fecharam o primeiro set. Após um pequeno descanso a banda regressa para tocaram “I Just Want To Have Something To Do”, “Cretin Hop” e “R.A.M.O.N.E.S.” para depois assim se puder dar o merecido tempo a solo do Senhor Michael Graves em que tocou algumas músicas em Acústico da sua fase nos Misfits, em “Scream” houve muitos coros a vir do publico.
Para o Grand Finale, “When We Were Angels”, um original deste projecto, “What a Wonderful World” em que toda a gente no mundo sabe a letra e para o fim a tão esperada “Blitzkrieg Bop”, neste momento o Alquimista tremia por todo o lado tamanha era a festa.
Marky Ramone parecia um jovem, tamanha a rapidez em que executava todas as musicas conseguia fazer inveja a muitos jovens de hoje em dia que usam pedal duplo e que pensam que a rapidez é o que conta. A noite era para uma celebração das musicas dos Ramones mas o homem da noite acabou por ser Michael Graves, o homem é um monstro em palco, sempre a puxar pelo publico, sempre aos saltos, nunca errou nas letras, e o que dizer da poderosa voz que possui, incrível mesmo. Os outros dois elementos apenas posso dizer que o guitarrista acertou todos os riffs que se lhe pedia e o baixista (que mais parecia um Steve-O do Jackass num dia em que tivesse tomado alguma droga) foi em todas as músicas o apresentador de serviço ao dizer sempre “one, two, three” no inicio de cada musica mesmo a dizer ao publico: “tomem lá mais uma bomba, é para partir isto tudo”.
Com um Alquimista esgotado pode-se prever que caso este projecto lance um registo sólido e depois lancem-se á estrada pode ser que quando ca voltarem o Coliseu seja a casa deles.
Rockaway Beach Teenage Lobotomy Psycho Therapy Do You Wanna Dance? I Don't Care Sheena Is A Punk Rocker Havana Affair Commando Beat On The Brat 53rd and 3rd Rock n Roll radio Now I Wanna Sniff Some Glue Gimme Gimme Shock Treatment Rock'N'Roll High School She's The One Judy Is A Punk Poison Heart I Believe In Miracles The KKK Took My Baby Away Pet Sematary Chinese Rock I Wanna Be Sedated I Don't Wanna Walk Around With You Pinhead
Encore: I Just Want To Have Something To Do Cretin Hop R.A.M.O.N.E.S.
Encore 2: (Michale Graves Acústico) Fiend Club Scream Saturday Night
Encore 3: Dig Up Her Bones When We Were Angels Have You Ever Seen the Rain? What a Wonderful World Blitzkrieg Bop
Para quem não conhece os Primordial são a banda de metal com mais exposição internacional da Irlanda e já contam com 20 anos de carreira. Quando começaram eles praticavam uma mistura de Black com Folk Metal mas com o passar dos anos eles moldaram a sua música e agora apostam com força numa sonoridade mais limpa com algumas misturas entre o Folk e o Celtic Metal.
The Gathering Wilderness de 2005 e To the Nameless Dead de 2007 (os melhores registos da banda) receberam críticas bastante positivas pelo mundo fora e isso fez com que os Primordial atingissem um estatuto de culto e agora com este registo vai sem dúvida cimentar ainda mais a posição da banda como das melhores bandas dos últimos anos. A banda neste registo manteve a mesma linha de qualidade mostrada nos seus trabalhos anteriores, com esta banda não existe a possibilidade de haver superações em relação aos registos anteriores devido á enorme qualidade dos mesmos.
Redemption At The Puritans Hand abre com a No Grave Deep Enough, provavelmente a melhor opener que a banda ja fez, rapidez, poderio, emoção no cantar, que mais se pode pedir, desde cedo vê-se que a voz do Alan Averill está em boa forma ao vermos ele a cuspir com toda a força os refrões: “O, Death where are your teeth / That gnaw on the bones of fabled men / O, Death where are your claws / That haul me from the grave”. Lain with the Wolf é um exemplo perfeito de como se pode fundir vários estilos na perfeição. A um nivel mais Doom Bloodied Yet Unbowed é uma das musicas mais marcantes graças ao seu aumento de intensidade e God's Old Snake mostra aos fãs mais recentes um bocado do passado da banda ao vermos um bocado do Black Metal que a banda explorou no inicio de carreira.
Com The Mouth of Judas chega o momento de os Primordial mostrarem o que melhor fazem que é musica cheia de alma e emoção, o melhor exemplo neste campo é Gallow's Hymn do registo de 2007, uma pessoa que ouça esta musica com os ouvidos bem abertos não é capaz de não prestar atenção, outro bom exemplo é também a The Coffin Ships do trabalho de 2005, muita emoção é o que os Primordial gostam de transmitir em todos os seus trabalhos e a The Mouth of Judas é mais um desses casos, aqui a voz de Alan é usada num registo muito mais limpo.
The Black Hundred e The Puritan's Hand, com Alan Averill sempre no seu melhor, ajudam a aumentar o ambiente para o grande final, Death of the Gods, provavelmente a melhor musica deste trabalho, encerra este registo que certamente, tal como os seus antecessores, irá figurar nas listas de fim de ano para melhor cd do ano. 9/10
Andava eu aqui numa de pesquisar pela net de projectos dos meus músicos preferidos e eis que dou de caras com os Control Denied, uma banda de Metal Progressivo formada pelo mítico líder da banda de Death Metal, os Death, o Senhor Chuck Schuldiner.
Do que achei sobre a história deste projecto foi que o Chuck Schuldiner quis criar uma banda onde pudesse criar música numa onda mais Progressiva com vários elementos de Heavy e Power Metal, nota-se esses elementos mas só mesmo na voz porque na parte instrumental ele não consegue fugir muito do que ele fazia nos Death, em “The Fragile Art of Existence” é notório, em praticamente todas as músicas, as veias dos Death a virem ao de cima, qualquer fã de Death ao ouvir este registo consegue encontrar riffs que uma pessoa só consegue encontrar num registo dos Death, aliás, uma pessoa ao ouvir isto pela primeira vez ate lhe pode parecer uma banda de covers dos Death com voz limpa. Neste projecto o Chuck não empresta a sua capacidade vocal, aqui preferiu deixar Tim Aymar tomar conta desse assunto, Tim Aymar é também o vocalista da banda de Power Metal americana, os Pharaoh. O resto da banda era composto por Shannon Hamm que partilhava com o Chuck os riffs e os solos de guitarra, e também chegou a pertencer ao Death de 1996 a 1999, no baixo estava Steve DiGiorgio que no seu currículo tem passagens pelos Death, Autopsy, Testament, Iced Earth e Obituary, entre outras bandas. A bateria estava reservada para Richard Christy que também já pertenceu aos Death e Iced Earth, vendo bem, tirando Tim Aymar, o resto da banda era uma formação inteira dos Death.
O projecto só tem ate á data um único álbum, “The Fragile Art of Existence” que foi lançado no longínquo ano de 1999, um ano depois do ultimo lançamento dos Death, o “The Sound of Perseverance”. Um segundo álbum dos Control Denied, que ate já tinha nome e tudo, “When Man and Machine Collide”, ainda foi posto em cima da mesa, diversas musicas foram gravadas mas devido á morte do Chuck as gravações sofreram um entrave, mas segundo algumas noticias nos últimos tempos, os restantes membros da banda estão a planear completar o que falta gravar e lançar provavelmente ainda este ano.
Por tudo o que os Death e o próprio Chuck Schuldiner fizeram, este disco merece um lugar ao lado dos trabalhos dos Death, é sem dúvida daquelas pérolas que acabam escondidas no meio de tanta música boa que há pelo mundo fora e que acaba por não ter o devido reconhecimento.