terça-feira, 26 de outubro de 2010

Enslaved - Axioma Ethica Odini

Eis que quando uma pessoa pensa que já foi feito tudo, principalmente dentro do Black Metal, eis que os Enslaved, depois um grande “Vertebrae”, voltam á carga com mais um grandioso registo, “Axioma Ethica Odini” define neste momento o que são os Enslaved, uma banda cujo passado pertence á história inicial do Black Metal mas que agora não tem medo de arriscar ao misturar Rock Progressivo com o seu Black Metal sempre mantendo um alto nível constante de qualidade e inovação sem perder a sua identidade.

Axioma Ethica Odini é o que se pode dizer como um upgrade de agressividade do trabalho anterior”, se forem ouvir um dos primeiros álbuns dos Enslaved e depois o “Vertebrae” e depois o “Axioma Ethica Odini” é mais que notaria a evolução e a tentação de um pequeno regresso ao passado neste ultimo trabalho, o “Vertebrae tem alguma falta de agressividade, algo que para uma banda de Black Metal é imperdoável, mas mesmo assim ficou um excelente registo, mas com “Axioma Ethica Odini” os Enslaved mostram ao mundo que eles são neste momento a melhor banda de Black Metal do mundo ao lado de uns Immortal ao serem das poucas bandas que conseguem inovar no estilo que gerou polémica na Europa no inicio dos anos 90’.

A atenção ao detalhe na composição de todas as músicas é simplesmente de génio, todas as músicas nos prendem de tal maneira que deixa-nos sempre a pensar como é que eles conseguiram este e aquele riff, ou como é incrível eles terem misturado dois tipos de vozes na perfeição, no Metalcore por exemplo é normal usar-se dois e ate mesmo três tipos de vozes mas são raríssimas as vezes em que a compatibilidade seja perfeita, ou a voz gutural é meio desleixada e muito forçada ou as vozes limpas afinal deviam ser guturais só mesmo para esconder a pobre voz do vocalista. No caso dos Enslaved dos últimos registos está tudo no lugar, as vozes guturais são valentes descargas de agressividade e as vozes limpas são do mais melódico que pode haver.

Este novo registo contem 9 músicas e de uma certa forma está partido ao meio pela pequena interlude de cerca de 2 minutos “Axioma”, pode ter sido posta estrategicamente para nos deixar respirar um bocado, é que as musicas conseguem manter uma pessoa sempre a ouvir á procura de algo de novo após cada audição, e o ir de puro Black Metal para uma voz melodia não é algo comum e quando acabamos de ouvir apenas dá vontade de voltar a ouvir tudo de novo.


Como inicio os Enslaved dão-nos “Ethica Odini”, uma das grandes bombas aqui apresentadas, começa com uma pequena sample de tempestades e depois parte para um riff que consegue por qualquer metaleiro a fazer headbang, nos refroes aparecem as primeiras vozes limpas intercaladas com vozes guturais deixando depois para o fim um minuto e mio de pura excelência e mestria tanto na bateria e voz e como “grand finale” um grandioso solo de guitarra de Ivar Bjørnson. Em “Raidho” e “Waruun” o que mais salta á vista é mesmo o trabalho de bateria, Cato Bekkevold mostra o melhor de si ao ir de momentos lentos e melancólicos para altas cavalgadas cheias de rapidez. A “The Beacon” e a “Giants” são as faixas mais “Doom” deste deste trabalho e que nos levam de volta aos trabalhos iniciais dos Enslaved como o registo de 1994, “Frost”. Para mostrar o grande trabalho de guitarras que os Enslaved são capazes nada melhor que a “Singular” cheia de riffs de encher o olho. “Night Sight” é o melhor exemplo de mistura de agressividade e melodia que os Enslaved têm vindo a fazer ao trazer grandes influências de Rock Progressivo e também psicadélico, e com a “Lightening”, uma faixa de puro Black Metal, é encerrado este registo que certamente irá ser muito reproduzido nos próximos anos, é um clássico instantâneo.

Quando uma banda lança um novo cd é normal um dos elementos dizer que é sempre o seu melhor trabalho, mesmo a dizer que foi feito o maior esforço para ser tal coisa mas lá no fundo é apenas mais um registo a juntar á discografia, no caso dos Enslaved, esta expressão é mesmo um facto, eles ao longo dos anos tem vindo sempre a elevar a fasquia, sempre a inovar e neste momento estão no topo da montanha mais alta do Black Metal, vai ser difícil para os Enslaved ou outra banda qualquer de Black Metal fazer essa escalada toda novamente, nota final: 9.7

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Opeth - In Live Concert at the Royal Albert Hall

Para celebrar 20 anos de carreira não há nada melhor do que lançar um dvd ao vivo numa mítica sala de espectáculos Londrina, Royal Albert Hall já foi usado para mais de 150 mil eventos, incluindo concertos dos mais vários estilos de música que vai desde o rock ao pop até á clássica, também já recebeu conferências, danças de salão, recitais de poesia, maratonas, ballet, ópera, circo, boxe, entre muitos outros espectáculos.

De concertos de música já lá passaram entre outros Bob Dylan, Clearance Clearwater Revival, Camel e Deep Purple sendo estas duas últimas bandas as homenageadas do momento ao vermos o artwork da capa deste novo lançamento dos Opeth ser uma réplica perfeita do lançamento de 1969 “Concerto for Group and Orchestra” em que os Deep Purple tocaram com a Orquestra Filarmónica Real. E no que toca aos Camel, quando a banda foi la tocar em 1975 no final da noite eles tiraram uma foto numa das escadarias que dá acesso ao recinto e os Opeth recriaram esse mesmo momento.

Com “In Live Concert at the Royal Albert Hall” os Opeth trouxeram algo de único que ainda não tinha sido ouvido e tocado naquela sala, músicas rápidas, obscuras e claro, vozes guturais, algo que ninguém em 1871 sequer teria imagino que iria acontecer algo do género naquele recinto aquando da sua construção.

Através deste novo lançamento, os Opeth celebram junto com os fãs uma carreira de 20 anos ao mais alto nível e graças a 9 albums do melhor que há dentro do Death/Prog Metal eles neste momento são uma das bandas mais respeitadas dentro do panorama metaleiro. Como celebração os Opeth decidiram dar um concerto cuja duração ultrapassa as duas horas e meia e para encher esse tempo todo eles decidiram pegar no muito adorado e também o muito provável melhor álbum da sua carreira, o Blackwater Park e tocaram-no na íntegra, e como segunda parte do concerto nada melhor que uma passagem por todos os cds da carreira ao ser retirada uma música de cada um.

A edição especial é repartida em 2 dvds e 3 cds, está repartido assim porque ambos os dvds tem qualidade de imagem máxima e som 5:1, no primeiro dvd temos a representação na integra do Blackwater Park juntamente com uma entrevista de 42 min com Mikael Åkerfeldt sobre a banda, questões pessoais, experiencias ao longo da vida, é mesmo algo que merece perder uns minutos a ser visto, e no segundo disco temos a banda a fazer uma retrospectiva na carreira e no final temos um documentário sobre a tour, em que vemos os ensaios antes dos concertos, os meet and greets com os fãs, no concerto na Alemanha num dos meet and greet esteve la uma mulher que vinha do Japão so para ir ve-los, claro que isso deixou a banda surpreendida ao ver alguém fazer uma viagem tão grande só para vê-los. Quanto aos cds de áudio o primeiro contem tal como no dvd o Blackwater Park a ser tocado na integra, os outros dois cds cada um recebeu 4 musicas devido á longa duração das musicas.

Na actuação da banda não há assim nada de mau a registar, todas as musicas são interpretadas na perfeição, apenas um ou dois solos são meio diferentes do que é conhecido dos cds, e os guturais do Mikael no inicio estão meio fracos, não tem aquela potencia característica dele mesmo mas com o passar do tempo isso desaparece logo e o seu melhor vem logo ao de cima.

No que toca ao concerto, durante a apresentação do Blackwater Park não houve quase nenhuma interacção com o público, a ordem das músicas todas as pessoas presentes já o sabiam por isso a banda tocou tudo de seguida e reservou as conversas para a segunda parte á medida que se ia apresentando as musicas.

Pelo meio das actuações, Mikael Åkerfeldt no seu melhor, mostra que no fundo alem de saber escrever e compor músicas épicas ele também tem algumas pontas de humor e de vez em quando manda ao ar umas quantas notas de brincadeira, no final da Forest Of October o Mikael vira-se para o publico e começa a falar que estao a gravar um dvd de aniversario e depois dá um toque de humor ao seu discurso, “The problem with this film is that metal people are so fucking ugly, you could fix your fucking air please.. cunts.. there’s a lot of things i want to say because it’s the first time it is said in here, and blast beats eventually it will be the first time, definitely the vocals, actually we are bringing Death Metal into the walls of this fine culture”, depois uma pessoa do publico berra “..play Blackwater Park..”, e o Mikael como sempre diz logo o que lhe vem á cabeça, “No, we ain't gonna play that shit again”, e depois para ajudar na introduçao das blast beats num recinto elegante nada melhor que tocar a Advent (retirada do Morningrise) que tem basicamente uma das melhores intros que os Opeth já fizeram.



Após a excelente interpretação da “The Moor”, que é retirada do muito aclamado “Still Life”, Mikael Åkerfeldt recorda com foi a vida dos Opeth depois desse lançamento, certo dia um musico/produtor de seu nome Steven Wilson (vocalista e líder da banda de Prog Rock Procupine Tree) entrou em contacto com os Opeth, “In my little clammy flat where i was eating clam meat and smoking all the time, somebody gave me a computer i think, and i got an email from - cof cof - Steven Wilson (publico delira) who said that.. you guys are the greatest band of all time, you are the most genius songwriter and Porcupine Tree wouldn’t be around if wasn’t for Opeth.. i was like, Steve, shut the fuck up.. but no, i was a massive Porcupine Tree fan at the time, we hooked up, had dinner, and.. kissed”, ele depois menciona que o Steven ajudou a produzir o Blackwater Park e como a banda ja tinha tocado o cd na integra eles passaram para o próximo, o “Deliverance”, que também foi produzido pelo Steven, desse cd a banda foi buscar a magistral “Wreath”.

Pelo meio foram feitas umas perguntas para os fãs mais die hard: “How many have fucked at Opeth music?.. jerk off?”

Do “Damnation” foram buscar a “Hope Leaves”, do “Ghost Reveries” foi tocada a soberana “Harlequin Forest” e para encerrar a noite foi tocada a “The Lotus Eater” que foi retirada de um dos melhores cds de 2008, “Watershed”.

Eu pessoalmente preferia uma segunda set diferente mas ninguém pode ter o que quer, mas este lançamento ate acaba por ser o melhor registo dos Opeth ate á data porque devido á sua longa extensão e diversidade de temas consegue agradar a todos os fãs de Opeth.

Para quem é fã é mesmo um artigo para obter obrigatoriamente, eu já juntei ao resto da minha colecção dos Opeth.

domingo, 22 de agosto de 2010

Um momento épico num concerto

Devido ao lançamento do novo cd dos Blind Guardian nestes dias tem-me dado vontade de ir ouvir mais uma vez os cds mais antigos da banda que foram juntamente com os Iron maiden os responsáveis por eu andar a ouvir Metal neste momento da minha vida, após ter ouvido os cds de estúdio também fui ouvir os ao vivo, coisa que em relação aos Blind Guardian nunca tinha feito.

Pois bem, a banda tem um dvd que se chama ‘Imaginations Through the Looking Glass’, as gravações foram feitas no primeiro ‘Blind Guardian Festival’ que se realizou em 2003, o concerto foi muito bem preparado para a gravação, com muitos efeitos pirotécnicos criados para criar uma atmosfera fantástica. O desempenho da banda neste concerto é excelente, o grau de envolvimento do público foi surpreendente até mesmo para os membros da própria banda.

E é aqui onde eu quero chegar, o ambiente gerado pelo publico é daqueles momentos que só se vê mesmo em concertos de Metal porque a maioria das bandas ao tocarem certas musicas não as tocam 100% igual como está no cd, quando são musicas com refroes poderosos para o publico fazer coro muitas bandas estendem isso ao máximo, e o que eu digo é especialmente visível quando a multidão continuava a cantar o refrão de "Valhalla" mesmo após a banda ter acabado de tocar.

Vejam o vídeo que deixo no artigo, no cd o Hansi Kürsch (vocalista) canta duas vezes o refrão após o enormíssimo solo de guitarra de André Olbrich, mas ao vivo eles esticam sempre essa parte, após o solo, Hansi canta uma vez ou duas vezes o refrão e depois o publico fica encarregue de cantar umas quatro ou cinco vezes, so que neste concerto acontece daqueles momentos que deixa qualquer banda de boca aberta, assim que a banda pára de tocar a musica o publico começa com os cânticos de apoio: ‘Guardian, Guardian, Guardian’, e assim no nada, antes que Hansi consiga fazer um mini discurso o pessoal volta a cantar o refrão da ‘Valhalla’: “Valhalla - Deliverance / Why've you ever forgotten me”, deixando Hansi sem palavras e conseguindo que Thomen Stauch dê-se uns toques na bateria para o publico saber que a banda os está a ouvir, é um momento único sem duvida.

Vamos la ver se agora com cd novo eles põe ca os pés para nós também fazermos algo do género.


domingo, 15 de agosto de 2010

Iron Maiden - The Final Frontier

Para quem não sabe, os Iron Maiden são provavelmente a melhor instituição de Metal que este mundo já viu, a sua dedicação á musica e os grandes fãs que a banda tem desde o inicio da sua carreira tornou a banda num monumento ao qual nenhuma outra banda conseguirá repetir tal feito, a sua ascensão ao topo da pirâmide é por mérito próprio sem ajuda de terceiros e se alguém duvida isso e põe outra banda como melhor porta estandarte do estilo chamado de Metal então é porque essas pessoas faltaram a algumas aulas sobre o estilo.

Assim que os Iron Maiden anunciaram um novo trabalho para este ano a alegria em mim foi enorme, sendo eu um grande fã da banda, tendo todos os seus cds, dvds, e mais umas quantas coisas raras que pouca gente no mundo tem, tendo já os visto 2 vezes (e a ver se os vejo outra vez já para o próximo ano) é normal para uma pessoa como eu ficar ansioso para o regresso destes ‘Monstros’, o ultimo trabalho, ‘A Matter of Life and Death’ já datava de 2006 e mesmo tendo boas musicas como ‘The Reincarnation of Benjamin’, ‘Different World’ e a ‘Brighter than A Thousand Suns’ a sua sonoridade em geral não gritava muito “Maiden”, mas agora com este novo registo, ‘The Final Frontier’ a banda consegue misturar um pouco dos últimos trabalhos desde o regresso do Bruce e do Adrian em 1999 com um pouco dos trabalhos da era dourada da banda, que foram os anos 80’ e que nos deram 7 cds que irão ficar para a historia do Metal, e so esse ponto é incrível, num espaço de 10 anos foram feitos 7 cds que tem sido influencias para muitas bandas de todos os cantos do mundo. Este novo trabalho que tem pitadas de ‘Seventh Son Of A Seventh Son’, ‘Somewhere In Time’ e claro do ‘Brave New World’ que foi o primeiro cd desde o regresso do Bruce á banda e é o cd que marca o inicio desta revolução na sonoridade da banda.

No dia 9 deste mês o álbum já circulava na internet, eu aguentei ate o ter fisicamente para o ouvir na integra, claro que as faixas ‘El Dorado’ e a ‘Final Frontier’ ouvi assim que a banda disponibilizou no seu site oficial, quatro anos á espera de algo de novo é muito tempo por isso quando a ‘El Dorado’ ficou disponível fiz o download a partir do site da banda e embora soa-se um bocado estranho nas primeiras audições a partir da 10º audição já era como uma viagem como se estivesse a ouvir um clássico da banda. Quanto á ‘The Final Frontier’ foi lançada juntamente com um vídeo em HD onde finalmente podemos ver o novo Eddie mas em versão animada, o vídeo em si está engraçado com o tema espacial que a banda parece que vai explorar nos próximos tempos, quanto á musica é pesada e com uma sonoridade mais ‘rockeira’ com um refrão perfeito para se cantar juntamente com a banda nos seus concertos. Uns dias antes de o cd ter ido parar á internet, já andava a circular pequenas previews de 30 segundos de cada musica, eu não ouvi nenhuma, mas sei de quem ouviu e não acredito que alguém tenha gostado de ouvir so uns segundos de cada musica, aliás, nem percebo a piada em ouvir 30 segundos de musicas com duração a rondar os 8 minutos.

(Sim, o que ta na foto é o vinil do Flight 666 e o cd e o vinil do The Final Frontier juntamente com um vinil raro cortado de 1983 do single the Trooper, e sim, são algumas coisas que eu tenho por aqui de Iron Maiden)

No ‘The Final Frontier’ uma coisa que notamos após umas quantas audições é que a banda aqui já explorou diferentes composições ao contrário do seu ultimo trabalho ‘A Matter of Life and Death’, em que as musicas seguem todas o mesmo ritmo, não querendo isso dizer que o cd fosse mau, eu gosto e já ouvi muitos bootlegs em que a banda tocou o cd na integra e o publico reage muito bem a praticamente todas as musicas. Muitas pessoas não gostaram, e compreendo o porquê, muitas musicas longas e ate um certo ponto aborrecidas, mas a maioria das pessoas que não gostaram são aquelas pessoas que só ouvem os clássicos, são pessoas que nos concertos da banda só querem clássicos e que durante anos tem esperado que a banda regresse a esses tempos e que façam um novo ‘Powerslave’ ou um novo ‘Seventh Son of a Seventh Son’, mas a banda já o disse milhares de vezes que isto tudo é uma evolução, quem não gosta que não ouça, a editora da banda á uns anos atrás forçou a banda a fazer musicas que soassem como as musicas dos anos 80 e banda literalmente mandou-os para um certo sitio, claro que a banda não irá dizer isso publicamente na cara dos fãs porque foram os fãs que os puseram onde a banda está neste momento, mas para quem não gosta do que a banda tem feito nos últimos anos o remédio é simples, não ouçam e se souberem que a banda irá tocar mais musicas recentes que antigas nos concertos, tal como tem feito nesta pequena tour de verão, essas pessoas que fiquem em casa, deixem os verdadeiros fãs irem para lá cantar tudo juntamente com a banda.

Uma coisa que deixou muitos fãs a pensar é no significado do titulo, Steve Harris desde sempre disse que o seu sonho seria fazer 15 cds com os Iron Maiden e com ‘The Final Frontier’ eis que chegamos a esse numero que esteve marcado na mente de Steve Harris durante muitos anos e o próprio titulo ‘The Final Frontier’ que em português significa ‘A Fronteira Final’ também poderá querer dizer que a carreira desta enormíssima banda poderá estar a chegar ao fim, mas mesmo que a banda decida acabar irá deixar muita gente a pensar porque a banda desde 2008 tem vindo a mostrar que está num excelente momento de forma a relembrar 1984/85 que foi a altura em que a banda lançou o ‘Powerslave’ e o magistral registo ao vivo ‘Live After Death’.

Pois bem, após esta (pequena) introdução, creio que está na altura de falar no mais importante que é o 15º registo da Donzela de Ferro e não há nada melhor do que falar um bocado da capa que foi a primeira coisa que percorreu o mundo juntamente com a musica ‘El Dorado’. O autor da capa é nada mais e nem nada menos que o Melvin Grant que foi o desenhador de serviço nas capas ‘Fear Of The Dark’ e ‘Virtual XI’, no ‘The Final Frontier’, Melvin, segundo ordens da banda, teve mais liberdade para fazer a capa, ao olharmos para a capa e compararmos com os primeiros trabalhos da banda em que Derek Riggs deu forma e vida ao Eddie aqui o Eddie como toda a gente conhece já não existe, aliás, o próprio Melvin Grant disse numa entrevista que aquela ‘criatura’ que iria figurar na capa não é o Eddie, nem ele sabe quem é, a banda é que quis assim o desenho e so mesmo a banda sabe o que está ali. A caveira com caninos e fazendo cara ‘evil’ que toda a gente conhece já não existe, pelo menos de momento. A imagem á primeira vista pode parece foleira mas ate tem a sua graça e consegue captar bem o tema espacial em que a banda está a aventurar-se, e para as pessoas que não gostaram muito do desenho apenas vos posso dizer que quem vir á venda o vinil numa loja que pelo menos pegue nele e veja bem o desenho, assim é que se nota bem todos os pormenores, eu quando fui comprar o meu juntamente com o cd fiquei durante minutos a admirar o trabalho apresentado.

Viramos então para a melhor parte disto tudo, as musicas, assim que ouvimos os primeiros segundos da “Satellite 15... The Final Frontier” ficamos a pensar, ‘será que o cd ficou mal gravado?’, é que o que nos é ali mostrado não tem nada a haver com o que a banda já fez ao longo de 30 anos, “Satellite 15...” são cerca de quatro minutos e meio de introdução bastante interessantes pelo facto de ser diferente de tudo o que a banda já fez, Adrian Smith mostra-nos aqui o que consegue fazer com um programa de pc á base de percussão. Após este sinal claro de mudança eis que rebenta ‘Final Frontier’, a faixa que já tinha sido disponibilizada juntamente com o vídeo, a musica tem uma sonoridade muito forte a Hard Rock. O trabalho de Nicko McBrain aqui é bem notório e guitarras estão bem pesadas, mas o suficiente para manter uma certa melodia, e o refrão é mais um que é perfeito para se cantar juntamente com a banda nos concertos.

“El Dorado”, a musica que qualquer fã de Iron Maiden já conhece há muito tempo, sendo a primeira musica disponível em 4 anos a banda no inicio parece que quis dar a ouvir um pouco de cada elemento e nada melhor como uma pequena explosão em que se ouve todos os instrumentos, quanto ao resto da musica é uma enorme cavalgada como os Iron Maiden e o Senhor Steve Harris no seu baixo tão bem fazem. A banda fez bem em mostrar esta música no inicio da tour, é uma musica muito boa para se tocar ao vivo e para levar o publico á loucura e por toda a gente a saltar.

“Mother Of Mercy” abre com um riff meio acústico a lembrar um bocado o trabalho de 2003 ‘Dance Of Death’, sendo uma música curta com cerca de 5 minutos, ela consegue ser a musica que melhor cresce á medida que o Bruce vai elevando o seu tom de voz mas mantendo a melodia que se sente na paixão ao cantar o refrão. Quanto ao solo de guitarra é um pequeno regresso ao passado a um certo álbum cujo nome é ‘Somewhere In Time’ e que introduziu na banda as guitarras sintetizadas.

“Coming Home” é uma musica bastante lenta a meio tempo e mais parece saída de um dos cds a solo do Bruce Dickinson, quem não conhecer que vá ouvir a “Tears Of The Dragon”, é uma das melhores musicas que o Bruce gravou a solo e a composição é a mesma. Isto trás um cheirinho a novo porque a banda nunca tinha percorrido estes caminhos mais melódicos como os que estão aqui apresentados, o solo tem muita melodia mesmo ao jeito de Adrian Smith que gosta de por tudo no seu devido lugar.

A “The Alchemist” veio deixar muitos fãs contentes, após muitos anos de espera eis que a banda grava uma musica 100% Heavy Metal tradicional, aqui não há nada que enganar, esta musica podia muito bem entrar num ‘Powerslave’ ou num ‘Piece of Mind’, quatro minutos e meio de duração, ritmo acelerado e guitarras bem ‘heavy’, as bases estão todas aqui, é perfeita para tocar ao vivo e misturar ao lado de clássicos como a “Trooper” e/ou a “Can I Play with Madness”

Com a “Isle Of Avalon” a banda decide recriar alguns dos seus clássicos, o inicio é bastante parecido com o clássico “The Loneliness Of A Long Distance Runner” e o resto da musica parece uma mistura muito bem conseguida entre a “Rime Of The Ancient Mariner” e a “Dream of Mirrors” que é do cd ‘Brave New World’ que para mim é o melhor álbum da banda nesta década. O ritmo da musica tem os seus altos e baixos tal como as musicas que referi em que parece que a banda usou como referencia e o solo mostra-nos sem duvida que o que não falta na banda é inspiração.

“Starblind” é uma das minhas musicas preferidas porque ficaria perfeita no trabalho de 2001 ‘Brave New World’ que é um dos meus cds preferidos de sempre da Donzela De Ferro, em termos de voz creio que é o melhor registo do Bruce neste trabalho, a maneira como ele canta o refrão ta absolutamente lindo: “Starblind, with Sun / The stars are one / We are the light that brings the end of night / Starblind, with Sun / The stars are one / We are, with the Goddess of the sun tonight”. Esta musica é a prova que a banda ainda tem muito para dar aos seus fãs.

No inicio da “The Talisman” parece que vai sair dali uma “Dance Of Death” parte dois, no inicio da musica o Bruce Dickison canta no mesmo tom da semi-balada que dá o nome ao cd de 2003, apos 2 minutos de musica acústica em eis que começa a loucura, a banda entra de rompante e Bruce puxa pela sua voz ao máximo,a meio tem um mini solo de guitarra repartido com uma cavalgada de Steve Harris, a estrutura da musica é claramente a que foi usada nos últimos dois trabalhos da banda, mas neste caso o resultado está muito melhor que muitas das musicas dos últimos trabalhos.

Com uma introdução lenta depois partindo depois para uma batida um bocado acelerada, “The Man Who Would Be King” faz lembrar os tempos em que o Blaze Bayley estava na banda, as mudanças de tempo são varias e isto tem um belo toque a rock progressivo, o solo de guitarra é a parte mais interessante da musica em que se pode ouvir as três guitarras. E para o fim o Bruce dá uso á sua voz melódica.

Com “When The Wild Wind Blows” chegamos ao final desta viagem cósmica e para o final a banda deixa-nos a musica mais longa deste registo, 11 minutos de duração, e que musica, quem diria que a banda ainda teria forças para fazer uma musica destas cheia de alma, energia e melodia. A música começa lenta com um som de vento como fundo, as guitarras e o baixo fazem uma melodia bem lenta, leve e suave. Os solos que seguem são magníficos, cheios de alma, isto é uma musica ‘á Iron Maiden’ e é uma das muitas musicas aqui apresentadas onde a veia progressiva da banda aparece bem vincada, são 11 minutos de duração mas são 11 minutos que mais parecem ser 3 ou 4 tal a rapidez com que a musica passa pelos nossos ouvidos e que depois nos deixa a pedir mais uns minutos de boa musica. Nesta musica o Bruce Dickinson canta em muitos momentos sem puxar muito pela voz mostrando que ele pode cantar em diferentes níveis, o caminho melodioso que a musica tem é simplesmente emocionante, esta musica podia muito bem entrar em qualquer cd dos anos 80, Steve Harris mais uma vez criou uma obra prima, basta ir ver á internet ver a resposta que a musica tem vindo a ter da parte dos fãs, esta musica deveria obrigatoriamente ser inserida na setlist da tour que a banda vai começar no inicio de 2011. Não poderia haver melhor desfecho, simplesmente espectacular e inspirador e que finalmente a banda mostra que ainda consegue criar algo de novo e fresco numa altura em que já foi praticamente tudo criado

Para finalizar, desde o regresso do Bruce e do Adrian á banda em 1999 a banda já lançou quatro cds ‘Brave New World’, ‘Dance Of Death’, ‘A Matter Of Life And Death’ e ‘The Final Frontier’, dos quatro, mesmo tendo boas musicas, os menos bem conseguidos são os ‘DoD’ e o ‘AMOLAD’ sem duvida nenhuma, quanto ao ‘BNW’ foi o inicio da revolução, revolução essa que parecia num bom caminho após vermos o ‘BNW’ a ser tocado quase todo ao vivo no concerto do Rock In Rio em 2001 e que conseguiu por mais de 200.000 pessoas a cantarem os refrões desse cd, depois seguiu-se uma fase de pouca inspiração e eis que em 2010 com ‘The Final Frontier’ a banda transpira criatividade, inspiração e equilíbrio, certamente que a banda calou muita gente que já vinha a dizer que a banda estava mais que gasta e sem inspiração,

Quanto á banda, Bruce Dickinson volta a mostrar o porquê de ser um dos melhores vocalistas de sempre ao lado de Ronnie James Dio e Rob Halford. Steve Harris mais uma vez está excelente com as suas emocionantes cavalgadas que toca no seu baixo. Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers partilham mais uma vez os grandes riffs e os deliciosos solos de guitarra e o Nicko McBrain continua o monstro que é sempre escondido por detrás da sua bateria.

Nota final: 9.2

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Black Sun Aeon - Routa

Fundados em 2008, os Black Sun Aeon são uma banda de Death/Doom Metal, após o primeiro cd de originais lançado o ano passado e que foi muito aclamado pelos fãs de Doom Metal Melódico, eis que o sucessor de “The Darkness Walks Beside Me” nos chega, “Routa” mistura tudo o que há de bom dentro do Doom Metal em termos de melodia, aliás, já é um habito de tudo o que é bandas Finlandesas criarem na perfeição musicas cheias de melodia, Amorphis, Nightwish, Moonsorrow, Ensiferum (que este ano tem também álbum novo, e que album), Swallow the Sun, entre muitas outras.

Este novo trabalho dos Black Sun Aeon é um registo duplo com duração máxima de 80 minutos, ambos contem 7 musicas, o primeiro cd, Talviaamu (Manhã de Inverno) foca-se mais numa sonoridade Doom/Death melódico, enquanto que o segundo, Talviyö (Noite de Inverno) tem elementos mais dentro da onda do Black Metal, a faixa-título por exemplo, Routa apresenta alguns riffs de Black Metal, e acaba por ser a única musica do primeiro cd deste registo duplo a mostrar-nos isso deixando o segundo cd com essa sonoridade. A vocalista Janica Lonn da banda de Metal Gótico Lunar Path empresta a sua voz fornecendo a maioria das vozes ouvidas na faixa ‘Dead Sun Aeon’ que é uma das melhores musicas deste registo com o seu Doom Metal Melódico perfeito.



‘Frozen’ com o seu refrão poderoso a mostrar a grande voz limpa do guitarrista/vocalista Mikko Heikkilä, ‘Sorrowsong’ sendo o melhor exemplo de puro Doom retirado deste registo e ‘River’ que tem um riff melódico delicioso são para mim as melhores musicas deste trabalho.

Globalmente, este é um álbum agradável de se ouvir, não é aquele Doom bastante lento e que se arrasta por 10 ou mais minutos em cada musica, muitos fãs de musica Melódica ficarão agradados com o que está aqui apresentado, no primeiro disco é mais para ouvintes que gostam de musica melódica com refrões ‘catchy’, o segundo já é mais virado para os aficionados de Doom bem escurecido. Este não é o melhor registo do género por ai de certeza, mas mesmo assim consegue captar fãs de diferentes estilos, ate mesmo de fora do Metal graças ás suas composições e isso torna-o num bom trabalho muito bem conseguido. 8.2/10

Download para os interessados: http://www.mediafire.com/?3kjtzwgkbmq