segunda-feira, 4 de abril de 2011

Em Portugal também se faz bom Metal

Este artigo foi feito com base numa conversa que tive no Pavilhão Atlântico antes de começar os concertos de Megadeth e Slayer em que atrás de mim estavam um grupo de três gajos com idades a rondar os 18 anos (creio eu) e estavam a falar sobre se W.A.K.O. iriam tocar ou não e a mim como tanto os seguranças como outras pessoas lá presentes já me tinham confirmado que eles não iriam tocar eu disse-lhes, um deles virou-se e disse “por mim é igual, nem sei quem são”, eu apenas disse que eles eram portugueses e depois só ouço os três rapazes ao mesmo tempo a dizer “por isso mesmo”, nem queiram saber como fiquei, alem de ver o pessoal mais novo a só ouvir as cenas mais conhecidas muitos também não ligam á boa musica que se faz em Portugal, é de facto lamentável, as únicas bandas que eles disseram que conheciam eram os Moonspell (banda portuguesa mais famosa) e os Ramp que há bem pouco tempo abriram o dia do Metal no festival Alive.

Vou aqui falar de varias bandas que eu gosto de ouvir e vou começar pelos Switchtense, uma banda que tem vindo a destruir muitas salas com o seu Death/Thrash Metal bem potente do seu, ate agora único, lançamento de longa duração “Confrontation Of Souls” que já data de 2009. Formados em 2002 na Moita, eles tem vindo a lançar diversos EP’s e demos mas só em 2009 através da editora portuguesa Rastilho Records é que finalmente conseguiram mostrar o seu trabalho ao país, desde então tem encabeçado diversas Tours dessa editora, tem aberto concertos de outras bandas portuguesas mais famosas como por exemplo a banda de Crust Punk os Simbiose aquando do seu também ultimo lançamento “Fake Dimension”. Para este ano já está agendado o segundo lançamento dos Switchtense.



Na mesma onda dos Switchtense e também saídos da Rastilho Records, os Echidna são mais uma das futuras promessas a aparecerem nos últimos anos e tal como os Switchtense o percurso foi quase o mesmo, formados em 2001 em Gaia, algumas demos pelo meio ate que em 2008, lançam “Insidious Awakening”, uma injecção letal de afirmação rápida no nosso pais. Para este ano também está previsto o próximo álbum deles que já está intitulado de “Dawn of the Sociopath”, 2011 vai ser um ano de mais boa música portuguesa.



Qualquer pessoa que esteve na única edição do Alliance Fest ou que tenha visto os We Are The Damned ao vivo quando a Sofia Loureiro ainda era a vocalista de serviço sabe que eles não brincam em serviço, o seu cd de 2008 “The Shape of Hell to Come” trouxe uma mistura de Death 'n' Roll, uma mistura curiosa pelo facto de na voz estar uma rapariga bem “lingrinhas” em que nos concertos deixava muita gente a pensar de como é que aquela figura conseguia mostrar esta fúria toda na sua voz. (entretanto a Sofia saiu da banda, a banda já lançou um novo cd mas eu já não os acompanho há algum tempo)



Os Desire são uma das bandas há que mais tempo andam pelo nosso pais, Doom/Death de muita qualidade, tiveram uns anos 90 muito preenchido a lançar varias demos e o seu primeiro álbum “Infinity... A Timeless Journey through an Emotional Dream”, na decada de 00 lançaram em 2002 o que é para mim o seu melhor trabalho, “Locus Horrendus - The Night Cries of a Sullen Soul”, após uma pausa de 7 anos voltaram ao activo com o Ep “Crowcifix”, em que traz duas musicas novas e uma gravação ao vivo de uma musica que já fazia parte do “Locus Horrendus. Entretanto de novo registo não há notícias, só se sabe que estão á procura de um novo teclista.



A representar o Death Metal old school temos os Theriomorphic, liderados pelo seu vocalista/baixista Jó, figura que tem estado presente em muitos concertos e eventos de Metal pelo país fora, seja a tocar, vender merch ou simplesmente a conviver com o pessoal. Formados em 1997 já contam com dois cds, “Enter the Mighty Theriomorphic” de 2005 e “The Beast Brigade” de 2008, a data para um futuro registo ainda é desconhecida.



Num país difícil como o nosso os Process Of Guilt lá conseguem ter o seu espaço e tem conseguido ser uma das bandas mais activadas da última década devido aos diversos lançamentos, ora vejamos, duas demos, dois albums, um split e algumas regravações de antigas maquetas. Com o seu Doom/Death bem vincado, esta banda de Évora tem mostrado enormíssima qualidade e é de crer que ao 3º álbum vai ser a sua afirmação como uma das principais bandas de Portugal.



Ao falarmos de forças que tem aparecido em grande nos últimos anos também tenho que falar dos Almeirinenses W.A.K.O. (We Are Killing Ourselves), com apenas um álbum que já data de 2007 debaixo do braço os W.A.K.O. tem sido uma banda bem activa com já algumas de concertos dados, e no currículo já se podem orgulhar de terem partilhado o palco com Soulfly, Sepultura, Moonspell, Municipal Waste, Bizarra Locomotiva, Benediction, Obituary, Textures, Pestilence e Aborted. Em 2008 falou-se que iriam abrir o concerto dos Down no Coliseu de Lisboa mas a coisa não passou de um rumor, á uns dias atrás iriam ter a possibilidade de partilhar o palco com alguns dos seus maiores ídolos mas devidos às ainda péssimas organizadoras do nosso país eles tiveram que cancelar á ultima da hora. No mês de Março lançaram o seu segundo álbum, “The Road Of Awareness”.



Os Pitch Black tem sido os representantes do Thrash Metal no nosso país, formados em 2001 tem tido uma carreira sempre a subir contando já com duas demos e dois albums na bagagem, “Thrash Killing Machine” de 2005 mostra uma banda ainda á procura da sua sonoridade mas com “Hate Division” de 2009 os Pitch Black já se mostram mais maduros e com um som bem mais pesado e já com mostras de claro evolução da parte dos seus elementos.



Ao falarmos de dinossauros do Metal portugueses é impossível não irmos buscar os açorianos Morbid Death com o seu Thrash Metal musculado, com uma carreira de mais de 20 anos são uma das bandas mais respeitadas no panorama nacional. O pessoal mais old school de certeza que conhece o mítico vídeo da música “Miséria” que foi gravado em 1992 em que se vê uns Morbid Death ainda bem novinhos a tocar ao lado das vacas a pastar. Já com 3 albums editados e um dvd ao vivo, o seu último lançamento data de 2010 com o Ep “Methamorphic Reaction”.



Dentro do Metalcore, género musical que não tem muitos apreciados neste lado do planeta, os Before The Torn tem conseguido agradar a muitos amantes do Metal tradicional e tem vindo a mostrar que são uma banda competente e com talento para ir longe. Formados em 2004 tem mostrado trabalho quase todos os anos ate aos dias de hoje, “The Serpent Smile” lançado este ano é a mais recente aposta em mostrar ao mundo que deste lado do Atlântico também se faz bom Metalcore, aliás, Metalcore bem mais musculado e nada amaricado como o que é mostrado pelos Americanos.



Em 1996 formaram-se os Heavenwood, com o seu Metal Gótico lançaram logo 2 albums em três anos, “Diva” e “Swallow”, tendo neste ultimo registo a participação de alguns músicos de reconhecimento internacional a cantar em algumas musicas, Kai Hansen (Gamma Ray e ex. Helloween) e Liv Kristine, na altura nos Theatre of Tragedy e agora lidera os seus Leaves' Eyes. Após uma pausa de 10 anos os Heavenwood voltam com “Redemption”, um dos melhores cds nacionais de 2008, e este ano já anda a rolar por ai “Abyss Masterpiece”, mais uma obra-prima destes senhores.



Como falei nos Açores tambem tenho que falar da Madeira e os representantes são os Karnak Seti com o seu Thrash/Death Metal bem sólido. Formados em 2001 lançaram diversos demos ate 2009, ano em que lançaram o seu primeiro e ate agora único álbum intitulado de “Scars of Your Decay”.



Assim que puder faço mais artigos com mais bandas.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Boris - New Album

Uma das bandas mais versáteis actualmente, os japoneses Boris, lançaram este mês o primeiro de 3 cds agendados para serem lançados este ano, os Boris, cujo nome é tirado de uma música do cd Bullhead dos Melvins, tem uma carreira em que já experimentaram um pouco de tudo, Drone metal, Rock Experimental, Noise Rock, Rock Psicadelico, Ambiental, Sludge Metal, Stoner Rock, Crust Punk e Hardcore Punk são alguns dos estilos já explorados por esta banda que no final deste ano irá ter 17 cds a compor a sua discografia da sua carreira que começou em 1992.

Eu não sou a pessoa mais indicada para falar no trabalho total dos Boris, como já disse, eles são uma banda sem medo de arriscar e graças á sua versatilidade eles tem varias participações com outros músicos, a participação mais notória é provavelmente a feita com a banda americana de Drone Doom, os Sunn O))) e no seu trabalho “Altar”. Os Boris também colaboraram com Merzbow, nome artístico de Masami Akita, é um músico japonês com uma carreira já bem extensa dentro do panorama Noise e todo o seu trabalho expande-se por mais de 350 lançamentos.

Quanto a este trabalho dos Boris é mais uma aventura feita por esta banda talentosa, Rock Psicadélico misturado com música electrónica sem esquecer as influências da banda dentro da música Noise, é sem duvida um dos melhores trabalhos do ano e vai certamente agradar a todo o tipo de gente, seja quais forem os seus estilos predilectos.

Para os interessados: http://www.mediafire.com/?50be174iaiyh0ww

Mais um momento grandioso num concerto de Metal

É por estas que o metal é o estilo mais genial na industrial musical porque não tem medo de arriscar e estão sempre a ser realizados momentos históricos nos concertos que as bandas fazem pelo mundo fora, o caso mais recente são os Grave Digger no concerto que deram o ano passado no Wacken e que agora vão lançar em Dvd.

Aqui vê-se que para se fazer um momento grandioso não é preciso encher o palco com todo o tipo de lasers e ecrãs gigantes como fazem as bandas de rock alternatio aka indie rock, também não é preciso por uns 20 gajos a correr de um lado para o outro a dizer “yo yo, wazzup” enquanto só um é que canta como se vê nos espectáculos de hip hop e também não é preciso fazer como os concertos de pop em que se vê centenas de dançarinos andarem aos saltos de um lado para o outro e só 10% do publico é que vê isso.

Um concerto é um evento musical por isso não há nada mais simples do que os Grave Digger fizeram, pegaram numa das suas musicas mais emblemáticas, a “Rebellion (The Clans Are Marching)” que é tirada do álbum Tunes of War (que é tocado quase na integra neste concerto), o álbum todo em si fala sobre as dificuldades que a Escócia teve para ganhar a independência da Inglaterra, por isso pegaram nessa temática e chamaram o homem forte do Power Metal Germânico, Hansi Kürsch, vocalista dos Blind Guardian e chamaram também os Van Canto que são uma banda de Heavy Metal Germânica que cantam as musicas em “A Cappella” sendo essa forma de canto genial para ajudar nos coros, para ajudar á festa nada melhor que por toda a gente dentro do espírito Escocês ao usarem kilts e para o fim foi só chamar os Bauluy Muluy Pipes que são um grupo de músicos que tocam gaitas de foles para mostrarem que o Metal é um estilo em que se pode usar todo o tipo de instrumentos, a musica original tem a parte com as gaitas de foles mas nos concertos a banda põe sempre a tocar uma gravação.

Durante o concerto alem da presença dos Bauluy Muluy Pipes & Drums Band no inicio do concerto, do Hansi Kürsch e dos Van Canto a Senhora Doro Pech também participa nesta festa, mais propriamente na musica “The ballad Of Mary”.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Before the Dawn - Deathstar Rising

Digo desde já que este é o único trabalho que ouvi ate agora dos Before the Dawn por isso não vou comparar com os seus trabalhos passados e vou-me ficar pela critica pessoal. A primeira coisa que se nota logo na primeira audição é o excelente trabalho de guitarras aqui presente, guitarras bem limpas e muito bem intercaladas com as vozes que aqui tanto vão do mais limpo e melódico possível ate uns guturais bem potentes, ou seja, este trabalho é daqueles que vai receber muitos elogios tal como muitas criticas.

Como já tinha dito, este registo tem um enorme trabalho de guitarras com uns riffs bem marcantes, ouçam bem a “Winter Within” e a “Deathstar” e digam-me se não ficam com vontade de voltar logo a ouvi-las de novo, mais uma vez os países Nórdicos mostram ao mundo como se faz bom Death Metal Melódico capaz de agradar ate aos mais puristas ouvintes de Metal que rejeitam completamente tudo o que tenha voz gutural.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Edge Of Sanity - Purgatory Afterglow, um marco do Death Metal Progressivo


Estamos em 1994, ano de lançamento dos melhores registos de algumas bandas do panorama mundial. Dos muitos registos lançados neste ano destaca-se a pérola do Death Metal Melódico “Tales From The Thousand Lakes” dos Amorphis, o Grunge dos Soundgarden com o fabuloso “Superunknown” e o Senhor Trent Reznor lança o “The Downward Spiral” com os seus Nine Inch Nails. Os Pink Floyd encerram a sua carreira discográfica com o “The Division Bell” e na mesma altura os Machine Head começam uma carreira ao mais alto nível dentro do Groove Metal com o seu “Burn My Eyes” e os Nirvana lançaram o seu registo ao vivo “MTV Unplugged in New York” que os colocou no topo do mundo. Outros bons lançamentos foram por exemplo o “Awake” dos Dream Theater, “Far Beyond Driven” dos Pantera, “Balls To Picasso” do trabalho a solo do Bruce Dickinson e o “Deliverance” dos americanos Corrosion Of Conformity.

Mas do que venho aqui é de um álbum que marcou o Death Metal Pogressivo, falo pois bem do “Purgatory Afterglow” dos Edge Of Sanity, um dos muitos projectos do multi-instrumentista Dan Swanö, este álbum começa com uma música cujo nome está marcado para a eternidade devido á saga de vampiros que abalou o mundo nos últimos anos, falo pois de “Twilight”, uma bomba de musica que abalou e muito o mundo da musica e mais concretamente o mundo do Death Metal, a sua composição mostrou uma revolução com a introdução de registo de voz limpa que depois dispara para uma voz gutural do mais destruidor que pode haver, esta mistura mistura entre o típico Death Metal sempre a abrir com Rock Progressivo bem melódico veio logo a influenciar muitas bandas entre elas conterrâneos Opeth e é graças a este projecto e a muitos outros do Senhor Dan Swanö que os Opeth ja pediram os seus serviços nos seus trabalhos iniciais, o “Orchid” e o “Morningrise” foram ambos produzidos e remisturados pelo Dan Swanö.

O que se segue é um desfilar de músicas do melhor que se pode fazer dentro do Death Metal, “Blood-Coloured” é uma das músicas mais interessantes deste registo devido á mistura perfeita de vozes, aqui se vê o bom que a voz limpa do Dan Swanö consegue ser. Como qualquer grande cd é preciso ter uma musica que seja bem catchy e para isso temos “Black Tears”, para muitos esta é a pior musica que os EOF já fizeram, se calhar deve ser pelo facto que a musica não ter nada de voz gutural, eu pelo menos gosto e acho que está uma grande musica que ao vivo graças seu riff de guitarra viciante consegue por muita gente a mexer, a banda de hardcore Heaven Shall Burn e os Eternal Tears of Sorrow com o seu Death Metal Sinfonico fizeram versões desta musica.

Não há muito a dizer sobre “Elegy”, Death Metal típico sempre a abrir é a única maneira de descrever esta musica, este trabalho fecha com as três musicas mais curtas deste registo, “Enter Chaos” e “The Sinner and the Sadness” aquecem o ambiente para o grande final que é “Song of Sirens”, num registo vocal mais para o gritado esta musica é um grande murro no estômago da parte dos EOS mesmo a dizer que (em 1994) eles eram uma das melhores bandas do género ao lado dos Death e dos Morbid Angel.

Para mim o “Purgatory Afterglow” é o melhor trabalho dos Edge Of Sanity mas outros trabalhos memoráveis deste projecto que fechou portas em 2003 incluem-se “Crimson”, registo de 1996 com uma só faixa de 40 min do melhor que se pode fazer de Death Metal Progressivo/Melódico e em que também participa com voz e guitarra Mikael Åkerfeldt e de 2003 temos “Crimson II” que tal como a primeira parte também tem só uma faixa e duração chega aos 43 min e este ultimo trabalho da banda foi dedicado ao falecido líder dos Death, Chuck Schuldiner.