Bem do centro de Tel Aviv, Israel chega-nos Arafel, banda que mistura diferentes elementos dentro do Folk e Black Metal Melodico e compõe tudo em musicas dignas de uns valentes headbang’s. Arafel em hebraico significa nevoeiro mas também é usada como referencia ao apocalipse, neste caso as letras estão bem distantes de um futuro apocalipse, lendas, fantasia e misitcismo são alguns dos temas abordados por esta banda que já existe desde 1997 mas so que em 2003 se tornou mais activa.
Agora em 2011 a banda lança o seu terceiro longa-duração “For Battles Once Fought”, ao irem buscar bocados daqui e dali de bandas como Eluveitie e uns Immortal (lançamentos mais recentes) os Arafel apresentam aqui um bom leque de grandes malhas que vai deixar muitos fãs do género a pedir por mais e muitos certamente que irão voltar a por a tocar este registo assim que acabarem de o ouvir. Excelentes riffs, solos bem sólidos e os violinos em certos momentos consegue-se ouvir um bocado das influências de onde a banda reside, não há que não gostar disto.
O último registo dos Crippled Black Phoenix lançado no último ano foi uma das muitas pérolas que ficou de parte de muitas listas de melhores do ano, Rock Progressivo com claras influências dos mestres Pink Floyd.
Estar a comparar Crippled Black Phoenix com Pink Floyd é uma comparação absurda logicamente, mas ao olharmos para o trabalho que estes Britanicos têm feito desde 2004 é impossível não se notar as muitas semelhanças de sonoridade entre bandas, então neste último registo, “I, Vigilante” as parecenças são mais que muitas.
Assim que a musica “Troublemaker” começa e logo que entra a voz os mais entendedores vão logo pensar ‘isto são músicas que os Pink FLoyd guardaram durante anos e decidiram lançar agora mas com outro nome’, mas não, os Crippled Black Phoenix são das poucas bandas actuais que conseguem trazer de volta o que melhor se fazia de Rock Progressivo nos anos 70. “Fantastic Justice” é de um certo modo uma interdule ao separar as duas musicas mais épicas deste trabalho.
“We Forgotten Who We Are” e a “Bastogne Blues” são as músicas-chave deste trabalho, alem de serem as duas com maior duração ao ultrapassarem os 10 minutos são as que melhor demonstram do que esta banda é capaz ao misturar Rock Progressivo com Post-Rock inovador, épico é mesmo a palavra que melhor descreve cada musica.
Como encerramento uma (enormíssima) cover de uma musica dos Journey da fase inicial da carreira em que faziam Rock Progressivo, só ao quarto 4º cd com a saída de Robert Fleischman e com a entrada de Steve Perry é que a banda chegou aos top’s te todo o mundo ao ir numa onda de Hard Rock e ao criar clássicos como "Any Way You Want It" e a "Don't Stop Believin'". "Of A Lifetime" foi a música escolhida para o pequeno tributo, retirada do primeiro cd da banda Californiana a música sofre pequenas mudanças, o som de guitarra torna-se mais limpo e a voz é cantada por uma senhora cujo nome é Charlotte Nicholls e que neste ultimo trabalho também toca violoncelo.
Frio, bastante frio, foi o que marcou o dia do regresso dos Katatonia a Portugal desde a sua última vinda ao nosso país o ano passado na primeira edição do festival Vagos Open Air. Como dizia, o tempo com temperaturas a rondar os 10º graus fez-se sentir mas não foi uma barreira intransponível para os fãs de Katatonia, todos responderam á chamada, Incrivel Almadense cheio, muito convívio á porta e dentro do recinto e a banda não fez por menos e apresentou uma setlist sólida a passar por quase toda a discografia dando mais ênfase nos trabalhos mais recentes como o The Great Cold Distance de 2006 e o trabalho que vinha a ser apresentado, o Night Is the New Day que já data de 2009.
Como abertura nada melhor que retirar duas musicas do mais recente trabalho, a “Day and Then the Shade” e a “Liberation”, que conseguiu sacar os primeiros headbangs da noite foram as escolhidas, de seguida uma das mais aclamadas do reportório dos Katatonia, “My Twin”, vinda directamente do The Great Cold Distance, com esta a banda já tinha o publico na palma da mão ao ver muitos dos presentes a cantar a letra.
Com “Onward Into Battle”, “The Longest Year”, “Soil's Song”, cujo refrão levou muita gente á loucura e a “Omerta” tudo de seguida deu para umas viagens no imaginário. Em “Teargas” viu-se a boa disposição que a banda tinha a tocar as suas músicas, aliás, por toda a noite a banda foi sempre muito comunicativa e sempre tiveram a puxar pelo público. “Saw You Drown” e a “Idle Blood”, esta ultima mais parece um pequeno tributo aos grandes amigos da banda os Opeth, mantiveram toda a gente relaxada o suficiente para bombástica “Ghost of the Sun”, os headbangs foram muitos e a sorte dos presentes é que não haviam la os habituais jovens que tem vindo a estragar a maioria dos concertos de metal dos últimos anos.
“Evidence” e “Criminals” com o mesmo registo melódico/pesado da última musica a ser tocada continuaram a jornada deixada pela “Ghost of the Sun” ao manterem o concerto a reviver o registo Viva Emptiness de 2003, com a “July”, uma das músicas mais entoadas da noite ficou fechada a primeira parte do concerto. Para o encore a banda deixou “For My Demons”, “Forsaker” e a “Leaders” para um final de concerto em grande.
O guitarrista Per “Sodomizer” Eriksson, que também é o guitarrista dos Bloodbath foi sempre um dos elementos mais animados em cima do palco, sempre com boa disposição a puxar pelo publico e a fazer poses para os fotógrafos, no encore ao vir já sem tshirt deu para ver que ele é um fã de Merciful Fate graças á tatuagem no peito da capa do clássico Don't Break the Oath. Jonas Renkse na voz e Anders "Blakkheim" Nyström na guitarra são os membros fundadores dos Katatonia e também são membros dos Bloodbath foram das maiores estrelas da noite e Daniel Liljekvist na bateria e Niklas "Nille" Sandin no baixo completam a banda que deu um show do outro mundo, é para rever e para por na lista de melhores do ano.
1.Day and Then the Shade 2.Liberation 3.My Twin 4.Onward Into Battle 5.The Longest Year 6.Soil's Song 7.Omerta 8.Teargas 9.Saw You Drown 10.Idle Blood 11.Ghost of the Sun 12.Evidence 13.Criminals 14.July
Quando toda a gente pensava que o concerto seria sentado assim que a banda entra em palco o Jamie Cavanagh vira-se e diz na língua de Camões: 'DE PÉ', e claro, ninguém se fez de rogado e em poucos segundos já estavam toda a gente a bater palmas a acompanhar o ritmo da “Deep” através de palmas.
Muitas bandas deviam aprender com os Anathema no que toca a fazer uma tour de apresentação a um cd novo e mesmo assim conseguir fazer uma noite memorável, é so abrir o concerto com umas quantas musicas bem conhecidas do publico, depois a meio da noite toca-se o novo trabalho na integra e para fim o algumas musicas bem emblemáticas do repertório da banda, no caso dos Anathema ficou para o fim “Are You There?”, “Angelica” (musica que a banda deixou que o publico escolhesse) e para o fim a já mítica “Fragile Dreams”
Durante várias vezes da noite muita gente ainda se sentava mas tendo os Anathema musicas como “Empty”, “Flying” e “Universal” (que é provavelmente a melhor musica do novo registo e também uma das melhores a serem interpretadas na noite de ontem) é impossível ficar sentado.
Quanto á banda não há nada de mal a registar, Vincent Cavanagh continua a ser o líder desta grande banda e um grande musico, Daniel Cavanagh ficou encarregue da grande maioria dos solos e tal como o seu irmão Jamie Cavanagh no baixo tiveram a noite toda a puxar pelo publico fosse para acompanhar as musicas com palmas ou para cantar as letras juntamente com Vincent, quanto John Douglas e Les Smith, baterista e teclista respectivamente, não brilharam como brilhou o trio de irmãos mas a sua presença mesmo assim foi notória graças a alguns momentos de mini solos de piano e a técnica de Les Smith foi bem visível aos olhos dos presentes.
Durante a noite foi constante o agradecimento da banda ao publico, vê-se que são uma banda que sabe que o publico é importante para chegar ao topo, em muitas das musicas os irmãos pelo menos largavam os instrumentos e vinha á frente do palco bater palmas na direcção do publico que graças ao Tivoli esteve espalhado por diferentes pisos mas a banda nem essa gente esqueceu ao estarem constantemente a olhar e a apontar para esses mesmos pisos. Em relação ao Tivoli o próprio Vincent Cavanagh agradeceu á pessoa que os marcou para aquele espaço porque é definitivamente uma das salas de espectáculos mas lindas do pais.
Deep Pitiless Forgotten Hopes Destiny Is Dead Balance Closer A Natural Disaster Empty Lost Control Destiny One Last Goodbye Panic Temporary Peace Flying Thin Air Summernight Horizon Dreaming Light Everything Angels Walk Among Us Presence A Simple Mistake Get Off, Get Out Universal Hindsight
Eis que quando uma pessoa pensa que já foi feito tudo, principalmente dentro do Black Metal, eis que os Enslaved, depois um grande “Vertebrae”, voltam á carga com mais um grandioso registo, “Axioma Ethica Odini” define neste momento o que são os Enslaved, uma banda cujo passado pertence á história inicial do Black Metal mas que agora não tem medo de arriscar ao misturar Rock Progressivo com o seu Black Metal sempre mantendo um alto nível constante de qualidade e inovação sem perder a sua identidade.
Axioma Ethica Odini é o que se pode dizer como um upgrade de agressividade do trabalho anterior”, se forem ouvir um dos primeiros álbuns dos Enslaved e depois o “Vertebrae” e depois o “Axioma Ethica Odini” é mais que notaria a evolução e a tentação de um pequeno regresso ao passado neste ultimo trabalho, o “Vertebrae tem alguma falta de agressividade, algo que para uma banda de Black Metal é imperdoável, mas mesmo assim ficou um excelente registo, mas com “Axioma Ethica Odini” os Enslaved mostram ao mundo que eles são neste momento a melhor banda de Black Metal do mundo ao lado de uns Immortal ao serem das poucas bandas que conseguem inovar no estilo que gerou polémica na Europa no inicio dos anos 90’.
A atenção ao detalhe na composição de todas as músicas é simplesmente de génio, todas as músicas nos prendem de tal maneira que deixa-nos sempre a pensar como é que eles conseguiram este e aquele riff, ou como é incrível eles terem misturado dois tipos de vozes na perfeição, no Metalcore por exemplo é normal usar-se dois e ate mesmo três tipos de vozes mas são raríssimas as vezes em que a compatibilidade seja perfeita, ou a voz gutural é meio desleixada e muito forçada ou as vozes limpas afinal deviam ser guturais só mesmo para esconder a pobre voz do vocalista. No caso dos Enslaved dos últimos registos está tudo no lugar, as vozes guturais são valentes descargas de agressividade e as vozes limpas são do mais melódico que pode haver.
Este novo registo contem 9 músicas e de uma certa forma está partido ao meio pela pequena interlude de cerca de 2 minutos “Axioma”, pode ter sido posta estrategicamente para nos deixar respirar um bocado, é que as musicas conseguem manter uma pessoa sempre a ouvir á procura de algo de novo após cada audição, e o ir de puro Black Metal para uma voz melodia não é algo comum e quando acabamos de ouvir apenas dá vontade de voltar a ouvir tudo de novo. Como inicio os Enslaved dão-nos “Ethica Odini”, uma das grandes bombas aqui apresentadas, começa com uma pequena sample de tempestades e depois parte para um riff que consegue por qualquer metaleiro a fazer headbang, nos refroes aparecem as primeiras vozes limpas intercaladas com vozes guturais deixando depois para o fim um minuto e mio de pura excelência e mestria tanto na bateria e voz e como “grand finale” um grandioso solo de guitarra de Ivar Bjørnson. Em “Raidho” e “Waruun” o que mais salta á vista é mesmo o trabalho de bateria, Cato Bekkevold mostra o melhor de si ao ir de momentos lentos e melancólicos para altas cavalgadas cheias de rapidez. A “The Beacon” e a “Giants” são as faixas mais “Doom” deste deste trabalho e que nos levam de volta aos trabalhos iniciais dos Enslaved como o registo de 1994, “Frost”. Para mostrar o grande trabalho de guitarras que os Enslaved são capazes nada melhor que a “Singular” cheia de riffs de encher o olho. “Night Sight” é o melhor exemplo de mistura de agressividade e melodia que os Enslaved têm vindo a fazer ao trazer grandes influências de Rock Progressivo e também psicadélico, e com a “Lightening”, uma faixa de puro Black Metal, é encerrado este registo que certamente irá ser muito reproduzido nos próximos anos, é um clássico instantâneo.
Quando uma banda lança um novo cd é normal um dos elementos dizer que é sempre o seu melhor trabalho, mesmo a dizer que foi feito o maior esforço para ser tal coisa mas lá no fundo é apenas mais um registo a juntar á discografia, no caso dos Enslaved, esta expressão é mesmo um facto, eles ao longo dos anos tem vindo sempre a elevar a fasquia, sempre a inovar e neste momento estão no topo da montanha mais alta do Black Metal, vai ser difícil para os Enslaved ou outra banda qualquer de Black Metal fazer essa escalada toda novamente, nota final: 9.7